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3 de Abril de 2011, 21:00 , por Desconhecido - | 2 people following this article.
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Os privilegiados

8 de Fevereiro de 2018, 13:25, por Feed RSS do(a) News

Bradesco



Desemprego no Brasil é maior da América Latina e Caribe, diz CEPAL

7 de Fevereiro de 2018, 14:28, por Feed RSS do(a) News
Desemprego no Brasil chegou a 13% em 2016, maior índice registrado em países da América Latina e Caribe. Foto: Agência Brasil

Desemprego no Brasil chegou a 13% em 2016, maior índice registrado em países da América Latina e Caribe. Foto: Agência Brasil

De 2015 para 2016, o desemprego no Brasil passou de 9,3% para 13%, segundo dados coletados em 20 regiões metropolitanas do país. O índice de desocupação é o maior da América Latina e do Caribe, revela a nova edição do Anuário Estatístico da Comissão Econômica da ONU para a região, a CEPAL.

Em 2016, ano em que foram obtidos dados desagregados por gênero sobre desemprego, as mulheres eram as mais afetadas pela falta de postos de trabalho — a desocupação entre elas chegou a 14,7%, ao passo que, entre os homens, o índice era de 11,6%.

Tanto em 2015 quanto em 2016, o Brasil teve taxas de desemprego acima das médias da América Latina e Caribe, apesar da tendência crescente identificada na região. Em 2015, a desocupação afetava 7,4% da população latino-americana e caribenha. Em 2016, o índice subiu para 8,9%. As desigualdades de gênero também foram observadas a nível regional. Quase 11% das mulheres não tinham trabalho em 2016. Entre os homens, a proporção era de 7,9%.

Em 2015, apesar de o desemprego ultrapassar 9%, o Brasil estava melhor que países como Bahamas, Barbados, Belize, Jamaica e Costa Rica. No ano seguinte, o país chegou à pior posição da lista organizada pela CEPAL, com o mais alto índice de desocupação.

Faixa etária e qualificação

Em 2016, a taxa média de desemprego nas cidades latino-americanas e caribenhas chegou a 6,7%, valor que representa um aumento de 0,3 ponto percentual na comparação com 2014. Mas o índice mascara variações consideráveis quando considerada a faixa etária da mão de obra. Entre os jovens de 15 a 24 anos, o desemprego chegou a 15,9% em 2016. Em 2014, o índice entre esse segmento populacional era de 15,1%.

O levantamento da CEPAL também mostra que 44% dos homens e 51% das mulheres atualmente empregados nas cidades latino-americanas e caribenhas trabalham em setores de baixa produtividade (setor informal). O organismo da ONU avaliou a qualificação dos trabalhadores da região. Segundo a comissão, metade das pessoas em idade produtiva — dos 25 aos 59 anos — estudou menos de dez anos e apenas 22% continuaram seus estudos após terminar o ensino médio.

Clique aqui para acessar o relatório completo (em espanhol).



O artista, o golpe e a esperança

7 de Fevereiro de 2018, 14:28, por Feed RSS do(a) News

 

 

 
Carlos Motta
 
O violonista, compositor, arranjador e cantor Cláudio Jorge está na estrada há bastante tempo. No início de sua carreira acompanhou bambas como Ismael Silva e Cartola, e de lá para cá não parou: instrumentista muito requisitado, participou de vários shows no Brasil e exterior, além de atuar em inúmeras sessões de gravações nos discos de artistas como Sivuca, Martinho da Vila, Ney Matogrosso, Leny Andrade, Roberto Ribeiro, Clementina de Jesus, Alcione, Leila Pinheiro, Fátima Guedes, João Donato, Lecy Brandão, Carlos Lyra, Beth Carvalho, Ivan Lins, grupo Fundo de Quintal e João Nogueira - entre outros do mesmo quilate. 
 
Compositor afiado e inspirado, suas músicas foram gravadas por intérpretes do primeiro time. Emílio Santiago, Ângela Maria, Joana, Alaíde Costa, Zeca Pagodinho, Elza Soares, Roberto Ribeiro, Zezé Mota, Jorge Aragão, Martinho da Vila, Joel Nascimento, Sivuca e Luiz Carlos da Vila são alguns deles.
 
