Por que as redes assustam a imprensa
21 de Agosto de 2013, 8:41 - sem comentários aindaHá centenas, talvez milhares, de importantes ações culturais coletivas pelo Brasil afora, reunindo gente de teatro, músicos, produtores de artes visuais, grupos de folclore e cultura indígena, centros de preservação de tradições de imigrantes e de afrodescendentes. A maior parte dessas iniciativas pode receber verbas federais, desde que o então ministro da Cultura Gilberto Gil criou, em 2004, o sistema de editais, que permitiu descentralizar os recursos públicos e estimular pequenos grupos, com pouca estrutura e muita informalidade, a realizar seus projetos.
Em março de 2008, Gil criou o Observatório dos Editais, abrigado no site oficial do ministério (ver aqui), pelo qual os interessados se informam sobre as oportunidades de patrocínio. O processo é relativamente simples e tem um sistema de monitoramento que resulta, entre outras coisas, na profissionalização de produtores culturais e na consolidação de entidades que sobreviviam a duras penas antes do programa de apoio.
O Ministério da Cultura tem também uma Secretaria de Economia Criativa, que oferece treinamento para gestores de empreendimentos culturais, ajudando-os a usar com eficiência os recursos dos editais. Quem vasculhar alguns jornais regionais vai encontrar anúncios de festivais de música e dança, exposições, festas populares, fóruns de arte e outras iniciativas que movimentam centenas de milhões de reais.
Mais de 5.500 municípios estão incluídos num ranking que classifica as ações culturais, permitindo a pesquisadores avaliar a diversidade e quantidade de expressões artísticas em andamento, constatando a dinâmica dessas manifestações populares.
Os agentes culturais são organizados em mais de 2,5 mil Pontos de Cultura, que funcionam como mediadores entre o Estado e a sociedade em cerca de 1.200 cidades. Há sempre alguns grupos com dificuldades de gestão, mas o sistema de auditoria continua ativo e disponível no site do Ministério da Cultura.
A mídia tradicional nunca deu importância e essa iniciativa, que há quase dez anos estimula a diversidade cultural em todas as regiões do país. Numa dessas raras ocasiões, o Globo produziu, em março de 2012 (ver aqui), uma ampla reportagem afirmando que o atual governo estava esvaziando o programa do ex-ministro Gil.
Jornalismo orgânico
As Casas Fora do Eixo, coordenadas por Pablo Capilé, nasceram dessa política cultural. Elas formam uma constelação de produtores, que a partir dos Pontos de Cultura conseguem obter recursos dos editais de maneira mais organizada, o que ajuda a consolidar a maior parte de seus programas. Como todas as outras iniciativas, o Fora do Eixo está sujeito a atrasos no recebimento das verbas, desvios, erros de gestão e até mesmo má-fé.
A exposição despropositada de Capilé nos meios de comunicação, desde a eclosão das manifestações promovidas pelo Movimento Passe Livre, o transformou em objeto de minucioso escrutínio. Todo indivíduo ou organização, submetido às lentes fracionadas das redes sociais digitais, pode ser qualquer coisa, e por esse motivo as empresas precisam de especialistas para suas estratégias de marketing nesseambiente hipermediado.
A enorme complexidade e diversidade das interpretações a que qualquer tema é submetido nessas redes torna praticamente imprevisível o resultado da exposição intensa. No entanto, sabe-se que a mídia tradicional funciona como uma espécie de âncora para o conteúdo difuso das redes. Assim, se um colunista de jornal ou revista pinça determinado aspecto de um evento, essa ação vai desencadear reações em rede, geralmente de curta duração e muita intensidade.
O que está acontecendo com o Fora do Eixo é uma ação organizada, na qual agentes da mídia tradicional, apoiando-se em intelectuais pouco familiarizados com o ambiente digital, produzem o linchamento moral de Capilé e do Fora do Eixo. Mas tudo indica que o alvo principal não é o coletivo de produtores culturais: o objetivo é questionar a experiência derivada dessa iniciativa, o grupo denominado Mídia Ninja.
O que está em confronto é o jornalismo clássico, que se tornou refém da indústria da comunicação, e o midiativismo das redes. Não está em jogo a hipótese, improvável, de o midiativismo vir a substituir o jornalismo tradicional, mas, assim como na área cultural os coletivos não institucionalizados disputam com sucesso as verbas públicas com grandes produtoras, em algum momento um investidor inteligente pode descobrir o potencial de negócio implícito no jornalismo espontâneo e orgânico que acompanha as manifestações de protesto.
É esse temor que as corporações de comunicação não podem confessar.
Por Luciano Martins Costa.
Com informações de Observatório da Imprensa.
