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3 de Abril de 2011, 21:00 , por Desconhecido - | 2 people following this article.
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O fim da lealdade do empregado à empresa: mais uma vítima do novo mercado de trabalho

22 de Março de 2018, 11:57, por Feed RSS do(a) News

Se definirmos lealdade como fidelidade a uma causa, um ideal, um costume, uma instituição ou a um produto, então parece haver uma certa dose de infidelidade no ambiente de trabalho atualmente.

Loyalty

Para isso, basta atentar ao que dizem alguns estudos recentes: a 10ª. pesquisa anual de benefícios, tendências e atitudes dos empregados divulgada em março pela MetLife coloca, pelo sétimo ano, a lealdade do funcionário numa posição bem incômoda. De acordo com o relatório de 2011 da Careerbuilder.com, 76% dos funcionários em tempo integral na empresa, embora não estejam de fato à procura de um novo emprego, deixariam seu trabalho atual se deparassem com uma boa oportunidade. Outros estudos mostram que, todos os anos, as empresas perdem de 20% a 50% do seu quadro de funcionários.

Sejam quais forem os números reais, o fato é que muita gente se sente alheia ao trabalho que faz. Alguns motivos para isso: a recessão, ocasião em que as empresas despediram inúmeros empregados com pouca consideração por sua lealdade e tempo de casa; corte de benefícios, treinamento e promoções para os que ficaram; idade dos empregados (geração Y, de 15 a 30 anos) com outras expectativas em relação à carreira, entre elas a necessidade de "deixar uma marca própria", onde quer que isso possa levá-los. Uma das vítimas desse mundo nômade é o compromisso cada vez mais frágil com a empresa.

Adam Cobb, professor de administração da Wharton, vê outra razão para a mudança em andamento na relação entre patrão e empregado. "Quando se fala em lealdade no local de trabalho, é preciso que haja reciprocidade", diz ele. "Minha lealdade à empresa depende da lealdade dela a mim. Todavia, há uma parte nessa troca cujo poder é muito maior do que o da outra: a empresa."

Cobb diz que "a lealdade não é algo em que a empresa possa confiar. Contudo, quando as pessoas dizem que os empregados não são leais à empresa, o que se tem aí é um argumento do tipo quem nasceu primeiro, o ovo ou a galinha? Vamos imaginar um mundo diferente, em que as empresas se preocupassem com seus funcionários e a lealdade fosse recíproca. Será que as pessoas estariam mudando o tempo todo de emprego como fazem atualmente?"

O comportamento do empregado, diz Cobb, sofreu o influxo da reestruturação drástica da empresa deflagrada há 30 anos. "As empresas sempre recorreram à demissão, mas nos anos 80, empresas sólidas começaram a mandar seus funcionários embora, preocupadas sobretudo com os ganhos dos acionistas." Quando anunciavam a iminência de cortes, "as empresas diziam: 'Nossa decisão se deve à preservação dos interesses dos nossos acionistas'", observa Cobb. "Havia também cortes nos benefícios — 401(k) em vez de pensões de benefícios definidos, ao mesmo tempo que o custo com saúde era transferido para o empregado. Seguia-se uma tendência segundo a qual os riscos deviam ser transferidos para o trabalhador, em vez de serem responsabilidade da empresa. Se sou empregado, isso significa que não vou permitir que a empresa controle minha carreira."

Peter Cappelli, diretor do Centro de Recursos Humanos da Wharton [Center for Human Resources], também acha que, atualmente, mudou a atitude do empregador em relação ao empregado. "Para a empresa, o funcionário é um recurso de curto prazo", diz. Como o empregador não emprega mais ninguém pela vida toda, acrescenta Cappelli, autor do livro "Por que pessoas boas não conseguem emprego: falta de habilidades e o que as empresas podem fazer a esse respeito" [Why Good People Can't Get Jobs: The Skills Gap and What Companies Can Do About It], "a segurança no emprego depende agora de o empregado ser o tempo todo útil ao empregador. Salários menores e cargas de trabalho cada vez maiores acontecem quando convém à empresa. No momento em que o empregado percebe que sua carreira pode deslanchar em qualquer outro lugar, ele deixa de dar atenção apenas à empresa" para a qual trabalha no momento.

Lealdade a indivíduos, não à empresa

O Loyalty Research Center [Centro de Pesquisa de Lealdade], consultoria de Indianápolis que trabalha com a questão da lealdade do cliente e do funcionário, define lealdade, em parte, como "o comprometimento do empregado com o sucesso da empresa na crença de que trabalhar naquela empresa é sua melhor opção […] Os empregados leais não estão empenhados em encontrar outro emprego e não são responsáveis pelas ofertas que lhes são feitas". Cappelli diz que "lealdade do empregado" é um "termo técnico. A analogia mais próxima em pesquisa é dada pelo conceito de compromisso, isto é, a ideia de que o empregado se preocupa com os interesses do seu empregador".

Matthew Bidwell, professor de administração da Wharton, divide o termo em duas partes: "De um lado, significa valorizar ao extremo os interesses do empregador; do outro, conservar o mesmo funcionário em vez de trocá-lo." Os estudiosos da administração, diz Bidwell, referem-se a essa atitude como "compromisso com a organização". No entanto, isso está mudando. "É cada vez remota a percepção de que a empresa vai se preocupar com o funcionário como no passado — e isso faz com que ele se torne menos leal a ela." Bidwell, entretanto, questiona o grau de lealdade que as pessoas tinham para com seu empregador nos bons e maus tempos. "O empregado é sempre mais leal àqueles à sua volta — gerente, colegas, talvez seus clientes. Seu senso de profissionalismo — e lealdade — tem mais a ver com o trabalho que executa do que com a empresa."

Parte da pesquisa de Bidwell estuda o comportamento do empregado terceirizado em comparação com o do funcionário a empresa. Era de se esperar que o funcionário terceirizado tivesse uma "relação distante e menos comprometida" com a gerência da companhia do que o funcionário da empresa, diz. "Mas sempre que converso com os gerentes, eles quase sempre dizem que não há, de fato, muita diferença entre um e outro." A relação do funcionário com a empresa é cada vez mais frágil, diz Bidwell, por isso "há quem diga que a lealdade à empresa é coisa do passado".

James Harter, cientista chefe da área de gestão do ambiente de trabalho e bem-estar da Gallup, tem outra opinião baseada nos levantamentos da empresa iniciados em 2000 com objetivo de medir o envolvimento do funcionário. A pesquisa dividiu os trabalhadores em três grupos: empregados "engajados", os que eram "ligados emocionalmente ao seu local de trabalho e se sentiam motivados a produzir"; "não engajados", empregados "distantes emocionalmente do trabalho e com pouca probabilidade de se sentir motivados"; e "funcionários efetivamente alheios", para quem "o local de trabalho era um ambiente negativo e que tendiam a espalhar sua negatividade para outros".

