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Fr3d vázquez

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Tome cinco

15 de Agosto de 2014, 8:59 , por Fr3d vázquez - 0sem comentários ainda | No one following this article yet.
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Licenciado sob CC (by-nc-sa)

Vi na postagem de um amigo nas redes sociais. Acho que vale a pena o registro aqui.

 

Tome cinco, camarada,
tome cinco dedos magros
dessa mão encaliçada,
que trabalha desde moça
pra se manter levantada,
símbolo de luta e de greve
da classe assalariada.

Tome cinco, camarada,
por soltar a voz no ar,
livre, despreocupada,
ganhar a vida na foice,
no martelo, na enxada;
te digo de coração:
tome cinco, camarada.

Tome cinco, camarada,
tome cinco pela vida,
mesmo sendo desgraçada:
fome, chuva, sede, sol,
tal criança abandonada.
Por cima de pau ou pedra,
tome cinco, camarada.

Tome cinco, camarada,
pela xícara de café
no frio da madrugada;
dizer-me palavra amiga
na hora mais esperada;
pelo teu companheirismo,
tome cinco, camarada.

Tome cinco, camarada,
por acreditar em mim,
quando eu era desacreditado;
pelo piso, pelo teto,
pela comida esquentada,
pela queda do regime,
tome cinco, camarada.

Tome cinco, camarada,
pela dose de cachaça
que nunca a mim foi negada;
pela passagem do ônibus,
quando eu estava sem nada,
pelo " vinte " do cigarro,
tome cinco, camarada.

Tome cinco, camarada,
por uma reforma agrária,
nova política aplicada,
pão e terra para aqueles
que nunca tiveram nada:
por um Brasil sem censura,
tome cinco, camarada.

(Costa Senna)


Tags deste artigo: tome cinco poesia lutas reforma agrária

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