Jarbas Valente defende lei que obrigue Google e Facebook a ter data center no país
10 de Junho de 2013, 21:00 - sem comentários ainda“Eles podem desligar o Brasil”. O “eles” a quem o vice-presidente da Anatel, Jarbas Valente, está se referindo são os integrantes do governo estadunidense. Em entrevista ao Tele.Síntese, Valente disse estar muito preocupado com o que ocorreu recentemente, quanto à denúncia de quebra do sigilo das comunicações da população que não mora nos Estados Unidos pelo governo norte-americano – porque entende que o mundo da internet, sem governança multilateral, acaba permitindo essa violação da privacidade.
Valente lembra que o fórum que define a numeração IP da internet, o Icann, está vinculado ao departamento de Estado norte-americano, e o encaminhamento e processamento de todas as conexões passam por aquele país. “Hoje, não sabemos se os nossos dados foram abertos nem quem os abriu, pois tudo virou IP”, argumenta Valente. Para ele, então, a Anatel – que já preserva o sigilo dos sinais de voz e dados das telecomunicações – poderia assegurar que o sigilo da internet também fosse preservado.
Segundo ele, atualmente, os dados dos e-mails, perfis e contas de todos os brasileiros não estão no Brasil, mas sim na base de dados dos provedores globais, como Google ou Facebook. O vice-presidente da Anatel defende que seja crida uma legislação brasileira para obrigar que os provedores de internet tenham data centers no Brasil. “A nuvem da internet é física, e os servidores devem ficar fisicamente em nosso território”, defende.
Valente salientou que o governo brasileiro defendeu a governança multilateral da internet, no último acordo da União Internacional de Telecomunicações (UIT), recusado por diferentes países, entre eles os Estados Unidos e a Comunidade Europeia. Segundo Valente, o Brasil defende a construção de ponto de troca de tráfego nível 1 na América Latina, o que faria com que o tráfego brasileiro não precisasse ir aos Estados Unidos para depois retornar ao Brasil todas as vezes que um usuário acessasse um portal ou mandasse um e-mail.
Mas quem dá esta numeração é o Icann, que alega que este é um negócio entre os provedores privados, ou seja, as operadoras telecomunicações. “E operadoras norte-americanas não irão abrir mão de mais de US$ 500 milhões que recebem anualmente dos provedores nacionais por esse acesso à internet”, assinalou o conselheiro.
Com informações de Tele.Síntese.
NIC.br vai medir tráfego em WiFi público de SP
10 de Junho de 2013, 21:00 - sem comentários aindaA prefeitura de São Paulo e o Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br) assinaram na tarde desta segunda-feira (10) um acordo para medição do tráfego nos pontos onde haverá WiFi livre pelo programa Praças Digitais. O secretário de serviços, Simão Pedro, se reuniu com Demi Getschko para firmar a parceria.
Com a assinatura, o Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br), por meio do NIC.br, doou à prefeitura 270 Simet-boxes, aparelhos usados para fazer a medição de tráfego de última milha. Estes equipamentos são capazes de verificar se a exigência de conexão mínima, de 512 kbps, são efetivamente entregues por usuário, além da disponibilidade e da estabilidade das conexões.
Simão Pedro reiterou que o projeto trará benefícios para cidadãos e turistas que passarem pela cidade, especialmente durante a Copa do Mundo. Avisou que uma nova versão do edital será colocada também em consulta pública nos próximos dias, já com alterações realizadas a partir das contribuições feitas na última consulta, terminada em 24 de maio. “Pelo edital, o serviço poderá ter variações, com limite de até 5% na velocidade e disponibilidade. Havia a dúvidas sobre como a avaliação seria feita. Com Simet, será possível”, disse o secretário.
Segundo Sérgio Amadeu, responsável pelo programa, com o Simet, a prefeitura pode inclusive saber se a internet caiu antes de chegar ao fornecedor do Praças Digitais. Ele disse, ainda, que o edital do programa estará finalizado até o final de julho, e que mantém a expectativa de que as primeiras Praças recebam o WiFi livre até o começo de novembro.