Entre seus parceiros estão, nada mais, nada menos, que Cartola, João Nogueira, Aldir Blanc, Nei Lopes, Hermínio Bello de Carvalho, Ivor Lancellotti, Délcio Carvalho, Luiz Carlos da Vila, Mauro Diniz, Wilson das Neves, Arlindo Cruz e Martinho da Vila. 
 
É um currículo e tanto, ao qual se somam quatro discos autorais da pesada, como se dizia antigamente - o quinto deve sair este ano. 
 

 

Toda essa experiência faz de Cláudio Jorge um dos nomes mais respeitados da MPB - e do samba, principalmente.
 
Esse respeito vai além da sua qualidade como artista. Estende-se ao Cláudio Jorge cidadão - um cidadão de opiniões políticas fortes, em defesa da democracia, da cultura popular, das tradições de sua cidade, o Rio de Janeiro, e de um Brasil melhor para todos.
 
"O golpe [que destituiu a presidenta Dilma Rousseff] dividiu de vez o Brasil e com a classe artística nāo poderia ser diferente", diz na entrevista que deu ao blog.
 
"Minha geração aprendeu como se constrói um golpe e a constatação de como nossa democracia é frágil. Entāo, por conta do que eu já assisti nestes 68 anos, eu digo que há saídas para o Brasil, sim, mas a longo prazo. O buraco é muito embaixo. O nível de destruição deste golpe de 2016, por exemplo, é muito alto", afirma em outro momento da entrevista, cuja íntegra vai na sequência:


O golpe que afastou a presidenta Dilma Rousseff teve consequências para a criação artística, principalmente para os músicos?
Cláudio Jorge - Na criação só posso falar por mim e no meu caso perturbou, sim, na medida em que o golpe não foi só na Dilma, foi em seus eleitores, uns mais, outros menos apaixonados. Eu tenho uma apaixonada por Dilma em casa, minha esposa. Todo o processo do impeachment colaborou muito para o infarto que ela teve, e consequentemente tivemos que lidar com tudo isso. Minha inspiração para criar canções ficou ocupadíssima em produzir crônicas e posts para o Face em defesa da presidenta, de Lula e etc. Então no meu caso a consequência principal foi deslocar a minha inspiração para outros meios, mas deixar de criar, jamais.

Os artistas, pelo menos aqueles com quem você mantém contato, estão preocupados com o que está ocorrendo no Brasil - essa instabilidade política, a crescente escalada de retirada de direitos sociais, a insistente crise econômica...?
Cláudio Jorge - Acho a classe artística politizada, de um modo geral. Estāo nāo só preocupados com o que está acontecendo no Brasil como muitos até participam ativamente nas redes sociais. Uns à esquerda, outros à direita e outros ao centro. A partir de uma questão sobre direito autoral, interferência no Ecad e tudo mais, a classe já vinha há algum tempo apresentando fragmentação. O golpe dividiu de vez o Brasil e com a classe artística nāo poderia ser diferente.

No seu caso específico, como você vê essa situação? Há alguma saída a curto ou médio prazos?
Cláudio Jorge - Quando eu tinha meus 30 anos de idade fiz um visita ao meu pai, o jornalista Everaldo de Barros, de esquerda. Ele foi um dos jornalistas que trabalharam na extinta Rádio Mayrink Veiga na época do golpe de 64, e sofreu as consequências disso. Ele já nāo estava bem de saúde e batendo um papo fiz para ele naquela época exatamente a pergunta que você me faz. Resposta: "Meu filho, o Brasil nunca vai ter jeito." Na época, atribui a desilusão do meu pai à idade, à doença, ao cansaço da velhice de quem lutou, lutou e não viu seus sonhos para o país realizados. Hoje te respondo que há saídas para o Brasil, porque minha geração viveu os governos da ditadura e os governos progressistas de Lula e Dilma. Minha geração aprendeu como se constrói um golpe e a constatação de como nossa democracia é frágil. Entāo, por conta do que eu já assisti nestes 68 anos, eu te respondo que há saídas, sim, mas a longo prazo. O buraco é muito embaixo. O nível de destruição deste golpe de 2016, por exemplo, é muito alto.