Por que as redes assustam a imprensa
21 de Agosto de 2013, 8:41 - sem comentários aindaHá centenas, talvez milhares, de importantes ações culturais coletivas pelo Brasil afora, reunindo gente de teatro, músicos, produtores de artes visuais, grupos de folclore e cultura indígena, centros de preservação de tradições de imigrantes e de afrodescendentes. A maior parte dessas iniciativas pode receber verbas federais, desde que o então ministro da Cultura Gilberto Gil criou, em 2004, o sistema de editais, que permitiu descentralizar os recursos públicos e estimular pequenos grupos, com pouca estrutura e muita informalidade, a realizar seus projetos.
Em março de 2008, Gil criou o Observatório dos Editais, abrigado no site oficial do ministério (ver aqui), pelo qual os interessados se informam sobre as oportunidades de patrocínio. O processo é relativamente simples e tem um sistema de monitoramento que resulta, entre outras coisas, na profissionalização de produtores culturais e na consolidação de entidades que sobreviviam a duras penas antes do programa de apoio.
O Ministério da Cultura tem também uma Secretaria de Economia Criativa, que oferece treinamento para gestores de empreendimentos culturais, ajudando-os a usar com eficiência os recursos dos editais. Quem vasculhar alguns jornais regionais vai encontrar anúncios de festivais de música e dança, exposições, festas populares, fóruns de arte e outras iniciativas que movimentam centenas de milhões de reais.
Mais de 5.500 municípios estão incluídos num ranking que classifica as ações culturais, permitindo a pesquisadores avaliar a diversidade e quantidade de expressões artísticas em andamento, constatando a dinâmica dessas manifestações populares.
Os agentes culturais são organizados em mais de 2,5 mil Pontos de Cultura, que funcionam como mediadores entre o Estado e a sociedade em cerca de 1.200 cidades. Há sempre alguns grupos com dificuldades de gestão, mas o sistema de auditoria continua ativo e disponível no site do Ministério da Cultura.
A mídia tradicional nunca deu importância e essa iniciativa, que há quase dez anos estimula a diversidade cultural em todas as regiões do país. Numa dessas raras ocasiões, o Globo produziu, em março de 2012 (ver aqui), uma ampla reportagem afirmando que o atual governo estava esvaziando o programa do ex-ministro Gil.
Jornalismo orgânico
As Casas Fora do Eixo, coordenadas por Pablo Capilé, nasceram dessa política cultural. Elas formam uma constelação de produtores, que a partir dos Pontos de Cultura conseguem obter recursos dos editais de maneira mais organizada, o que ajuda a consolidar a maior parte de seus programas. Como todas as outras iniciativas, o Fora do Eixo está sujeito a atrasos no recebimento das verbas, desvios, erros de gestão e até mesmo má-fé.
A exposição despropositada de Capilé nos meios de comunicação, desde a eclosão das manifestações promovidas pelo Movimento Passe Livre, o transformou em objeto de minucioso escrutínio. Todo indivíduo ou organização, submetido às lentes fracionadas das redes sociais digitais, pode ser qualquer coisa, e por esse motivo as empresas precisam de especialistas para suas estratégias de marketing nesseambiente hipermediado.
A enorme complexidade e diversidade das interpretações a que qualquer tema é submetido nessas redes torna praticamente imprevisível o resultado da exposição intensa. No entanto, sabe-se que a mídia tradicional funciona como uma espécie de âncora para o conteúdo difuso das redes. Assim, se um colunista de jornal ou revista pinça determinado aspecto de um evento, essa ação vai desencadear reações em rede, geralmente de curta duração e muita intensidade.
O que está acontecendo com o Fora do Eixo é uma ação organizada, na qual agentes da mídia tradicional, apoiando-se em intelectuais pouco familiarizados com o ambiente digital, produzem o linchamento moral de Capilé e do Fora do Eixo. Mas tudo indica que o alvo principal não é o coletivo de produtores culturais: o objetivo é questionar a experiência derivada dessa iniciativa, o grupo denominado Mídia Ninja.
O que está em confronto é o jornalismo clássico, que se tornou refém da indústria da comunicação, e o midiativismo das redes. Não está em jogo a hipótese, improvável, de o midiativismo vir a substituir o jornalismo tradicional, mas, assim como na área cultural os coletivos não institucionalizados disputam com sucesso as verbas públicas com grandes produtoras, em algum momento um investidor inteligente pode descobrir o potencial de negócio implícito no jornalismo espontâneo e orgânico que acompanha as manifestações de protesto.
É esse temor que as corporações de comunicação não podem confessar.
Por Luciano Martins Costa.
Com informações de Observatório da Imprensa.
