Internet transfere poder, e cobra seu preço
25 de Setembro de 2013, 11:49 - sem comentários aindaA difusão das novas tecnologias digitais de comunicação vai deslocar o poder, hoje concentrado nas mãos de Estados e instituições, em direção aos indivíduos. Essa é uma das hipóteses centrais de A Nova Era Digital, de Eric Schmidt e Jared Cohen, executivos do Google. O livro foi concluído no início do ano, meses antes das manifestações de junho no Brasil, turbinadas pelas redes sociais. Mas não seria impróprio supor que a voz das ruas ouvidas em grandes cidades do país tenha sido uma manifestação da tendência vislumbrada pelos autores. A internet amplamente acessível é o pilar dessa transferência de poder. No mundo, o número de usuários saltou de 350 milhões para 2 bilhões na primeira década deste século. Em uma geração, a maioria estará conectada.
A massa crescente de informação disponível, acreditam Schmidt e Cohen, resultará em uma “era de pensamento crítico”. Governos autoritários terão maior dificuldade em controlar esses novos cidadãos; governos democráticos incluirão suas demandas na agenda política.
Os limites da difusão do poder serão dados pelos filtros dos governos impostos à internet. Os autores identificam três modelos de controle: o ostensivo, praticado pela China, que censura o conteúdo da rede; o discreto, utilizado certa vez pela Turquia, que proibiu o YouTube de divulgar vídeos considerados ofensivos a um herói nacional; e o aceitável, como o da Alemanha, que proíbe a retórica neonazista.
Crítica ao “poder arbitrário”
A conversa sobre liberdades individuais de Schimdt e Cohen não é ideologicamente isenta. Ela é informada pela perspectiva americana, segundo a qual são positivas mudanças que possam impregnar culturas de qualquer quadrante dos valores caros aos Estados Unidos. Tal viés está presente na própria gênese do livro. Os dois se conheceram em 2009, em Bagdá, quando, trabalhando em um documento para o Departamento de Estado, participaram de conferências sobre como a tecnologia poderia ajudar na reconstrução do Iraque.
A associação de interesses entre o governo americano e o Google deixou o flanco aberto para críticas à esquerda. Num artigo recente no jornal The New York Times, Julian Assange, cofundador do WikiLeaks, considerou o livro “um projeto para o imperialismo tecnocrata [...] que faz proselitismo sobre o papel da tecnologia na reforma de povos e nações ao gosto do superpoder dominante”.
O proselitismo, aliás, às vezes resvala em ingenuidade dos autores, embora Assange não faça essa observação. Ao abordar a situação de países que passaram por conflitos recentes, por exemplo, o livro defende a tese de que ex-combatentes aceitariam trocar armas por smartphones e as oportunidades que esses celulares representam, argumentando que esse seria um recurso-chave de qualquer programa de desarmamento. O texto de Assange é um troco a Schmidt e Cohen. Ele foi entrevistado pelos autores em 2001, quando se encontrava em prisão domiciliar no Reino Unido. Sua posição é retratada com equilíbrio. O livro registra que sua luta não é contra o sigilo em si, mas “contra o sigilo que encobre ações que não ocorrem em nome do interesse público”. Mas critica o “poder arbitrário” de pessoas como ele. “Por que é Julian Assange, em particular, a pessoa que escolhe o que é relevante para o interesse público?” Os autores imaginam que a maioria das pessoas concordaria que algum nível de supervisão é necessário para qualquer projeto que implique denúncias visando o bem da sociedade, mas são céticos em relação à possibilidade de que isso vá acontecer.
Arquivos apagados
A Nova Era Digital se debruça sobre a fronteira entre privacidade e segurança. O livro parte da premissa de que, quanto maior o grau de segurança do Estado, menor a privacidade dos cidadãos, e vice-versa. E constata que empresas do setor estão pressionadas dos dois lados. “Se elas não superarem as expectativas em termos de privacidade e confiança, o resultado pode ser a rejeição e o abandono do produto”, dizem os autores. Por outro lado, “alguns governos considerarão muito arriscada a existência de milhares de cidadãos anônimos, não rastreáveis [...], e vão querer saber quem está associado a cada conta online”.
Embates como esse colocarão intensa pressão sobre os gigantes da tecnologia digital, que “precisarão contratar mais advogados”. É o caso do próprio Google, que, depois da publicação do livro, enfrenta um processo em um tribunal federal dos Estados Unidos por ter capturado dados de redes wi-fi em 30 países ao fazer o mapeamento do Street View.
Schmidt e Cohen querem dividir essa conta. Argumentam que os internautas devem ser responsáveis pela utilização adequada das ferramentas disponíveis, como senhas e criptografias, para garantir maior segurança. A opção “delete”, por exemplo, embora muito usada, não passa de pura ilusão, dizem eles, pois arquivos apagados podem ser facilmente recuperados. O livro adverte que as pessoas precisam se conscientizar de que já nasceu a primeira geração a ter um registro indelével – para o bem e para o mal.
