Os blogs resistem
August 20, 2013 11:01 - no comments yetOs blogs ainda são relevantes? A pergunta é pertinente já que com a explosão das redes sociais muita gente boa, entusiasmada com o retorno imediato das tuitadas da vida, fechou ou abandonou seus bloguinhos.
Blogs são que nem impressões digitais. Não existe um igual ao outro e o que postamos por lá está sempre ao alcance de qualquer um, a qualquer hora. Aliás, e não por acaso, o veterano blogueiro Alexandre Inagaki deixou uma ótima definição:
“Blog é liberdade. Nada me soa mais antinatural do que a cagação de regras para uma entidade tão anárquica e descentralizada como a blogosfera. Que, diga-se de passagem, é uma e são muitas, como bem exemplificam os blogs de moda, de policiais militares, de eco ativistas, publicitários, miguxos, prostitutas, professores, escritores, yada yada yada. Blogs são meios de publicação como outro qualquer, que podem e devem ser utilizados das maneiras mais amplas e diversas possíveis.”
O escritor, jornalista e blogueiro Glenn Grenwald, autor das matérias do The Guardian sobre a espionagem da NSA, não titubeia em afirmar que “a imprensa mudou e, ao contrário do que pensam alguns conservadores, todos os jornais hoje precisam de blogs porque eles é que atraem leitores”.
Decididamente, os blogs são cada vez mais relevantes.
Ética, educação e respeito
Muita gente boa acredita que blogueiros e jornalistas, não necessariamente nesta ordem e guardando as devidas diferenças, na falta de melhor ou qualquer assunto escolhem aleatoriamente uma criatura para vítima, atribuindo-lhe todos os males do mundo.
Não, meus caros, a coisa não funciona assim, a não ser em regimes onde a liberdade de expressão seja mera peça de ficção. Aliás, a jornalista Maria Helena Rubinato ensina que “não é a imprensa que gera as manchetes, ela apenas as reproduz”.
Se alguém ou algo é notícia, a nossa obrigação é registrar e comentar sempre pautado pela ética, educação e respeito, qualidades meio em desuso, mas ainda essenciais para definir o caráter de um cidadão.
Por Carlos Emerson Junior é escritor e blogueiro.
Com informações do Observatório da Imprensa.
Direitos na rede
August 20, 2013 10:56 - no comments yetDo ponto de vista da tramitação legislativa, nada impede que o Marco Civil da Internet seja votado nesta semana pelo plenário da Câmara dos Deputados. Incluí-lo na pauta depende apenas da vontade do presidente da Casa, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN).
Mobilizam-se para isso praticamente todos os atores envolvidos no debate sobre essa carta de princípios para o meio virtual no Brasil.
O relator da proposta, deputado Alessandro Molon (PT-RJ), diz ter esperança de que o texto finalmente seja apreciado. Não é pequena, porém, a pressão em sentido contrário –o projeto está pronto há pouco mais de um ano, e sua votação já foi adiada seis vezes.
À primeira vista a resistência causa estranheza. Trata-se, afinal, de uma “Constituição da internet”, com a função de estabelecer princípios, garantias, direitos e deveres para o uso da rede e determinar diretrizes para a atuação dos agentes públicos nessa matéria.
Não sendo poucos nem desimportantes os problemas típicos da internet desamparados pelas leis em vigor, nada mais natural que aprovar um diploma para ampliar a segurança jurídica nesse ambiente.
A quem interessa
Uma dessas questões novas diz respeito à neutralidade de rede, justamente o item que faz emperrar o projeto na Câmara –basta dizer que a ela se opõem as empresas de telecomunicação.
Segundo o princípio da neutralidade, todos os pacotes de dados transmitidos pela internet devem ser tratados da mesma maneira, sem distinções relativas a conteúdo, origem, destino ou serviço.
Assim, empresas de telecomunicação –que ligam o usuário à rede– ficam proibidas de alterar a qualidade do acesso segundo seus interesses, seja para acelerar a conexão a portais parceiros, seja para degradar ou bloquear plataformas concorrentes (como programas de comunicação on-line).
Elas podem, como ocorre hoje, comercializar diferentes velocidades de conexão (plano de 1 MB, de 10 MB etc.), desde que essa velocidade não mude em função do conteúdo utilizado pelo internauta.