Como está o Rio de Janeiro sob o "comando" do evangélico Crivella? Há algum vislumbre de luz no fim do túnel?
Cláudio Jorge -
Sou otimista em relação à prefeitura do Crivella porque ela vai passar... rsrs. Os danos estão acontecendo, mas nāo têm o poder de destruição do governo federal. Ele está fazendo um governo contra a história e a vocação da cidade do Rio de Janeiro, está mexendo com coisas sérias ligadas à ancestralidade da cidade, ligadas a um modo de ver e viver a vida que nunca foi criado por decretos. O carnaval, que é a nossa maior expressão cultural, vai na contramão dos ideais evangélicos do prefeito, mas vai ser exatamente pelo carnaval que ele vai receber as maiores críticas à sua falta de respeito para com as nossas tradições.

Quais os artistas mais "politizados" que você conhece, ou conheceu?

Cláudio Jorge - Foram e sāo muitos. Chico Buarque, Gonzaguinha, Sérgio Ricardo, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Taiguara, Aldir Blanc, os politizados da minha banda de esquerda... rsrs. No meu meio dos instrumentistas destaco o arranjador e pianista Leandro Braga, o pianista e arranjador Itamar Assiére, o violonista Zé Paulo Becker, o baixista Ivan Machado... sāo muitos. Mas temos outros artistas de outras correntes políticas que sāo politizados também. Nos tempos modernos o pessoal do hip hop tá mandando muito bem, têm sido os porta vozes da nossa juventude, principalmente a da periferia, comunidades e favelas.

Como está o mercado para o samba - em baixa, estacionado, em alta? O que tem surgido de novo?
Cláudio Jorge - O mercado de música para o samba no momento está em baixa. O mercado está em alta para a música do “agronegócio”. Agora, o movimento de música, fora do mercado, continua em grande ebulição, em todos os estilos. Novos artistas surgem a cada momento arrumando um jeito de produzirem seus discos, shows e etc. As rodas de samba  se espalham pelo Brasil de norte a sul. O problema é que, estando fora do “mercado”, a remuneração profissional dos que trabalham com o samba está em crise. Com a “crise” toda a cultura de um modo geral está enfrentando problemas.

A internet veio para ajudar ou prejudicar os artistas?
Cláudio Jorge - Acho que veio para ajudar. Quando eu comecei minha carreira de cantor me lembro da dificuldade que era você conseguir um “tijolinho” para divulgar um show teu num jornal de grande circulação. Matéria sobre disco, show, então, era para poucos. Hoje você consegue alcançar muito gente nas redes sociais, aqui e fora do país. Agora, como sempre, a internet funciona melhor para quem tem mais recursos. É um processo difícil você colocar seu novo álbum em algum serviço de stream e você alcançar a mesma audiência da Anitta, por exemplo. Vender as faixas do teu disco ao ponto de dar lucro o suficiente para cobrir o que você investiu na produção, impossível.

A arte é revolucionária?
Cláudio Jorge -
Nem toda arte é revolucionária, levando-se em conta que revolucionária” esteja se referindo a transformação, progresso, evolução humana. Vivemos um tempo em que a nossa trilha sonora de massas nāo é nada revolucionária. Hoje vivemos o momento do quanto pior, melhor. Se isso acontecesse dentro de uma igualdade de opções para o ouvinte, tudo bem, nāo sofreríamos danos maiores por isso. A questão é a massificação de uma ou duas opções de consumo de música que valorizam os piores comportamentos. O efeito disso a longo prazo é uma loucura. A população brasileira dos últimos anos tem o seu gosto musical muito comprometido e isso vai de geração para geração. Se você for numa festa de criança de dois anos num desses salões de festa, tem uma hora que “Vai, Malandra" vai tocar e todo mundo vai cair dentro. Com certeza vai ter alguém pra dizer que esse meu pensamento é coisa de velho... rsrs.