Inclusão tecnológica
Há em A Nova Era Digital uma menção ao “admirável mundo novo”, mas não no sentido distópico descrito na ficção de Aldous Huxley. Os autores parecem achar realmente admirável a perspectiva de um mundo em que parte do prazer seja proporcionada por visões holográficas que emulem a realidade física, um mundo em que, em nossas casas, seremos o maestro de uma “orquestra eletrônica” de aparelhos que cuidarão de nosso cotidiano, de nossa saúde, de nossa vida.
Schmidt e Cohen são otimistas. Mesmo ressalvando que a internet não é uma panaceia para todos os males, eles atribuem à rede o poder de contribuir para a prosperidade econômica, a defesa dos direitos humanos e a promoção da justiça social. Talvez seja um exagero, resultado provável da visão determinada pelo meio em que vivem. Mas isso não diminui o mérito da defesa da inclusão tecnológica como fator de transformação.
Por Oscar Pilagallo.
Com informações do Observatório da Imprensa.
WikiLeaks considera filme sobre Assange ‘irresponsável e danoso’
25 de Setembro de 2013, 11:47 - sem comentários aindaO website WikiLeaks vazou uma versão “amadurecida” do roteiro do filme sobre Julian Assange, O quinto poder (The fifth estate, no original em inglês), acompanhado de um memorando que classifica o longa como “irresponsável, contraprodutivo e danoso”.
O site descreve o filme de Bill Condon, que traz o ator Benedict Cumberbatch como Julian Assange, como “uma obra de ficção disfarçada de realidade”. “A maior parte dos acontecimentos retratados nunca ocorreu, ou as pessoas que aparecem não estavam envolvidas neles”, acrescenta.
A resposta de quatro mil palavras ao filme de Condon também tem como objetivo criticar o que a entidade sem fins lucrativos considera ser o argumento principal do filme: o de que a publicação de documentos confidenciais do Departamento de Estado dos EUA em 2010 pôs em risco a vida de mais de dois mil informantes por todo o mundo. O memorando também subestima a importância de Daniel Domscheit-Berg, que o filme sugere ter sido o braço direito de Assange, além de buscar desmistificar as alegações de que o fundador da organização tinja os cabelos de branco.
Herói ou traidor?
Logo após publicar o roteiro vazado, a entidade postou a seguinte mensagem no Twitter: “Como o WikiLeaks não foi consultado a respeito do filme da Dreamworks/Disney sobre nós, resolvemos oferecer nossa opinião gratuitamente: é ruim.”
Assange tem falado abertamente de suas divergências com o filme, que ele descreve como um “enorme ataque propagandista” a sua organização e a ele próprio. O fundador do website ilustra esta alegação através de uma segunda mensagem postada no Twitter que exibe um poster de divulgação rotulando Assange de “traidor”. (Uma outra usuária do Twitter ressalta, no entanto, que a publicidade completa do longa traz cartazes com as palavras “traidor” e “herói”.)
O filme é baseado em livros de antigos colaboradores com quem o australiano se desentendeu: o ativista tecnológico alemão Daniel Domscheit-Berg e os jornalistas do diário britânico The Guardian Luke Harding e David Leigh.
Condon alega que seu filme espera “explorar as complexidades e desafios da transparência na era da informação e [...] estimular e enriquecer os debates já iniciados pelo WikiLeaks”. Porém, o memorando alerta: “Este filme não emerge em um vácuo histórico, mas ocorre dentro de um contexto de contínuos esforços para incriminar o WikiLeaks e Julian Assange por terem exposto as atividades do Pentágono e do Departamento de Estado norte-americano.”
Versões do roteiro
O editor-chefe do website permanece refugiado na embaixada do Equador em Londres, que concedeu asilo político a ele em junho do ano passado, para evitar extradição para a Suécia, onde responderia a acusações por crimes de natureza sexual.
O ativista político rompeu com o Guardian e outros veículos colaboradores em setembro de 2011 após publicar todos os 251 mil telegramas diplomáticos americanos sem qualquer edição, em uma manobra que seus críticos alegam que poderia ter exposto milhares de indivíduos citados nos documentos a detenções, ferimentos e risco de vida. As considerações do website sobre O quinto poder, no entanto, citam a entrevista de Cumberbatch para o Guardian, onde ele revela ter tido receio de que o filme retrataria Assange como um “vilão de histórias em quadrinhos”. O ator britânico declarou durante a entrevista: “Acho que a Disney vai querer arrancar minha cabeça por dizer isso, mas todos concordaram”, porém não há dúvida de que esses comentários se referem a uma das versões iniciais do roteiro.
O WikiLeaks disse ter diversas versões do roteiro, incluindo uma “versão amadurecida, obtida durante as filmagens em 2013”, que é a variante que foi publicada integralmente. A revista americana Vanity Fair teve acesso à primeira exibição do filme no Festival de Toronto e confirmou, ao contrário do que declaram Cumberbatch e Condon, que Assange tem em mãos uma versão bem próxima do resultado final.