A Secretaria de Serviços e a Prodam também divulgaram hoje (10) o resultado da primeira consulta pública. Durante o período que esteve aberto, o edital do projeto recebeu mais de 300 contribuições, entre pedidos de esclarecimento e sugestões. Todas foram respondidas pelos técnicos da Secretaria de Serviços e da Prodam. O documento com os questionamentos, sugestões e respostas pode ser baixado no endereço http://prodamsp.tk/1bcR0uc.
Muitos itens com critérios técnicos foram alterados, focando mais na prestação de serviços. Outra mudança será a alteração de diversas localidades e o número de praças por lotes para que pequenos provedores possam assegurar a competitividade pela estruturação de consórcios.
Política de privacidade
Segundo Sérgio Amadeu, haverá ainda uma terceira consulta pública após a licitação, dessa vez, “para definir as políticas de privacidade do serviço”, disse. Os detalhes de como o usuário poderá entrar na rede pública e navegar ainda estão sendo pensados. Segundo Amadeu, é possível que seja solicitado apenas um endereço de e-mail. A empresas deverão se comprometer, porém, a entregar um sistema de cadastro se solicitadas. De qualquer forma, o uso será irrestrito e sem limitação tempo, garante a prefeitura.
O projeto Praças Digitais prevê a criação de 120 pontos de acesso gratuito à internet sem fio na cidade. Será instalado ao menos um ponto por distrito da cidade. A velocidade de conexão mínima por usuário exigida será de 512 kbps, com disponibilidade nas 24 horas do dia. A prefeitura deve investir R$ 45 milhões no projeto nos próximos três anos.
Com informações de Wireless Mundi.
Organizações sociais pedem à ONU ações contra vigilância em massa dos EUA
10 de Junho de 2013, 21:00 - sem comentários aindaA Best Bits, uma rede de organizações da sociedade civil e organizações não governamentais, divulgou hoje uma declaração pedindo ao Conselho de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU) que tome providências a respeito da espionagem em massa promovida pelos Estados Unidos nos últimos meses.
Denúncias feita pelo jornal britânico The Guardian na semana passada mostram que o país coletava e analisava dados telefônicos dos clientes de uma companhia de telefonia celular, sem segredo. Mostram ainda que os EUA teriam um programa de espionagem chamado Prism, que prevê a coleta de dados de grandes servidores da internet, como Google e Facebook.
Na declaração, assinada por dezenas de organizações, entre as quais o Movimento Mega Não, Idec, Quilombo Digital, Intervozes, expressa-se preocupação com o que é visto como uma quebra dos direitos humanos. O documento ressalta que existem normas, estabelecidas pelo Conselho de Direitos Humanos da ONU, que podem direcionar um trabalho de investigação sobre abuso do governo dos EUA, e também de outros países com políticas que afetem, entre outras coisas, a liberdade de expressão e o livre uso da internet.
O texto pede, também, proteção àqueles que denunciam o abuso de poder do Estado, tanto nos EUA, quanto em outros países. Essas pessoas, diz o texto, “desempenham um papel fundamental na promoção da transparência e defesa dos direitos humanos de todos”. Confira, abaixo, a íntegra do texto. O original, em inglês, pode ser lido aqui.
Declaração da sociedade civil para o Conselho de Direitos Humanos da ONU sobre o impacto da vigilância de Estado sobre os Direitos Humanos envolvendo o caso PRISM / NSA
Nós expressamos forte preocupação com as recentes revelações de vigilância da internet e telecomunicações de cidadãos norte-americanos e não norte-americanos por parte do governo dos Estados Unidos da América e com o fato de que as autoridades dos EUA tornem os resultados dessa vigilância disponível para outros governos, como o Reino Unido.
Igualmente preocupante é a indicação da aparente cumplicidade de algumas empresas de internet norte-americanas de alcance global. Estas revelações sugerem um desrespeito flagrante e sistemático dos direitos humanos como definidos nos artigos 17 e 19 do Pacto Internacional sobre os Direitos Civis e Políticos (PIDCP ), bem como os artigos 12 e 19 da Declaração Universal dos Direitos Humanos.
Apenas no ano passado, o Conselho aprovou por unanimidade a Resolução 20/8, que “declara que os mesmos direitos que as pessoas têm offline, também devem ser protegidos online, em particular, a liberdade de expressão…”. Mas, durante esta sessão, o Relator Especial sobre a Liberdade de Expressão, o Sr. . Frank La Rue, relatou (A/HRC/23/40) se preocupar com novas tendências em de vigilância de Estado das comunicações, com sérias implicações para o exercício dos direitos à privacidade e à liberdade de opinião e expressão.