O que você tem feito, quais os próximos projetos?
Cláudio Jorge - Ano passado produzi três discos muito legais. Um do meu filho, Gabriel Versiani, um disco autoral. Outro do meu parceiro Paulinho da Aba, que infelizmente faleceu recentemente, e um terceiro, em que dividi a produção e fiz os arranjos do disco, da cantora brasileira radicada em Paris, Ana Guanabara. Ainda estou surfando na onda do disco que lancei ano passado com meu amigo Augusto Martins, “Ismael Silva, uma Escola de Samba”. Fiz uma participação especial cantando no novo disco do Martinho da Vila, homenagem à Vila Isabel, além de alguns arranjos e tocar os violões, e continuo participando como violonista de seus shows. Este ano lanço mais um disco autoral “Samba Jazz, de Raiz”, no qual eu pude contar com as participações especiais de Mauro Diniz, Frejat, Fátima Guedes, Ivan Lins, Wilson das Neves e outros amigos.

Cite alguns de seus ídolos, musicais ou não, as suas maiores influências, as pessoas que ajudaram você a se tornar o que é hoje.
Cláudio Jorge - Isso é fácil... rsrs. Nas canções, meus principais ídolos sāo Ismael Silva, Chico Buarque e Gilberto Gil. No violão e guitarra, os principais sāo Jorge Santos (meu vizinho no Cachambi, violonista do regional do Waldir Azevedo), George Benson e Hélio Delmiro.



O retrato do velho, de novo no mesmo lugar

7 de Fevereiro de 2018, 14:28, por Feed RSS do(a) News



Carlos Motta



Sucesso no Carnaval de 1951, a marchinha "Retrato do Velho", de Haroldo Lobo e Marino Pinto, na voz de Francisco Alves, parece que foi feita para a folia deste ano.

Afinal, tem muita gente saudosa do tempo em que havia pleno emprego no país, o crediário era barato e farto, o preço da gasolina e do gás de cozinha estava praticamente congelado, a educação superior não era um sonho impossível, assim como a casa própria - o futuro parecia, enfim, ter chegado aos brasileiros, e ele era doce.

O velho de então era Getúlio Vargas, que iria voltar à presidência, já ocupada por ele de 1930 a 1945, depois de vencer a eleição de 1950.

O velho de agora é Luiz Inácio Lula da Silva, que aparece em primeiro lugar em todas as pesquisas de intenção de voto para a disputa presidencial deste ano - se houver -, mesmo sofrendo a mais impiedosa perseguição do aparato midiático-policial-judicial da história do Brasil.

 
Lula, como Getúlio, encarna as esperanças do povo mais pobre, desprotegido, espoliado e vítima de uma desigualdade que envergonha o país perante as outras nações do mundo.
 
Por isso, 67 anos depois, a esperança é que o seu retrato resgate a democracia, tão vilipendiada pela quadrilha que tomou de assalto o Brasil.
 


Bota o retrato do velho, outra vez,
Bota no mesmo lugar,
O sorriso do velhinho,
Faz a gente trabalhar ( oi )

(bis)
Eu já, botei o meu,
E tu, não vai botar ?
Já enfeitei o meu,
E tu vais enfeitar ?
O sorriso do velhinho,
Faz a gente trabalhar ( oi )



Casa própria, maloca, favela

7 de Fevereiro de 2018, 14:28, por Feed RSS do(a) News
 
Carlos Motta


O brasileiro somente agora está se informando sobre o indecente auxílio-moradia que os nossos juízes recebem - um dos vários penduricalhos que inventaram para furar o teto salarial da categoria. 

Por mais que tentem justificar essa aberração ética, o fato é que nenhum juiz não tem onde morar, ao contrário de milhões de concidadãos.

A falta de moradia é um tema constante na música brasileira, e já produziu algumas peças que se tornaram clássicas.