TSE dará publicidade a todos os acordos para repasse de dados dos eleitores
20 de Agosto de 2013, 11:16 - sem comentários aindaDepois de anular o polêmico acordo com a Serasa Experian de repasse de dados de eleitores, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) criou uma comissão para concluir, em quinze dias, o levantamento dos acordos e ajustes de qualquer natureza sobre dados eleitorais sob a guarda do Tribunal.
A Comissão presidida pela corregedora-geral Eleitoral, ministra Laurita Vaz, tem o objetivo de dar publicidade a todas as informações relativas aos acordos, convênios e ajustes sobre os dados do cadastro de eleitores, para restabelecer a tranquilidade dos brasileiros quanto à invulnerabilidade das informações fornecidas à Justiça Eleitoral.
Preocupada com a tranquilidade do povo brasileiro quanto à matéria, a presidência do TSE fixou que, até o final do prazo estabelecido, ficam suspensos os efeitos de todos os ajustes firmados, sem prejuízo de sua posterior continuidade se a comissão concluir pela sua legalidade e intangibilidade dos dados eleitorais.
A presidência do TSE determinou, ainda, que a comissão dê total transparência e todas as explicações aos cidadãos sobre como se forma o cadastro, como é ele guardado e quais as medidas tomadas para a sua intangibilidade.
Com informações de Tele.Síntese.
The Guardian foi obrigado a destruir documentos sigilosos, diz editor
20 de Agosto de 2013, 11:10 - sem comentários aindaO editor do jornal The Guardian Alan Rusbridger disse hoje (20) que o governo britânico forçou o periódico a destruir os documentos sobre programas de espionagem norte-americanos e britânicos fornecidos por Edward Snowden, funcionário terceirizado de uma empresa que prestava serviços para a agência nacional de segurança dos Estados Unidos (NSA). O periódico foi ameaçado com um processo judicial.
O jornal preparava uma série de reportagens sobre o esquema de vigilância promovido pela NSA e pela agência de espionagem e segurança britânica (GCHQ). “Vocês têm se divertido muito. Agora queremos os documentos de volta”, disse Alan Rusbridger, informando estar reproduzindo o que ouviu do representante do governo britânico, em artigo publicado hoje (20) no jornal.
Saiba mais:
Autoridades insistem na obtenção de explicações sobre espionagem e detenção de Miranda
Polícia Metropolitana de Londres defende detenção de Miranda
A revelação do editor do The Guardian ocorre no momento em que houve a detenção do brasileiro David Miranda, de 28 anos, por quase nove horas no Aeroporto de Heathrow, em Londres (Reino Unido). Miranda é companheiro do jornalista Glenn Greenwald, do diário inglês, que divulgou informações sobre o esquema de espionagem do governo norte-americano. Ele disse ter sido interrogado por seis agentes sobre “toda a sua vida”. No artigo, Rusbridger condenou a detenção de Miranda e advertiu que “pode não levar muito tempo até que se torne impossível para os jornalistas terem fontes confidenciais”.
Rusbridger disse ainda que “um alto responsável do governo britânico” entrou em contato com ele em nome do primeiro-ministro David Cameron. Segundo o jornalista, houve dois encontros com o representante de Cameron, que exigiu “a devolução ou destruição de todo o material sobre o qual o jornal estivesse a trabalhar”.
Segundo o editor, dois peritos em segurança da GCHQ acompanharam a destruição dos discos duros pelos funcionários do The Guardian para se certificarem de que não restava nada que pudesse ser transmitido a “agentes chineses”.
*Com informações da agência pública de notícias de Portugal, Lusa
Edição: Graça Adjuto
Com informações da Agência Brasil.
Governo da China prevê cobrir o país com banda larga até 2020
20 de Agosto de 2013, 11:05 - sem comentários aindaA China pretende ter banda larga nas áreas urbana e rural até 2020, informou o Conselho de Estado, ou gabinete chinês, no sábado. O Conselho de Estado elevou o desenvolvimento nacional da banda larga ao nível de estratégia nacional e anunciou um programa de implementação para desenvolvê-la nos próximos oito anos.
A estratégia visa a oferecer a cobertura de WiFi nas principais áreas urbanas públicas até 2013 e de banda larga fixa para a metade das famílias chinesas até 2015, segundo o anúncio. Famílias em algumas cidades desenvolvidas poderão desfrutar de uma velocidade de banda larga de 1 Gbps em 2020.
A estratégia será implementada em três fases. Redes de fibra ótica e cobertura de internet móvel 3G serão favorecidas em 2013, enquanto a cobertura de banda larga se expandirá de 2014 a 2015. Rede de banda larga e atualizações de tecnologia serão tarefas importantes entre 2016 e 2020. Uma outra política para apoiar os produtos e serviços de informação foi lançada em 14 de agosto para aumentar a demanda nacional e estimular o crescimento econômico.
Com informações de Tele.Síntese