Em 2000, o levantamento feito mostrava que 26% dos empregados eram do tipo engajado, 56% não eram e 18% eram efetivamente alheios ao trabalho. Em 2008, os percentuais foram, respectivamente: 29%, 51% e 20%; em 2010, 28%, 53% e 19%; e, em 2011, 29%, 52% e 19%. Em suma, há uma diferença surpreendentemente pequena entre os números. Para Harter, "não mudou muita coisa no que diz respeito à experiência diária das pessoas no local de trabalho".

Harter cita um relatório da Gallup intitulado "Estado do local de trabalho nos EUA: 2008-2010", em que são feitas 12 perguntas cujo objetivo é lidar com questões como produtividade, qualidade dos relacionamentos com colegas e gerentes, adesão do funcionário à missão integral da empresa. Uma das conclusões a que chegou o relatório foi que "apesar do estresse observado no local de trabalho na esteira da mais severa recessão registrada em muitas décadas, o nível médio de envolvimento emocional do empregado com seu trabalho não apresentou queda significativa".

Em busca de uma fórmula salvadora

A lealdade, que pode ser considerada um componente do engajamento do funcionário, baseia-se em diversos fatores, diz Harter. Por exemplo, se o empregador "se preocupa em atender aos principais interesses do funcionário, se dá atenção à sua carreira, se dá a ele oportunidade de melhorar sua condição de bem-estar etc.". Nessa equação, os gerentes desempenham um papel crucial, acrescenta, referindo-se a uma pesquisa feita há vários anos em que foram analisadas as razões pelas quais as pessoas permanecem ou saem de uma empresa. "A fórmula salvadora, no caso, é a qualidade da relação entre o empregado e seu gerente. É isso que vai determinar o nível geral de engajamento do funcionário. Boas empresas vão fazendo, ao longo do tempo, uma lista de bons gerentes […] e de boas equipes locais e o modo pelo qual elas se conectam graças ao trabalho de líderes e gerentes" cujo impacto sobre elas é mais significativo.

A natureza humana, acrescenta Harter, "não muda quando muda a economia. Ela pode adquirir uma dinâmica diferente" durante um período de recessão, mas o que permanece constante é a "necessidade de estar conectada — a um gerente, um colega e/ou a um propósito, bem como a necessidade de ser reconhecida". A percepção que as pessoas têm do seu padrão de vida "cai à medida que a atividade econômica cai também", diz. Contudo, essa mesma queda não foi observada em locais de trabalho em que os empregados dizem que "há alguém que incentiva seu desenvolvimento. A presença de um mentor, ou alguém na vida que o ajude a ver o futuro no meio do caos pode fazer diferença".

Deborah Small, professora de marketing da Wharton, faz referência a várias pesquisas sobre o que se convencionou chamar de "justiça procedimental", sinal de que muito do que os empregados sentem em relação à empresa "não diz respeito tanto assim aos resultados obtidos, mas aos processos. Se as pessoas perceberem que os processos são administrados de maneira imparcial pela empresa, mesmo que disso não resulte algo que seja o melhor para elas", a tendência é de que tal comportamento estimule sua lealdade.

As pesquisas mostraram também que nem todo comportamento é fruto de interesses pessoais, diz Small. "Às vezes, as pessoas fazem coisas a um custo considerável para elas como, por exemplo, permanecer em um emprego apesar do salário inferior, quando poderiam perfeitamente mudar de emprego e, possivelmente, ganhar mais. No entanto, elas não o fazem porque se importam com os relacionamentos construídos e com o bem-estar dos colegas. Quando existe um bom relacionamento com a empresa ou com os colegas, mudar de emprego acarreta um custo social." Na medida em que um empregado é bem tratado por uma empresa ou por seu chefe, "isso poderá, ainda que indiretamente, fazer diferença em sua decisão de ficar ou de sair da empresa".

Os incentivos financeiros — como, por exemplo, opções de ações, ações e pensões restritas — também são expedientes de que as empresas têm lançado mão para conservar seus funcionários. Contudo, Wayne Guay, professor de contabilidade da Wharton, não está convencido de que esse tipo de remuneração postergada tenha algum efeito significativo sobre a lealdade do funcionário. "Há evidências de que as opções de ações, ações restritas e outros instrumentos do tipo resultem em menor rotatividade", diz Guay. "Os executivos e alguns outros funcionários tendem a permanecer mais tempo na empresa. Isso, porém, não significa que haja um elo implícito entre empregador e empregado. O que há é muito mais um acordo contratual."

Os planos de pensão de benefícios definidos sempre foram um forte mecanismo de retenção usado pelas empresas para conservar seus funcionários, diz Guay, porém poucas empresas atualmente os oferecem. São mais comuns os planos 401(k), que requerem dos empregados que assumam o risco do investimento, mas que podem ser transferidos quando o empregado sai de uma empresa e vai para outra.

Ao mesmo tempo, as ações e opções de ações podem, em alguns casos, ser mais do que um simples mecanismo de retenção. Elas podem motivar os funcionários não apenas a permanecer na empresa, mas a trabalhar duro e ir além das exigências mínimas, diz Guay, acrescentando, porém, que seu efeito é maior no caso de executivos do alto escalão, "que veem efetivamente de que modo suas decisões afetam o preço das ações da empresa e seu desempenho geral. Quando se desce aos escalões inferiores, o elo entre as ações do empregado e o desempenho geral da empresa é mais frágil". Algumas empresas, diz Guay, têm planos de incentivos próprios para divisões e unidades da empresa capazes de melhorar seu desempenho.

O crescimento do mercado global é outro fator de mobilidade no que diz respeito ao local de trabalho. "Há uma concorrência muito acirrada, tanto interna quanto externamente, o que tem obrigado as empresas a ser mais ágeis em termos de contratação e demissão", diz Guay. "Hoje em dia se trata de uma via de mão dupla: o funcionário sabe que a empresa não pode mais lhe oferecer emprego vitalício, e a empresa sabe que o funcionário se sente livre para mudar de emprego a qualquer momento." As redes sociais e de profissionais, além da explosão das informações disponíveis sobre as empresas e planos de carreira ajudaram nesse processo. "Nos últimos dez ou 20 anos, ficou muito mais fácil conseguir emprego em outras indústrias ou regiões do que há dez ou 20 anos, quando não havia Internet", diz.

Bidwell aponta outra dinâmica por trás da mudança na relação entre empregado e empregador. Muita coisa que o empregador fazia no passado para ganhar cada vez mais a lealdade do empregado — pelo menos até os anos 80 — ele fazia não com a intenção de aumentar a produtividade e a satisfação no trabalho, mas para manter os sindicatos à distância, diz Bidwell. "As empresas temiam os sindicatos e a possibilidade de que convocassem greves. Elas tratavam bem o funcionário para que ele não entrasse para o sindicato. Hoje não é mais assim. os sindicatos estão em decadência. É fácil sufocá-los quando tentam se organizar. Por isso, há gerentes que não se preocupam mais tanto com a lealdade do funcionário como no passado."