Adoniran Barbosa, por exemplo, aborda o problema em três músicas. A primeira delas, "Saudosa Maloca", de 1951, é uma das suas composições mais famosas e tocadas, seja por profissionais, seja por amadores, em todos os cantos do país. Mato Grosso e Joca, personagens do drama narrado por Adoniran, se tornaram figuras folclóricas.

"Abrigo de Vagabundos", de 1959, é a continuação de "Saudosa Maloca". Nela, o narrador conta que conseguiu, a muito custo, com ajuda de um fiscal da prefeitura, arranjar uma casinha na periferia. E lamenta não ter mais notícias dos amigos Joca e Mato Grosso, "aqueles dois amigos/que não quis me acompanhar/andarão jogados na avenida São João/ou vendo o sol quadrado na detenção.

Dez anos depois Adoniran lançou "Despejo na Favela", uma doída denúncia da violência que se comete contra os miseráveis que se amontoam em barracos, sub-habitações degradantes:

www.youtube.com/watch?v=4jAPmGJB5Qk

Quando o oficial de justiça chegou
Lá na favela
E, contra seu desejo
Entregou pra seu Narciso
Um aviso, uma ordem de despejo
Assinada, seu doutor
Assim dizia a 'pedição'
"Dentro de dez dias
Quero a favela vazia
E os barracos todos no chão"
— É uma ordem superior
Ô, ô, ô, ô, ô!, meu senhor!
É uma ordem superior
Ô, ô, ô, ô, ô!, meu senhor!
É uma ordem superior
Não tem nada não, seu doutor
Não tem nada não
Amanhã mesmo vou deixar meu barracão
Não tem nada não, seu doutor
Vou sair daqui
Pra não ouvir o ronco do trator
— Pra mim não tem 'probrema'
Em qualquer canto eu me arrumo
De qualquer jeito eu me ajeito
Depois, o que eu tenho é tão pouco
Minha mudança é tão pequena
Que cabe no bolso de trás
Mas essa gente aí, hein?
Como é que faz?
Mas essa gente aí, hein?
Com'é que faz?
Ô, ô, ô, ô, ô!, meu senhor!
Essa gente aí
Como é que faz?
Ô, ô, ô, ô, ô!, meu senhor!
Essa gente aí, hein?!
Como é que faz?


Outros dois compositores da linha de frente da música brasileira, Dorival Caymmi e Noel Rosa, também trataram do tema.

É de Caymmi a singela "Eu não tenho onde morar":

www.youtube.com/watch?v=4FQ_0JnL-DE

Eu não tenho onde morar
É por isso que eu moro na areia
Eu nasci pequenininho
Como todo mundo nasceu
Todo mundo mora direito
Quem mora torto sou eu
Eu não tenho onde morar
É por isso que eu moro na areia
Vivo na beira da praia
Com a sorte que Deus me deu
Maria mora com as outras
Quem paga o quarto sou eu
Eu não tenho onde morar
É por isso que eu moro na areia


E de Noel, a bem humorada "O Orvalho vem Caindo":

www.youtube.com/watch?v=Z4RWCJx_bFg

O orvalho vem caindo, vai molhar o meu chapéu
e também vão sumindo, as estrelas lá do céu
Tenho passado tão mal
A minha cama é uma folha de jornal
O orvalho vem caindo, vai molhar o meu chapéu
e também vão sumindo, as estrelas lá do céu
Tenho passado tão mal
A minha cama é uma folha de jornal
Meu cortinado é um vasto céu de anil
E o meu despertador é o guarda civil
(Que o dinheiro ainda não viu!)
O orvalho vem caindo, vai molhar o meu chapéu
e também vão sumindo, as estrelas lá do céu
Tenho passado tão mal
A minha cama é uma folha de jornal
A minha terra dá banana e aipim
Meu trabalho é achar quem descasque por mim
(Vivo triste mesmo assim!)
O orvalho vem caindo, vai molhar o meu chapéu
e também vão sumindo, as estrelas lá do céu
Tenho passado tão mal
A minha cama é uma folha de jornal
A minha sopa não tem osso e nem tem sal
Se um dia passo bem, dois e três passo mal
(Isso é muito natural!)