O Relator Especial observa que a inadequação ou inexistência de marcos legais “criam um terreno fértil para violações arbitrárias e ilegais do direito à privacidade nas comunicações e, conseqüentemente, também ameaçam a proteção do direito à liberdade de opinião e de expressão”.
A aplicação de mecanismos de vigilância no cerne das comunicações digitais globais ameaça drasticamente a proteção dos direitos humanos na era digital. Como Frank La Rue observa, em referência a tais ações: “Isso levanta sérias preocupações no que diz respeito à perpetração extra-territorial de violações dos direitos humanos e da incapacidade dos indivíduos para saber que eles podem ser objeto de uma vigilância externa, desafiam as decisões em relação à vigilância externa, ou a busca por soluções”. Este caso é um exemplo recente de violações de direitos humanos relevantes para a Internet, prenunciado em painel de especialistas do Conselho sobre a Liberdade de Expressão e a Internet de 2012.
Apelamos para a proteção das pessoas que trouxeram estas violações a público. Como o senhor La Rue nota, as leis “não devem ser usadas contra denunciantes… nem devem dificultar a fiscalização, legítima, da ação dos governos pelos cidadãos”. Instamos os Estados a proteger aqueles que fizeram as denúncias deste caso e a apoiar os esforços no combate às violações dos direitos humanos fundamentais de todos os cidadãos do mundo. Testemunhas desempenham um papel fundamental na promoção da transparência e defesa dos direitos humanos de todos.
Apelamos ao Conselho de Direitos Humanos a agir rapidamente para evitar a criação de um sistema de vigilância baseado na internet global por meio de:
Convocação de uma sessão especial para examinar o caso
Apoio a um processo multistakeholder para implementar a recomendação do Sr. La Rue de que o Comitê de Direitos Humanos desenvolva um novo Comentário Geral 16 sobre o direito à privacidade, à luz dos avanços tecnológicos, e,
solicitando o Alto Comissariado a preparar um relatório que:
Peça, formalmente, aos membros, informações sobre as práticas e leis em vigor sobre vigilância, e que medidas corretivas eles vão adotar para garantir a defesa dos direitos humanos;
Examine as implicações deste caso baseando-se no fato que o Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas aprovou os Princípios Orientadores sobre Empresas e Direitos Humanos, e o marco legal “Proteger, Respeitar e Remediar” (A/HRC/RES/17/4).
Com informações de ARede.
Segurança sempre vence a batalha contra privacidade
10 de Junho de 2013, 21:00 - sem comentários aindaA revelação de que a Agência de Segurança Nacional está investigando chamadas telefônicas reaquece o debate vigente desde o 11 de Setembro: qual equilíbrio entre privacidade e segurança? É a mesma disputa que ocorreu após a aprovação da Lei Patriota, do uso de drones contra cidadãos americanos e da investida do governo contra os responsáveis pelo vazamento de informações. Em todas as ocasiões, os americanos preferiram a segurança.
O presidente Barack Obama deixou claro de que lado ele está. “Vazamentos relacionados a segurança nacional podem colocar pessoas em risco. Podem colocar em risco militares que enviamos ao campo de batalha. Podem colocar em risco alguns de nossos agentes de inteligência que estão em perigosas situações”, disse Obama. “Por isso, não peço desculpas e não acredito que o povo americano esperaria que eu, como comandante-chefe, não estivesse preocupado com informações que possam comprometer suas missões e causar sua morte.”
Lendo nas entrelinhas, fica claro que Obama tem, e continuará tendo, o desejo de proteger o país muito mais do que a privacidade das pessoas. Os defensores das liberdades civis argumentarão que escolher entre segurança e privacidade é uma falsa escolha – e citarão sempre que preocupações de segurança nacional que justificam a coleta de informações privadas deixam o governo em um terreno escorregadio.