O desafio de mensurar a lealdade do empregado

Será possível mensurar a lealdade do funcionário? Se for, será que o aumento ou a diminuição da lealdade afeta o desempenho da empresa? Embora a lealdade não esteja, por exemplo, no mesmo nível das receitas e dos lucros, que afetam diretamente os resultados da empresa, "há evidências de que um funcionário mais satisfeito trabalha melhor", diz Bidwell, "mas essa relação não é necessariamente obrigatória".

Faz sentido usar a lealdade do empregado como parâmetro de desempenho, acrescenta Cappelli. "Resta saber como precificar isso: quanto vale a atitude do empregado que sempre coloca os interesses da empresa à frente de outros fatores naquelas situações em que ele tem liberdade de ação? Provavelmente muito, mas é difícil converter o valor dessa atitude em dólares."

Cobb reconhece também a dificuldade de se criar um parâmetro definitivo de lealdade. "Com frequência, as perguntas feitas nessas pesquisas são mais ou menos do tipo: 'Você pretende procurar outro emprego nos próximos 12 meses?' O fato é que a pessoa poderia procurar outro emprego por vários motivos e não porque estivesse insatisfeita com a empresa onde trabalha", diz Cobb. "Talvez o indivíduo esteja pensando em fazer faculdade, ou quem sabe quer morar mais perto dos pais. Portanto, esses parâmetros nunca são muito transparentes. Na verdade, não servem para avaliar a lealdade do empregado. Medem apenas o que a empresa espera que esteja relacionado à lealdade."

Será que as empresas deveriam se preocupar com o cultivo da lealdade, uma vez que alguns empregadores querem simplesmente que os empregados façam o que lhes foi pedido que fizessem? Cappelli acredita que "sim". O grande desafio do empregador, diz ele, é que "os empregados tenham discernimento, sobretudo em se tratando de funções que desfrutam de maior autonomia. A chefia não os está supervisionando o tempo todo, e nem pode fazê-lo, para lhes dizer como agir."

Além disso, diz Cobb, alguns trabalhadores levaram para a empresa, ou adquiriram lá dentro, habilidades que são muito difíceis de substituir. "A empresa não quer que aquele conhecimento, ou especialidade, saia pela porta afora." Os funcionários desleais também podem se tornar um risco para o empregador no momento em que começam a espalhar que a empresa não é um lugar bom de trabalhar. "Isso afeta a percepção que o cliente tem de você", acrescentou.

Talvez o argumento mais convincente para quem queira tentar preservar os bons profissionais seja o fato de que a substituição de funcionários do setor administrativo, além de outros, pode custar aproximadamente 150% do seu salário anual, segundo várias estimativas. Harter observa que no caso dos funcionários de suporte ao cliente, e os de renda mais baixa, o custo seria de metade dos salários pagos a eles, ao passo que no segmento de profissionais de TI, esse percentual seria de 200%. "O impacto real", diz Harter, "pode se dar sobre a produtividade dos colegas".

Para Cobb, o debate em torno da lealdade do empregado se resume às ações do lado mais dominante da equação, a empresa. "A relação empregado/empregador mudou por causa das empresas. Ouvimos as pessoas dizerem que 'o trabalhador não se importa em cultivar relações empregatícias de longo prazo'. Talvez eu seja ingênuo, mas não creio que a humanidade tenha mudado tanto assim." A retórica dos anos 80, diz ele, focalizava sobretudo a importância de "assumir o controle da carreira e da vida. É difícil imaginar que meu pai seja tão diferente de mim nesse aspecto. Não faz sentido dizer que as pessoas nascidas nos anos 70 de repente tiveram uma revelação e agora estão decididas a controlar o rumo de sua vida, e que as pessoas nascidas nos anos 40 pensam de outro jeito. As pessoas sempre quiseram ter mais controle sobre sua vida". O que mudou agora, diz Cobb, é o modo como as empresas tratam os empregados. "Parece estranho que eu deva ser leal a uma empresa que, eu sei, não é leal a mim."

Fonte: www.knowledgeatwharton.com.br



Quem disse que o crime não compensa?

14 de Março de 2018, 21:44, por Feed RSS do(a) News
 
Carlos Motta


O crime não compensa, é a mensagem que ouvimos desde que nos conhecemos por gente.

E, geração após geração, essa mentira vai se repetindo.

O fato, porém, é que crime compensa, e muito, apesar do que se faça para coibi-lo - decretos, leis, prisões, forcas, pelotões de fuzilamento...

O crime compensa tanto que aqui no Brasil ele já domina as instituições, desde o Executivo até o Judiciário, passando, claro, pelo Legislativo e Ministério Público.

É importante esclarecer que há criminosos e criminosos. Há os chamados "marginais", os fora da lei, e aqueles que roubam sem sair de seus escritórios com ar-condicionado, feitos para abrigar os homens de bem.

A percepção de que o crime compensa, em grande parte devido a um Judiciário que protege os endinheirados e pune os pobres coitados, se aprofunda em tempos de crise - econômica, política, moral -, como esta que se abateu no país depois que uma presidenta honesta foi apeada do poder por uma quadrilha e se comete todo tipo de barbaridades contra a população em geral e certos setores da sociedade em particular.

Mas se hoje existe a certeza de que o crime compensa, isso não quer dizer que em outros tempos houvesse, generalizado, um sentimento contrário.

Não é preciso nenhum esforço sociológico para se chegar a essa conclusão.

Basta, por exemplo, ouvir o que os artistas populares dizem sobre isso.

Gente como o sambista Dicró, o "xerife" do Piscinão de Ramos, parque de lazer para os pobres do Rio de Janeiro, pelo qual muito batalhou, e autor de dezenas de composições bem humoradas.

Em parceria com o genial humorista e compositor bissexto Chico Anysio, Dicró, infelizmente falecido em 2012, fez e gravou o esclarecedor partido-alto "Cabide de Emprego".

É uma brincadeira, claro, mas muito séria, e que nos remete a profundas reflexões sobre esta sociedade em que vivemos.

https://www.youtube.com/watch?v=ewF0HEWtNdA



Se não fosse o crime, muita gente morria de fome
O vagabundo é quem garante o pagamento dos homens
Porque um preso dá vários empregos, você pode acreditar
É um policia pra prender
Um delegado pra autuar
Um promotor pra fazer a caveira
Um juiz pra condenar
Um carcereiro pra tomar conta
E um advogado pra soltar
Se não fosse o crime, muita gente morria de fome
O vagabundo é quem garante o pagamento dos homens
Eu não faço apologia, mas infelizmente é verdade
Existe o bem e o mal
Em todo canto da cidade
Quem nunca foi assaltado, por favor, levante o dedo
A maré esta tão braba, que eu já ando até com medo



Papa Francisco começa uma fase decisiva à frente da Igreja

14 de Março de 2018, 9:21, por Feed RSS do(a) News

Em cinco anos no cargo, primeiro pontífice latino-americano se transformou numa espécie de pop star teológico e político, sacudindo as estruturas do catolicismo. Países em desenvolvimento como o Brasil ganharam espaço

Por Redação, com DW – da Cidade do Vaticano:

Rezar é algo político. Especialmente quando se reza diante do muro entre o México e os Estados Unidos. O papa Francisco não mede palavras: “Uma pessoa que pensa em construir muros em vez de pontes não é cristã. Isso não é o Evangelho”, disse.