Uma analogia rodoviária ajuda a entender a questão. Sem a neutralidade, a concessionária de uma estrada poderia aumentar o limite de velocidade para uma determinada marca de carro e reduzir para outra. Poderia, ainda, impedir a circulação de certas bagagens, forçando o interessado a procurar alternativas (provavelmente em uma companhia aérea parceira).
Vê-se que a ausência de neutralidade, na internet, propiciaria todo tipo de distorção na concorrência, inibição a iniciativas inovadoras (que seriam boicotadas) e cerceamento à liberdade de expressão. São boas razões para que ela seja assegurada de forma inequívoca.
Além disso, sem a neutralidade, a internet seria um tipo de TV a cabo. Os pacotes teriam diferenças não só de velocidade mas também de conteúdo. Quem quisesse apenas correio eletrônico ficaria com o plano básico. Para acessar portais de notícias e vídeos seria preciso fazer um “upgrade”. E a internet seria completa só a quem pagasse a assinatura “elite plus”.
Outro aspecto do Marco Civil da Internet que tem gerado controvérsia, mas em escala bem menor, é a defesa da privacidade do usuário.
A proposta a ser votada traz uma séria de mecanismos que protegem o internauta de ter a navegação monitorada e resguardam seus dados pessoais na rede –medidas que ganharam relevo após o escândalo de espionagem americana.
Hoje nada impede que uma empresa colete informações do internauta e as repasse a terceiros. Tampouco existem regras para o usuário pedir a exclusão de seus dados após deixar de usar certa aplicação (uma rede social, por exemplo).
Manter a situação como está interessa apenas às empresas que fazem uso comercial desses dados.
Conjunto de garantias
Há –ou havia– um terceiro nó na tramitação do projeto. Trata-se da responsabilização por conteúdo postado por terceiros.
A situação é típica: alguém notifica um provedor de conteúdo e reclama, por exemplo, de um vídeo ali postado –seja por julgá-lo ofensivo, seja para alegar violação a direito autoral. No atual vácuo normativo, provedores tendem a adotar conduta preventiva, retirando o material do ar sem saber se há de fato ilegalidade.
Atento ao risco de restrições à liberdade de expressão e informação, o marco civil corrige parte do problema. Pelo texto, provedores só podem ser responsabilizados pelo conteúdo gerado por usuários se houver ordem judicial determinando a retirada do material.
O projeto, porém, deixa questões afeitas aos direitos autorais de fora da regra. É um equívoco: a análise de todas as eventuais ilegalidades, salvo por acordo entre as partes, deveria passar pelo Judiciário.
Está nas mão do Legislativo, de toda forma, fazer avançar esse conjunto de garantias inscritas no Marco Civil da Internet. Os deputados precisam decidir se defenderão os milhões de internautas ou os interesses de algumas empresas.
Com informações de Observatório da Imprensa.
Google admite que usuários do Gmail não têm privacidade
August 20, 2013 10:54 - no comments yetO Google admitiu, por meio de um documento apresentado por seus advogados em uma ação judicial nos Estados Unidos, que os usuários do Gmail não podem ter uma expectativa razoável de que a confidencialidade de seus e-mails seja respeitada, segundo o jornal britânico The Guardian.
“O Google finalmente admitiu que não respeita a privacidade”, disse John Simpson, diretor do grupo de defesa dos direitos do consumidor Consumer Watchdog. Ele qualificou o documento como “uma admissão assombrosa” e afirmou que as pessoas deveriam tomar como verdade o que eles dizem. “Se você respeita a privacidade de seus correspondentes, não use o Gmail.”
Um exemplo de como os e-mails são “lidos” pelo Google é a publicidade dentro do Gmail. Segundo o Google, nenhum e-mail dos usuários é lido por humanos. O que acontece, na prática, é que os robôs do Google (por meio de algoritmos) escaneiam o conteúdo das mensagens enviadas e recebidas para oferecer anúncios. De acordo com a empresa, isso está bem claro nos termos de privacidade e uso do Gmail.
Ação judicial
O Google apresentou o documento junto com uma petição para que seja arquivado um processo movido contra a empresa por grupos de defesa do consumidor. Segundo os reclamantes, o Google “abre, lê e adquire ilegalmente o conteúdo das mensagens privadas de e-mail das pessoas”. “Sem o conhecimento de milhões de pessoas, diariamente e durante anos, o Google tem, sistemática e intencionalmente, atravessado a ‘linha assustadora’ para ler mensagens privadas que você não quer que ninguém conheça, e adquirir, coletar ou garimpar informações valiosas daquele correio”.