O quinto poder, também estrelado por Daniel Bruhl, Laura Linney e Stanley Tucci, será lançado em 11 de outubro no Reino Unido, uma semana depois nos EUA e no dia 7 de novembro na Austrália. No Brasil, o filme estreia no dia 25 de outubro.
O trailer pode ser visto aqui.
Tradução de Inacio Vieira, edição de Leticia Nunes. Informações de Ben Child [“WikiLeaks posts The Fifth Estate script and labels film ‘irresponsible’”, The Guardian, 20/9/2013] e de Julie Miller [“WikiLeaks Leaks The Fifth Estate Script Along with Important Julian Assange Hair-Dying Clarification”, Vanity Fair, 20/9/2013]
Com informações do Observatório da Imprensa.
Anunciado o SteamOS
23 de Setembro de 2013, 12:42 - sem comentários aindaDepois de uma contagem regressiva apresentada no site do Steam, eis que o motivo da notícia (ou pelo menos parte dela) foi revelado: o lançamento do SteamOS, um sistema operacional para jogos, que será disponibilizado pela Valve, gratuitamente. Ainda sem muitas informações oficiais acerca do núcleo do sistema, existe uma grande possibilidade de ser uma versão modificada do Ubuntu, já que a empresa vem trabalhando em parceria com a Canonical na esperança de se criar um ambiente propício para entretenimento, neste caso o Steam para Linux.
O SteamOs promete ter milhares de jogos, milhões de usuários e estar disponível em breve. O anúncio também menciona “um sistema operacional gratuito para sua TV da sala de estar”. Nenhuma especificação técnica sobre o hardware mínimo foi apresentada. Outras informações sobre o SteamOS podem ser obtidas aqui.
Nas palavras da própria Valve:
“Enquanto trabalhávamos em trazer o Steam para a sala de estar, chegamos a conclusão que o ambiente mais propício para entregar conteúdo aos nossos clientes seria um sistema operacional baseado no próprio Steam. SteamOS combina a arquitetura rígida de Linux com uma experiência lúdica montada para a tela grande. Disponível em breve, um sistema operacional gratuito e autônomo para computadores da sala de estar.”
Agora resta acompanhar o desenrolar desta história que ainda tem muitos capítulos.
Com informações do Steam.
Sistema operacional Ubuntu Touch OS será lançado em outubro
23 de Setembro de 2013, 12:23 - sem comentários aindaApesar de o smartphone Ubuntu Edge não ter conseguido arrecadar o suficiente para sair do papel, o sistema operacional Ubuntu Touch continua a seguir seu rumo de forma independente. O sistema, que permite unificar a experiência do usuário no smartphone, tablet e PC, será lançado pela Canonical em 17 de outubro, mesma data de estreia do Ubuntu Linux 13.10.
O Ubuntu Touch é uma interface do sistema operacional criada para telas sensíveis ao toque. A versão do sistema para desenvolvedores foi lançada em fevereiro e funciona no Galaxy Nexus (conhecido como Galaxy X no Brasil) e no Nexus 4, além dos tablets Nexus 7 e Nexus 10, os três desenvolvidos pelo Google em parceria com fabricantes de hardware.
Apesar do lançamento do sistema operacional em breve, o mercado não deve ver dispositivos com o sistema até o final de 2013 ou início de 2014. Enquanto a Canonical não encontra fabricantes para lançar dispositivos com o sistema no mercado, os usuários interessados podem fazer download da versão para desenvolvedores para ajudar a empresa a identificar falhas no sistema.
Com informações de IG Tecnologia.
Sys Squad é lançado durante o SoLiSC 2013
23 de Setembro de 2013, 12:14 - sem comentários aindaO Sys Squad[1] é um projeto irmão do Code Squad[2]. Trata-se de uma plataforma de ensino à distância, gameficada – onde você participa de uma força especial do exército e vai galgando posições e ganhando badges conforme o seu desempenho – focada em cursos (screencasts) para administradores de redes e servidores. Ele é fruto da parceria entre a Coderockr[3], responsável pela plataforma em si, e a ConexTI[4], responsável pela produção e disponibilização dos cursos.
Além de poder comprar treinamentos e participar das carreiras – estudando onde, quando e como você quiser – você vai encontrar no Sys Squad vários cursos totalmente gratuitos, com conteúdo verticalizado, que lhe darão direito à emissão de certificados digitais, com selo de autenticidade.
Na última sexta-feira, 20/09, durante o SoLiSC 2013[5] o Sys Squad foi inaugurado. O primeiro curso lançado é o pfSense Core[6], que é o treinamento de entrada na Carreira pfSense!
[1] http://sys-squad.com/
[2] http://code-squad.com/
[3] http://www.coderockr.com/
[4] http://www.conexti.com
[5] http://solisc.org.br/
[6] http://sys-squad.com/curso/pfsense-core/avulso
Com informações de Sys Squad.