Papa Francisco em mural do artista italiano Maupal, pintado próximo ao Vaticano em 2014

Há dois anos, Francisco criticou os planos do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de ampliar o muro entre o México e os EUA. A visita de Trump ao Vaticano em maio de 2017 não foi capaz de derrubar esse muro espiritual entre os dois líderes.

Há cinco anos, o argentino Jorge Bergoglio, que completou 81 anos em dezembro; se tornou o primeiro latino-americano a liderar a Igreja Católica. Dois minutos depois de sua eleição, no dia 13 de março de 2013, ficou claro que esse papa “do outro lado do mundo”; como o próprio Bergoglio se apresentou, é diferente de seus antecessores.

Revolução em Cuba

Francisco é, ao mesmo tempo, político e pastoral. Ele reza pela paz entre Israel e Palestina diante do muro em Belém. Ele acolhe refugiados no Vaticano. Ele costura o fim da era do gelo política entre Cuba e os EUA. E ele perdoa mulheres que abortaram.

– Francisco quer superar divisões, e não consolidá-las com muros. Ele é muito político nesse aspecto – afirma Bernd Klaschka, confidente do papa e ex-diretor da organização católica de assistência Adveniat. “Na América Latina, Francisco desempenha papel similar ao de João Paulo 2° na Europa quando este contribuiu com a queda do muro (de Berlim)”, descreve.

Ainda que o muro entre o México e os EUA continue em expansão, Francisco conseguiu derrubar barreiras em Cuba e na Colômbia. Com uma mediação habilidosa entre as partes, conflitos de décadas foram atenuados. Em 2015, a visita de Francisco à República Centro-Africana também levou a um cessar-fogo e à realização de eleições livres.

Adeus, Europa

No interior da Igreja Católica, há sinais de mudanças; mesmo que esses não possam ser identificados à primeira vista. A nomeação de novos cardeais da América Latina, da África e da Ásia; e a ampliação dos direitos de decisão das conferências episcopais nacionais e regionais mostram; que Francisco está começando a corroer a supremacia do Vaticano.

De um total de 49 cardeais nomeados por Francisco, a maioria vem de países em desenvolvimento; que até o momento não eram foco de atenção no Estado soberano liderado pelo sumo pontífice. Esses cardeais poderiam ser os responsáveis por eleger o primeiro papa africano como sucessor de Francisco no próximo conclave, em que 117 cardeais votam.

O integrante mais jovem do grêmio é o arcebispo da capital centro-africana, Bangui, Dieudonné Nzapalainga. “Este pontífice ama a África. Há pouco tempo, ele exortou todos os católicos e o mundo todo a rezar pela paz no Congo e no Sudão do Sul”, disse em entrevista à agência alemã de notícias DW.

O arcebispo da República Centro-Africana representa o futuro da Igreja Católica. Em 2015, Nzapalainga recebeu, juntamente com o imã Kobine Layam, o Prêmio da Paz de Aachen.

Terceiro Mundo e Brasil

Para o teólogo brasileiro Leonardo Boff, o rejuvenescimento do conclave papal é uma prova de que Francisco “vai fundar uma dinastia de pontífices do Terceiro Mundo”.

– Este papa dá outra versão do cristianismo e mostra que o cristianismo vivo é aquele que está no Terceiro ou Quarto Mundo, porque na Europa só há 25% de católicos. Na América Latina, nas Américas, são 62%, os demais estão na África e na Ásia – afirmou em entrevista à DW Brasil.

– Ele tem consciência de que não pertence à velha cristandade europeia, que apresenta o papa como uma espécie de faraó, carregado de símbolos dos imperadores pagãos. Ele se libertou disso tudo.”

Para Boff, Francisco inaugura uma “primavera na Igreja”. Mas será que essa primavera poderia ser brasileira? Fato é que a Igreja Católica no Brasil tem poderosa influência nos bastidores. Foi o cardeal brasileiro Dom Cláudio Hummes, membro da Pontifícia Comissão para a América Latina, que sugeriu o nome Francisco ao recém-nomeado papa Bergoglio, por exemplo.

Padre e casado?

O Brasil também ganhou destaque durante a primeira viagem internacional do papa Francisco, que participou da Jornada Mundial da Juventude no Rio de Janeiro, em 2013. Atualmente, está em preparação mais um grande evento religioso-político ligado ao Brasil: o Sínodo para a Pan-Amazônia em 2019, no Vaticano. Ali, poderia ser decidido se, no futuro, homens casados também poderão ser padres.

Da perspectiva católica, acabar com o celibato estabelecido há séculos seria uma revolução. E são precisamente reviravoltas como essa que sempre atraem adversários que querem evitar uma “teologia Copacabana”, na qual dogmas religiosos seriam relativizados e os ensinamentos tradicionais da Igreja, questionados.

O arcebispo de Acra, capital do Gana, acha a polêmica exagerada. “Eu sei que alguns conservadores não estão satisfeitos com a postura de coração aberto do papa”, disse Gabriel Charles Palmer Buckle em entrevista à DW. Para ele, Francisco teria apenas pedido a bispos e padres que deixem valer a compaixão. “A Igreja não é dos conservadores, é de todos.”

O post Papa Francisco começa uma fase decisiva à frente da Igreja apareceu primeiro em Jornal Correio do Brasil.



O Estado de Direita no Brasil

12 de Março de 2018, 16:32, por Feed RSS do(a) News

Enquanto acreditarmos em papai noel...

Enquanto acreditarmos que a Casagrande cumpre acordos e respeita Constituição...

Enquanto acreditarmos que basta fazer política identitária sem levar em consideração a luta de classes...

Enquanto acreditarmos que no Brazil escravocrata existe justiça e um estado de direito democrático...

Haverá reuniões na calada da noite e charges magníficas que tão bem as retratam...

Com supremo com tudo



FSM debate a resistência dos povos aos ataques à democracia

12 de Março de 2018, 10:54, por Feed RSS do(a) News

Com programação vasta e diversificada, o FSM terá como território principal o Campus de Ondina, da Universidade Federal da Bahia (UFBA); além de outros locais da capital baiana.

Por Redação, com RBA – de Salvador

Com o tema central “Povos, Territórios e Movimentos em Resistência”, e o slogan “Resistir é criar, resistir é transformar”, o Fórum Social Mundial (FSM) deve ser um evento de resistência contra os retrocessos e os ataques à democracia no Brasil. Criado em 2001, em Porto Alegre, o FSM 2018 será realizado entre terça-feira e sábado, em Salvador.

A UFBA receberá a maioria dos eventos programados no FSM

A foto que tão bem retrata as contradições e as distâncias existentes em um Brasil dito "cordial"...