Essas cinco composições são apenas exemplos de como a verdadeira arte faz da realidade a sua mais preciosa fonte de inspiração. 

E de como os verdadeiros artistas são muito mais sensíveis às mazelas do povo que as autoridades que são muito bem pagos para tratar delas.



Tentativa de vender Aquífero Guarani mobiliza ativistas ambientais

2 de Fevereiro de 2018, 17:55, por Feed RSS do(a) News

O processo de privatização da água, a exemplo do que poderá ocorrer com o Aquífero Guarani, segundo Scheibe, ocorre pela obtenção de concessão de fontes por meio de parcerias, inicialmente, com as prefeituras.

 

Por Redação – do Rio de Janeiro

 

A reunião entre o presidente de facto, Michel Temer, com o presidente da Nestlé, o belga Paul Bulcke; no último dia 24, em Davos, na Suíça, com a pauta da privatização do Aquífero Guarani, segundo denuncia publicada, com exclusividade, em reportagem do Correio do Brasil, ainda em 2016, tem mobilizando um número cada vez maior de ambientalistas. O tema ganha dimensão internacional com a realização do 8º Fórum Mundial da Água, em Brasília, em março deste ano.

Reserva de água no Aquífero Guarani - clique para ampliar

Reserva de água no Aquífero Guarani

No encontro, a consolidação de acordos entre o governo brasileiro e empresas com vistas à privatização da água no Brasil é o ponto alto da pauta. Segundo o geólogo e professor emérito da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Luiz Fernando Scheibe, “essa aproximação de Temer com a Nestlé é muito preocupante”.

Capitalistas

— A água é um direito, humano estabelecido pela Organização das Nações Unidas (ONU). Tem de ser acessível a todos. Ao mesmo tempo, a água é também mais uma fronteira da privatização. E quando se privatiza algo assim, que é extremamente importante, fundamental para a vida, e que todos devem ter o acesso garantido, tira-se a primazia do que é público e entrega-se para o mercado — observa o especialista.

Destacando o papel das privatizações como fio condutor do neoliberalismo, em que o controle dos bens públicos pelo setor privado é “vendido como se fosse a solução para todos os problemas humanos, quando na verdade é remédio para os próprios capitalistas”, Scheibe pontuou:

— Empresas como a Nestlée a Coca-Cola querem aumentar o controle sobre o mercado da água não só por se tratar de matéria-prima fundamental para seus principais produtos, mas também para explorá-la enquanto commodity.

Fórum Mundial

O processo de privatização da água, segundo Scheibe, ocorre pela obtenção de concessão de fontes por meio de parcerias, inicialmente, com as prefeituras. Este fato ocorre, atualmente, em cidades do circuito das águas em Minas Gerais. As empresas transnacionais tem uma linha de produção que vai desde o engarrafamento à venda; com participação e controle em empresas de saneamento. Trata-se da disputa por uma fatia maior do acesso à água.

“No sul mineiro, a população e entidades ambientalistas enfrentam o assédio da indústria por meio de parcerias firmadas com o governo estadual, de Fernando Pimentel (PT)”, denuncia Sheibe, à Revista Brasil Atual (RBA). “O temor é que a entrega das fontes de água mineral à iniciativa privada; em cidades como Cambuquira e Caxambu, repitam o desastre de São Lourenço. Nesta localidade, a parceria de 25 anos com empresas – atualmente a Nestlé – secou uma das fontes. O caso segue sendo investigado pelo Ministério Público”, acrescenta.

Outro espaço de resistência, segundo o geólogo, é o Fórum Alternativo Mundial da Água (FAMA). Este será realizado em Brasília, de 17 a 22 de março; paralelamente ao evento empresarial que terá, entre seus patrocinadores a Sabesp. A estatal vem abrindo seu capital ao setor privado. O governo do Estado de São Paulo; que também protagonizou uma grande crise hídrica, há quatro anos, também patrocina o evento oficial. 

O post Tentativa de vender Aquífero Guarani mobiliza ativistas ambientais apareceu primeiro em Jornal Correio do Brasil.