Para os advogados do Google, os reclamantes estão “fazendo uma tentativa de criminalizar práticas de negócio corriqueiras” e que “todos os usuários do e-mail devem, necessariamente, esperar que seus e-mails sejam submetidos a processamento automático”. Simpson, por sua vez, disse que “enviar um e-mail equivale a entregar uma carta à agência do Correio. Eu tenho a expectativa de que o Correio envie a carta ao endereço do destinatário que está escrito no envelope, e não que o Correio abra e leia a carta”.
Outro lado
O Google Brasil divulgou a seguinte nota: “Levamos a privacidade e a segurança de nossos usuários muito a sério; os relatórios recentes que afirmam o contrário são simplesmente falsos. Nós integramos as melhores ferramentas de segurança e privacidade do mercado ao Gmail – e estas proteções se aplicam a qualquer email recebido por um usuário de Gmail” (colaboração: Mariana Congo).
Com informações de Observatório da Imprensa.
Franceses tentam salvar pureza da língua na internet
August 20, 2013 9:13 - no comments yetA ministra da Cultura da França, Aurelie Filippetti, foi obrigada a se retratar, no início de agosto, por cometer um erro ortográfico em um tuíte. Como, por conta do cargo que ocupa, ela é a “guardiã oficial da língua francesa”, o episódio foi visto como vergonhoso. É fato que a espontaneidade das mensagens no Twitter acaba levando a desatenções com a língua; a ministra, por sua vez, culpou um assessor desleixado. No entanto, para puristas linguísticos, o incidente tocou em questões mais amplas, como a deturpação da língua nas mídias sociais e a invasão da língua inglesa na cultura francesa.
Há muito que os franceses utilizam regras para defender sua língua do Inglês, principalmente em anúncios publicitários. Por lei, qualquer slogan em inglês, como, por exemplo, o “What else?” (O que mais?) da Nespresso, deve ser traduzido com uma legenda: “Quoi d’autre?”. Os anunciantes buscam artifícios para distorcer as regras, utilizando fontes pequenas ou inventando logos que misturam os dois idiomas.
Guardião informal
As mídias sociais estão “desgastando” ainda mais o francês. O idioma é mais prolixo que o inglês, um problema para o limite de 140 caracteres do Twitter. Para economizar espaço, os tuítes franceses costumam vir cheios de abreviações: “koi” para “quoi” (que) ou “C” para “c’est” (isto é). Neologismos também são frequentes: alguém com uma conta no Twitter pode ser “followé” por outros. O próprio Twitter, substantivo inglês, virou um verbo francês. Uma autoridade recentemente tuitou que “nous live-twitterons” o discurso de um ministro.
Um órgão oficial tenta afastar os anglicismos da internet com alternativas francesas. Para a “cloud computer” – ou “computação em nuvem” –, recomenda “informatique en nuage”. “Hashtag” deve ser traduzida para “mot-dièse”. Tais alternativas raramente se tornam populares.
Com uma conta no Twitter, mas horrorizado com a desfiguração do francês, o crítico literário Bernard Pivot, 78 anos e guardião informal da língua, publicou um livro com todos os seus tuítes perfeitamente construídos com respeito à língua francesa. O Twitter não precisa corromper a língua, ele argumenta. Em vez disso, o site impõe reflexão e concisão. Como Pivot aponta, o primeiro artigo da Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão possui apenas 136 caracteres, o tamanho perfeito para uma mensagem no microblog.
Tradução de Rodrigo Neves, edição de Leticia Nunes. Informações da Economist [“The French language is getting battered by social media”, 10/8/2013]
Com informações do Observatório da Imprensa.
Ouça o Bitcoin
August 20, 2013 8:42 - no comments yetA moeda virtual Bitcoin deixou de ser novidade já a algum tempo. Mas se você ainda não sabe o que é Bitcoin, vale a pena dar uma olhada no vídeo abaixo:
E uma forma diferente (e bastante original, diga-se de passagem) de acompanhar as transações em tempo real desta moeda é através do site http://www.listentobitcoin.com.
O resultado é um som bastante relaxante e que em alguns momentos até impressiona, justamente por se tratar de uma sinfonia “virtual”, produzida de forma quase aleatória.