A UFBA receberá a maioria dos eventos programados no FSM

Com programação vasta e diversificada, o encontro terá como território principal o Campus de Ondina, da Universidade Federal da Bahia (UFBA); além de outros locais da capital baiana. Entre eles, o Parque do Abaeté, em Itapuã, e o Parque São Bartolomeu; no Subúrbio Ferroviário da cidade. Segundo os organizadores, são esperadas cerca de 60 mil pessoas, de 120 países. Estarão reunidas para debater e definir novas alternativas e estratégias de enfrentamento ao neoliberalismo; aos golpes e genocídios que diversos países enfrentam na atualidade.

Ativistas

Com mais de 1,5 mil coletivos, organizações e entidades cadastradas; e em torno de 1.300 atividades autogestionadas inscritas, o Fórum Social Mundial reunirá representantes de entidades de países como Canadá; Marrocos, Finlândia, França; Alemanha, Tunísia, Guiné, Senegal; além de países sul-americanos e representações nacionais.

Entre as presenças confirmadas estão a dos ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff; Fernando Lugo, do Paraguai, e José Mujica, do Uruguai. Também participarão o sociólogo português  Boaventura de Sousa Santos; a militante indígena e pré-candidata à vice-presidência pelo PSOL, Sônia Guajajara; a presidente da Federação Democrática Internacional de Mulheres (FDIM), Lorena Peña; e o filósofo do Congo Godefroid Ka Mana Kangudie.

Participarão, ainda, das atividades do FSM Abdellah Saaf, ex-ministro da Educação de Marrocos; Eda Duzgun, liderança das mulheres curdas; Sara Soujar, do Movimento de Combate ao Racismo e Xenofobia do Norte de Marrocos; Mamadou Sarr, militante da Mauritânia para defesa dos negros; e Gustave Massaih, membro fundador do movimento de Maio 68, na França; entre dezenas de outras lideranças e ativistas internacionais.

O post FSM debate a resistência dos povos aos ataques à democracia apareceu primeiro em Jornal Correio do Brasil.



parabéns

8 de Março de 2018, 12:34, por Feed RSS do(a) News

Parabéns!



Trabalho, um tantão assim; dinheiro, um tiquinho assim

7 de Março de 2018, 23:29, por Feed RSS do(a) News

Carlos Motta


Em 1956, Marlene lançava a música "O Lamento da Lavadeira", de Monsueto Menezes, João Violão e Nilo Chagas, que foi posteriormente gravada por vários intérpretes, entre eles Pery Ribeiro, Elza Soares, Martinho da Vila, Dudu Nobre e Marisa Monte.

Os versos da composição falam do trabalho cotidiano extenuante das lavadeiras que eram empregadas das mulheres da "alta sociedade" - outra leitura é que a música aborda as condições em que determinadas escravas eram obrigadas a trabalhar.

Seja como for, a degradante realidade exposta em "O Lamento da Lavadeira", por incrível que pareça, permanece atual no Brasil, seis décadas depois de a obra se tornar pública.

O mais conhecido de seus autores, Monsueto, falecido em 1973, deixou várias composições que são ainda cantadas pelos mais importantes artistas da música popular brasileira, como “Eu Quero Essa Mulher Assim Mesmo”, “Me Deixa em Paz”, “Mora na Filosofia” e a “A Fonte Secou”. 

Monsueto também trabalhou em cinema, tendo participado de dez filmes brasileiros, três argentinos e um italiano, e na televisão, em quadros de programas humorísticos. Fora isso, ainda se virava pintando quadros na linha dos artistas "primitivos", mesmo estilo que consagrou Heitor dos Prazeres, um dos pioneiros do samba.

Outro dos autores desse clássico da MPB, Nilo Chagas, foi parceiro de Herivelto Martins na dupla Preto e Branco, que se tornou posteriormente o Trio de Ouro, com o ingresso de Dalva de Oliveira.


"Trabalho, um tantão assim/Cansaço, é bastante, sim/A roupa, um montão assim/Dinheiro, um tiquinho assim": impressionante, nada muda neste país! 
 


https://www.youtube.com/watch?v=MakChh80hX0

Sabão, um pedacinho assim
A água, um pinguinho assim
O tanque, um tanquinho assim
A roupa, um montão assim


Para lavar a roupa da minha sinhá
Para lavar a roupa da minha sinhá


Quintal, um quintalzinho assim
A corda, uma cordinha assim
O sol, um solzinho assim
A roupa, um montão assim


Para secar a roupa da minha sinhá
Para secar a roupa da minha sinhá


A sala, uma salinha assim
A mesa, uma mesinha assim
O ferro, um ferrinho assim
A roupa, um montão assim


Para passar a roupa da minha sinhá
Para passar a roupa da minha sinhá


Trabalho, um tantão assim
Cansaço, é bastante, sim
A roupa, um montão assim
Dinheiro, um tiquinho assim


Para lavar a roupa da minha sinhá
Para lavar a roupa da minha sinhá



Uber: Motoristas escravos ou felizes e cegos demais para a realidade de prejuízos certeiros

4 de Março de 2018, 20:21, por Feed RSS do(a) News

Argumentos diversos não faltariam para descrever os problemas que os motoristas estão enfrentando após ingressarem na UBER.

Uber no dos outros é refresco

Por Flávio Sodré

Como já foram escritos artigos sobre o tema, com base de cálculos quanto aos custos fixos e variáveis, de forma direta seguem as respostas:

Há vantagens em dirigir para a UBER? Não.

Há lucro líquido justo? Não, apenas prejuízo. Duvidosas as bases de cálculos dos que afirmam que há lucros, mesmo com veículo quitado.

Há vantagens em financiar para entrar na UBER? Não.

Há vantagens em alugar um veículo para dirigir para a UBER? Não.

Precisamos da UBER para transportes de passageiros? Não.

 Custos fixos – 14 horas (caso não haja muito tempo de espera por passageiros), e 26 dias de trabalho, com corte de alguns itens publicados no primeiro artigo UBER – compensa ser motorista?.

Propostas realistas atualizadas de quem dirige na Uber[1]

Ganhos semanais do motorista Uber X e Black: variação média R$ 1.112,00. Em alguns casos, e de forma esporádica, pode-se chegar a R$ 1.400,00. Com excesso de motoristas, ocorrem muitos minutos ou horas de espera por passageiros.

CUSTOS

DIA

MENSAL

ANUAL

Seguro APP (Passageiros)

 

 

R$ 84,50

Seguro anual do veículo; categoria “Táxi” / Transporte de passageiros por aplicativo

 

 

R$ 2.900,00 a R$ 3.700,00, dependendo da seguradora.