Sentimento público
Então, por que maioria do país apoia a coleta de registros telefônicos, o uso de drones e a Lei Patriota? Uma pesquisa Pew, de 2011, mostrou que 42% disseram que a Lei Patriota era “uma ferramenta necessária que ajuda o governo a encontrar terroristas”, enquanto 34% disseram que ela “vai longe demais”.
O medo é um motivador poderoso da opinião pública. A maioria dos americanos, apesar de valorizar sua privacidade, tende a se ver como pessoas com pouco a esconder. O pensamento é: “Se não estou violando nenhuma lei, por que me aborrecer com o fato de o governo investigar algumas ligações telefônicas se isso ajudar a barrar um ataque?” A equação “segurança é maior que privacidade” prevaleceu no governo republicano e, agora, no democrata. A menos que haja uma mudança do sentimento público, essa atitude permanecerá, não só nos três anos finais da presidência de Obama, mas no próximo governo – seja ele qual for.
Por Chris Cillizza, do Washington Post
Com informações de Observatório da Imprensa.
Governo americano admite coleta de dados pessoais na internet
9 de Junho de 2013, 21:00 - sem comentários aindaO governo americano admitiu, após reportagens dos jornais Washington Post e The Guardian, que vem coletando dados pessoais de estrangeiros na internet. O programa secreto, chamado de PRISM, permite que o FBI e a Agência de Segurança Nacional vasculhem dados, incluindo emails, registros de chats, mensagens em redes sociais e conteúdo de áudio e vídeo. O objetivo da coleta de informações online seria ajudar analistas a rastrear os movimentos e contatos de pessoas consideradas suspeitas de atividade terrorista.
Na quinta-feira [6/6], James Clapper, diretor de inteligência dos EUA, confirmou a existência do PRISM – e de outro programa, também revelado esta semana, no qual a Verizon, maior companhia telefônica do país, entregou ao governo registros de ligações de seus clientes. Clapper afirmou que ambos os programas são legais e necessários para a segurança nacional. Ele disse ainda que um tribunal especial, o Congresso e a Casa Branca os supervisionam, e que os dados de cidadãos americanos coletados acidentalmente na internet são mínimos.
O governo de Barack Obama vem sofrendo críticas por escândalos ligados à vigilância de cidadãos, depois que descobriu-se que o Departamento de Justiça teria monitorado ligações telefônicas de jornalistas da agência de notícias Associated Press e do correspondente da Fox News em Washington, James Rosen.
Em nome da segurança
Nesta sexta-feira [7/6], Obama defendeu os programas de monitoramento e ressaltou que o governo americano não se tornou um “Big Brother” das comunicações. “Ninguém está ouvindo suas ligações telefônicas”, assegurou o presidente. “Este programa não trata disso”. Ele completou que os programas ajudam a combater atentados terroristas e que são rigorosamente fiscalizados pelo Congresso.
Obama reconheceu que o público possa ficar apreensivo, mas disse acreditar que o governo conseguiu estabelecer um equilíbrio entre o combate ao terrorismo e a necessidade de proteção à privacidade. “Você não pode ter 100% de segurança e 100% de privacidade com zero inconveniente”, afirmou. O presidente ainda defendeu o sistema de sigilo de informações governamentais e sugeriu que os vazamentos prejudicam os esforços das autoridades para proteger a população.
Resposta
Também nesta sexta, os presidentes e fundadores do Facebook, Mark Zuckerberg, e do Google, Larry Page, emitiram notas negando que suas empresas tenham colaborado com a coleta de dados do governo. Em um post no Facebook, Zuckerberg criticou as reportagens que afirmavam que grandes companhias de internet americanas teriam fornecido informações de usuários às autoridades. Ele disse que nunca havia ouvido falar do programa e que nunca recebeu nenhuma ordem para que entregasse dados ao governo. No blog do Google, Page assina uma nota junto com o chefe do setor jurídico da empresa, David Drummond, onde diz que as alegações da imprensa são falsas e também afirma desconhecer o PRISM.
Tradução e edição: Leticia Nunes. Informações da CBS News [“U.S. government admits to massive online spying”, 7/6/13] e de Charlie Savage, Edward Wyatt, Peter Baker e Michael D. Shear [“Obama Calls Surveillance Programs Legal and Limited”, The New York Times, 7/6/13]
Com informações de Observatório da Imprensa.