Alimentação

R$ 16,00

R$ 416,00

R$ 4.992,00

Água para passageiros (copo, 48 unidades)

 

R$ 19,50 (x2) = R$ 39,00

R$ 468,00 

Balas

 

R$ 12,00

R$ 144,00

Pacote de dados 3G/4G

 

140,00

R$ 1.680,00

Óleo e filtros

 

R$ 320,00, a cada 45 dias

R$ 2.560,00 – 8 trocas de óleo para 10.000 quilômetros

Lavagem completa e outra, simples

R$ 35,00 (por semana)

R$ 140,00

R$ 1.680,00

Combustível

R$ 85,00

R$ 2.210,00

R$ 26.520,00

IPVA

 

 

 

DPVAT

 

 

 

Mecânico

 

 

 

Futuras batidas

 

 

 

Futuras multas

 

 

 

Saúde do motorista

 

 

 

OBSERVAÇÃO: 

O seguro contra roubo, incêndio, colisão e enchente deve ser semelhante ou categorizado igual à categoria de “Táxi”; do contrário, em caso de acionamento do seguro, não haverá cobertura por parte da seguradora. Então, cuidado ao dirigir o veículo categorizado como “Passeio”.

Partindo-se da tabela anterior, foram divididos todos os custos em 12 vezes. Assim:

CUSTOS

MENSAL

Seguro APP e seguro do veículo

R$ 315,375

Alimentação

R$ 416,00

Água para os passageiros (copo, 48 unidades)

R$ 39,00

Balas

R$ 12,00

Pacote de dados 3G/4G

R$ 140,00

Óleo e filtros

R$ 213,33

Lavagem completa e outra, simples

R$ 140,00

Combustível

R$ 2.210,00

IPVA

 

DPVAT

 

Mecânico

 

Futuras batidas

 

Futuras multas

 

Saúde do motorista

 

TOTAL

R$ 3.485,71

Cabe ressaltar que não constam nesse cálculo IPVA (Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores), DPVAT (Seguro de Danos Pessoais Causados por Veículos Automotores de Vias Terrestres), futuras batidas ou multas, custo com a saúde do motorista e a manutenção básica do veículo – a saber, pastilhas ou discos de freios, coxins, pivô suspensão, amortecedores, limpeza de radiador, carga de gás do ar-condicionado, higienização, pneus, velas, alinhamento, balanceamento, cambagem, bateria, sistema de partida eletrônica.

Muitos itens são trocados duas vezes ao ano (considerando 100.000 quilômetros), ou quatro (para os veículos compartilhados), tais como pneus, amortecedores, velas, pastilhas de freio, alinhamento, balanceamento, cambagem. Teremos, assim, um valor superior a R$ 5.000,00, ao incluirmos os gastos não calculados.

A UBER Black tem custos fixos elevados, considerando os veículos de luxo. Apesar de o rendimento ser maior que a categoria UBER X, o lucro líquido assemelha-se aos dados propostos.

Muitos motoristas que ingressam na UBER não percebem que seus veículos, em até um ano, desvalorizam drasticamente pela quilometragem rodada. Por dia, em média, são rodados 250 quilômetros, em jornada de 14 horas. Caso o automóvel seja compartilhado, em 24 horas, terá rodado pelo menos 500 quilômetros. Assim, em um ano, teremos um carro com média de 70.000 quilômetros para um único motorista, e até 160.000 com o compartilhamento, circulando com ou sem passageiros.

 O programa MOMENTUM PARTNERS AWARDS foi criado para que haja um vínculo maior ou duradouro com o motorista, permitindo descontos em redes credenciadas para manutenção do veículo no geral, troca de pneus, lavagem e higienização, troca do aparelho celular, descontos em pacotes de dados com operadora de telefonia, dentre outros, porém não tem surtido efeito para equilibrar os gastos fixos e variáveis do  veículo, o que leva muitos motoristas a desistirem de circular pela cidade.

Quando as manutenções tornarem-se frequentes, o valor líquido médio de uma semana de trabalho irá se tornar insuficiente. Vejamos: R$ 1.112,00 x 4 - 3.485,71 =  R$ 962,29 (média bruta recebida, multiplicada por quatro semanas, menos os gastos fixos). Esses valores levam em consideração um veículo totalmente sem dívida; porém, muitos motoristas tiveram de trocar seus carros quando havia regras e modelos específicos para ingressar na UBER, 01 de fevereiro de 2016. (atualmente, não mais). Outros financiaram os veículos 100%, encurralados pela crise e pela oportunidade de trabalho escassa. Assim sendo, temos financiamentos médio de R$ 30.000,00, com juros de 1,90%, mais prestações, para esse exemplo, de R$ 842,27, em 60 meses. Portanto, atinge-se o valor de R$ 962,29 - R$ 842,27 = R$ 120,02 (lucro líquido menos a prestação do veículo financiado). Lembramos ainda que não foi considerado, nesses cálculos, o valor de manutenção de itens básicos, já mencionados.

Portanto, os valores praticados pela UBER são insuficientes para manter a boa qualidade de serviço.

[1] Fonte – Administradores.com.br, Uber – compensa ser motorista?, disponível em: <http://www.administradores.com.br/artigos/negocios/uber-compensa-ser-motorista/94227/>, acesso em: 01 de ago 2016. Texto adaptado e atualizado com os novos valores de rendimentos dos motoristas/parceiros.

Com esses dados atualizados, comparados à primeira publicação do artigo, em março de 2016, percebe-se que os motoristas não são mentirosos quando afirmam que não há lucros e que é IMPOSSÍVEL ganhar algum valor como RENDA EXTRA. Quem GANHA é a UBER. Aparentemente, no país, autoridades não querem ENXERGAR a verdade para punir tal atitude da empresa, desleal e mentirosa.

Considerando as verdades expostas, a UBER age como se todos fossem mentirosos, exceto ela mesma.

Matéria da “Folha de São Paulo”, dia 24 de julho de 2016, acessada em 27 de julho de 2016, Efeito Uber reduz preços, mas leva motorista a trabalhar por quase 24h, disponível em: <http://www1.folha.uol.com.br/saopaulo/2016/07/1794373-efeito-uber-reduz-precos-mas-leva-motorista-a-jornada-de-quase-24h.shtml>.

 “O Uber não é um aplicativo, mas uma empresa de transporte de passageiros, que oferece serviços a clientes, por intermédio de motoristas cadastrados. Os clientes, no caso, são do Uber. A exploração do trabalho no Uber é ainda pior, pois o controle se dá por programação. A empresa controla o tipo de carro, a forma de conduzir, o modo de se portar, o uniforme e a tarifa a ser cobrada. Tem total controle dos trabalhadores por meio do sistema de “cenouras e porrete”. Ou seja, de prêmios e castigos.” Fonte: O Dia – Opinião, dia 24 de maio de 2016, acessada em 27 de julho de 2016,  Rodrigo Carelli: O Uber, os táxis e a exploração dos motoristas, disponível em: <http://odia.ig.com.br/opiniao/2016-05-24/rodrigo-carelli-o-uber-os-taxis-e-a-exploracao-dos-motoristas.html>.

"Mais uma vez, a forças e os interesses contra o povo coordenaram-se e novamente se desencadeiam sobre mim. Não me acusam, insultam; não me combatem, caluniam, e não me dão o direito de defesa. Precisam sufocar a minha voz e impedir a minha ação, para que eu não continue a defender, como sempre defendi, o povo e principalmente os humildes.

Sigo o destino que me é imposto. Depois de decênios de domínio e espoliação dos grupos econômicos e financeiros internacionais, fiz-me chefe de uma revolução e venci. Iniciei o trabalho de libertação e instaurei o regime de liberdade social. Tive de renunciar.”

“Não querem que o povo seja independente. Assumi o Governo dentro da espiral inflacionária que destruía os valores do trabalho. Os lucros das empresas estrangeiras alcançavam até 500% ao ano. Nas declarações de valores do que importávamos existiam fraudes constatadas de mais de 100 milhões de dólares por ano. Veio a crise do café, valorizou-se o nosso principal produto. Tentamos defender seu preço e a resposta foi uma violenta pressão sobre a nossa economia, a ponto de sermos obrigados a ceder.”

 (Rio de Janeiro,  23/08/54 - Getúlio Vargas) - Fonte: http://www.culturabrasil.pro.br/vargas.htm (Trechos da segunda carta de Getúlio Vargas)

Getúlio Vargas já lutava contra os interesses internacionais em sua época, que jamais visavam ao interesse e à liberdade da sociedade. E a sociedade era enganada com manipulação das informações ou com a opinião pública, além dos meios de comunicação que, com grande probabilidade de acerto, recebiam propinas para não publicarem a verdade, coagidos com a cassação de licença e direito de exercer as atividades.

Seremos estrangulados sempre que houver inovações e empresas estrangeiras envolvidas em qualquer segmento em nosso país. Eis a UBER com um aplicativo de transporte, que não se denomina empresa de transporte, nem vende a licença de seu aplicativo exclusivamente para empresas de transporte de passageiros, quer sejam públicas, quer privadas. Dominou o mercado, manipula os governos com mentiras, escondendo dados sobre suas atividades visto que tudo o que gerencia não está em poder dos órgãos públicos, e não há qualquer motivação das autoridades de fazê-lo. A empresa ainda reivindica direitos sobre suas atividades que não podem ser taxadas de desleal e predatórias; pratica a queda de preços, dumping, para exterminar os concorrentes – táxis e empresas de transportes executivos. Para ter privilégios e autonomia de atuação em São Paulo, maior cidade da América Latina, “convidou” ou “contratou” o sobrinho do Prefeito Fernando Haddad para a Gerência Operacional. Coincidência ou não, a imposição por decreto de aprovação na cidade comprova que há muito mais do que apenas inovação ou meio de descongestioná-la. Não se importar com os taxistas e demais setores existentes (empregos) para defender uma empresa multinacional não difere do que Getúlio Vargas referenciou em sua carta. Já existem empresas nacionais que possuem aplicativo com as mesmas funcionalidades da UBER; portanto, não precisamos mais dela operando no país.

Mesmo com esses dados, infelizmente há muitos motoristas contaminados com a proposta da UBER. Assim, não percebem, até caírem no precipício, que é enganosa e continuam a difundir, nas redes sociais, convites para o ingresso de novos parceiros à empresa, como motoristas ou passageiros, “GANHANDO” dinheiro apenas com as indicações, de preferência de motoristas cegos à roda da precipitação de uma proposta que deveria ser de emprego e, não, de escravidão e de autodestruição de si mesmos e de seu bem material, o veículo.

Como últimas palavras... Foram enviados alguns e-mails com questionamentos à UBER, devido à parceria estar causando prejuízos, mesmo com o programa de fidelidade, o MOMENTUM PARTNERS. As respostas permitem a compreensão dos objetivos da empresa no país. Mesmo afirmando que teve prejuízo e que queria “ganhar” dinheiro dirigindo, e não indicando amigos para dirigir ou andar de UBER, a sugestão foi “continue dirigindo”.

Email 1 (com imagens das publicidades da empresa)

Email 2 - completo

Veja também:

Uber – compensa ser motorista? - 16 de março 2016

Uber e a ilusão dos lucros de até 7 mil - 28 de março de 2016

Uber e a prática de dumping – Projeto de Lei 01-00421/2015 - 05 de maio de 2016

NOTA: Este artigo foi elaborado em conjunto a motoristas UBER ativos, com seus veículos na rua, circulando por muitas horas - UBER MOTORISTAS FACEBOOK BRASIL, concluído em 01 de agosto de 2016.

Fonte: administradores.com.br



Angola Janga: como os quilombolas de Palmares se referiam ao seu território

3 de Março de 2018, 20:59, por Feed RSS do(a) News

Angola janga capa

O Quilombo dos Palmares, um dos principais do período colonial brasileiro, é descortinado poeticamente no livro Angola Janga, lançado em 6 de novembro. Por meio dos quadrinhos, o ilustrador Marcelo D'Salete desenha e narra a história de personagens negros como Zumbi, Antônio Soares, Ganga Zumba e Ganga Zona. Principal liderança do quilombo, Zumbi morreu em 20 de novembro de 1695. A data é comemorada anualmente como o Dia da Consciência Negra.

Após se dedicar à temática racial em Encruzilhada (2016) e Cumbe (2014), D'Salete revela em sua nova obra como os quilombolas de Palmares resistiram ao sistema da casa-grande. Um tema importante para a afirmação da população negra, pobre e quilombola no atual cenário de ataques às minorias. “Essa não garantia de direitos, ainda mais hoje sob o golpe, mostra mais uma faceta de como a nossa história é violenta. E continua sendo. A gente precisa conhecer, aprender e se organizar contra isso.” Confira a seguir a entrevista com o autor:

CartaCapital: Por que o senhor escolheu o título Angola Janga?
Marcelo D´Salete: O livro é sobre o antigo Quilombo dos Palmares, antes conhecido como Mocambo de Palmares. Eram mais de dez mocambos espalhados na Serra da Barriga. Um dos nomes que eles, os palmaristas, utilizavam para falar de Palmares era Angola Janga, que significa "pequena Angola". Vem de uma língua do tronco banto chamada quimbundo. Este é um livro que fala sobre esses grandes mocambos do Brasil do século XVII e conta um pouco o que aconteceu por lá nas últimas décadas do conflito.

CC: Foram 11 anos de pesquisa. Quais foram os desafios de investigação de imagem e de registro histórico para tratar de uma parte da história repleta de incertezas, e até vítima de certo esquecimento?
MS: Foi importante pesquisar historicamente o período para falar de Palmares em Angola Janga, para recuperar essas histórias. Há algumas descrições interessantes em texto e, quanto à imagem, existem alguns artistas, tais como Frans Post e Albert Eckhout, que estiveram na região de Pernambuco no século XVII e fizeram retratos de pessoas e das paisagens.

Foi muito importante também ter pesquisado no Museu Afro Brasil. Eu trabalhei lá durante um tempo. Conhecer um pouco da história desses povos a partir da fotografia ou de obras de arte ajudou muito a pensar em como criar essa história a partir de imagens. No meio dessa pesquisa, iniciada em 2006, acabaram surgindo outros livros, como Noite e Luz e Encruzilhada, e só comecei a me sentir à vontade para começar a fazer os esboços de Angola Janga por volta de 2010, tudo isso para conseguir ter todo esse apanhado de imagens, de referências, para tornar isso interessante na forma de histórias em quadrinhos.

CC: Estima-se que o Quilombo dos Palmares reuniu mais de 20 mil quilombolas na segunda metade do século XVII. Quais foram os fatores desse crescimento?
MS: Por volta do ano 1600, Palmares cresceu muito. Algumas pequenas expedições que foram até lá lutar contra os palmaristas não conseguiram destruir os mocambos, porque eram vários e estavam espalhados em muitas regiões. A distância era de mais de 30 quilômetros separando um mocambo do outro. Era muito difícil atingir todos. Quando ocorreu a ocupação do Recife e de Olinda pelos holandeses em 1630, muitos desses africanos escravizados aproveitaram o conflito entre portugueses e holandeses para fugir para Palmares.

Entre 1630 e 1654, Palmares cresceu ainda mais, chegando a ter mais de 20 mil habitantes. Macaco, que era o principal Mocambo, a capital de Palmares, tinha cerca de 6 mil pessoas. Incrível se compararmos com o Recife, que, por volta de 1650, tinha algo em torno de de 8 mil pessoas. Era realmente outro Estado quase independente na Serra da Barriga. Milhares de negros escravizados fugiam para conseguir ser livres e ter uma autonomia muito maior para decidir sobre suas próprias vidas. Eram pessoas que estavam procurando outra forma de se relacionar com aquele espaço, muito longe do que seria a lógica colonial da escravidão.

CC: Partindo dessa ideia de nação, quantas Áfricas havia dentro de Palmares?
MS: Eram povos que falavam quimbundo, ovimbundo, umbundo, várias outras línguas que influenciam muito o nosso português. Nossa língua tem uma presença muito forte de palavras de origem do quimbundo e do banto, que muitas vezes a gente não tem consciência, tais como marimbondo, quindim, moleque etc. São palavras que vêm dessas origens, dessa história. Tentei trazer isso um pouco para o livro a partir desses termos de origem banto, tentando relacionar também com algumas coisas que aconteciam na região de Angola naquela época.

CC: Poderia dar um exemplo?
MS: No Reino de Matamba, por exemplo, no século XVII, lá em Angola, havia conflitos entre portugueses e a rainha Nzinga. Ela enfrentou os portugueses em várias batalhas. Em algumas ela ganhou, em outras perdeu. Temos notícias de que muitos dos guerreiros dessa rainha vieram para o Brasil e podem ter chegado, inclusive, à região de Palmares. Relacionar um pouco essas histórias dos dois lados do Atlântico foi a intenção do livro. E também trazer elementos dessas culturas, principalmente do Congo e de Angola, como os símbolos sona, que são dos tchokwe. Esses são desenhos feitos na areia acompanhados por histórias e provérbios.

CC: Por que contar a história do Quilombo dos Palmares?
MS: Palmares é uma história em que os protagonistas são protagonistas negros. Homens e mulheres procurando ali mais autonomia sobre suas vidas. Isso é muito importante. Essas histórias, essas narrativas com personagens negros em primeiro plano, falando sobre suas angústias, suas procuras, suas dúvidas, ainda é algo não muito visível para grande parte do público brasileiro.

Penso que isso é uma estratégia de discriminação muito forte – não dar identidade para aquelas pessoas. Mesmo no pós-Abolição, a gente viveu um momento de verdadeira subcidadania para grande parte da população negra e pobre do País. E essa subcidadania ocorre muito a partir dessa ideia de não dar, de fato, humanidade para essas pessoas, não compreendê-las como indivíduos. Não entender essas pessoas, de fato, como seres humanos, com suas vontades, com seus medos e seus problemas. Penso que o livro pode fomentar uma discussão sobre o nosso passado, e sobre a história do negro no Brasil.

CC: Além de Zumbi, que outro personagem de Palmares você destacaria?
MS: Um personagem importante em Angola Janga é Antônio Soares, um dos homens de Zumbi. A história é muito contada a partir da perspectiva dele. Existe apenas um documento da época que fala sobre Soares, no fim da saga de Palmares. Ele foi um dos últimos homens próximos de Zumbi. Essa foi uma história interessante de se imaginar.

CC: Como você aborda os conflitos entre o poder colonial e os palmaristas?
MS: Havia tentativas de negociação entre os quilombolas e o poder colonial. Isso aconteceu com Ganga Zumba, antigo líder de Palmares. Em 1678, ele fez um acordo com o poder colonial, com a Coroa. Ganga Zona, que era irmão de Ganga Zumba, foi um grande negociador naquele momento. Houve, então, uma grande cisão entre quem queria ir para Cucaú, os partidários de Ganga Zumba e Zona, e quem permaneceria em Angola Janga, em Palmares. Tentei mostrar um pouco desse conflito no livro, acho que é um elemento interessante para tratar do conflito.

Tentei trazer ali um pouco do objetivo de cada um desses personagens para agirem daquele modo. Palmares também era um espaço extremamente bélico, militarizado. Até porque, anualmente, havia expedições luso-brasileiras tentando destruir aqueles mocambos. Então eles precisavam ser muito articulados e precisavam ser muito aguerridos para lutar contra essas investidas. Trabalhar com esses elementos e tentar construir esses personagens a partir disso foi algo bem interessante e é um pouco do que o livro traz.

CC: Existe alguma relação entre os quilombos de antigamente e os que resistem até hoje?
MS: Penso que sim. Palmares não foi o único quilombo, o único grande mocambo aqui no Brasil. Na verdade, existiram muitos outros, tanto naquele período quanto nos séculos seguintes também. São quilombos com histórias bem diferentes. Mas tem ali um elemento em comum: essas pessoas procuraram se articular em grupo e constituir um espaço onde eles decidem como será o trabalho e como será a divisão desse trabalho. Isso sem esse modo tão hierárquico, e totalmente baseado na violência, que foi a escravidão.

CC: Como o senhor analisa as atuais decisões dos governantes em relação aos quilombos?
MS: Os quilombos contemporâneos estão ameaçados por grandes fazendeiros e empresas. Não à toa, eles tocam em algo que no Brasil é nevrálgico, a divisão da terra. O pós-Abolição não trouxe garantia de que esse libertos teriam terra e trabalho.  Neste ano houve um aumento grande dos conflitos em quilombos e também em aldeias indígenas. E isso acontece por quê? Por causa de um governo ilegítimo e também devido às investidas desses grandes empresários contra essas populações que estão em uma situação mais frágil. Mas, logicamente, enquanto grupo, a gente pode lutar contra isso.

Essa não garantia de direitos, ainda mais hoje, sob o golpe, mostra mais uma faceta de como a nossa história é violenta. E continua sendo violenta. A gente precisa conhecer, aprender e se organizar contra isso.

Leia também:
Mulheres quilombolas e o direito à terra
Quando Zumbi chega

Fonte: CartaCapital