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A boçalidade triunfante no pós-golpe

24 de Abril de 2018, 8:30 , por Feed RSS do(a) News - | No one following this article yet.
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Boçalidade internética
 
Por Ricardo Kotscho, em seu blog:

23 de abril de 2018, uma segunda-feira qualquer.

Leio os jornais, abro o computador, procuro algum assunto que me desperte interesse e mereça ser comentado, não encontro nada digno de registro.

Olho para a folhinha e me dou conta do tempo que passou correndo, ninguém sabe para onde.

Está fazendo dois anos que um impeachment malaco trocou o governo do país sem consultar o eleitorado.

Está fazendo 16 dias que Lula se encontra incomunicável numa cela solitária em Curitiba.

Nesse meio tempo, depois de tudo o que aconteceu, o que fica é uma imensa sensação de vazio, de falta de futuro.

Raiva, tristeza, indignação, impotência, revolta, inconformismo, os sentimentos foram se misturando e, no fim, não sobrou nada.

Tudo isso para quê? O que sobrou desta corrida maluca num trem fantasma desgovernado rumo ao passado?

O novo governo já acabou e só faltam cinco meses e meio para a nova eleição presidencial, agora liderada pelo candidato “Ninguém” (a soma dos que declararam votar em branco, nulo ou em nenhum dos nomes apresentados pelo último Datafolha).

Diante da boçalidade triunfante dos patos de camisas amarelas, vivemos a normalidade da anomia social e a naturalidade do que é anormal.

Os idiotas e medíocres deixaram a modéstia de lado e assumiram o papel de protagonistas nos grupos das redes sociais.

Nas ruas, reina o silêncio, não há nenhum sinal de que estamos em pleno ano eleitoral.

Já temos quase 20 pré-candidatos e, no entanto, ainda não apareceu nenhum candidato que encarne alguma esperança de que algo possa mudar com a eleição de outubro.

A campanha eleitoral se desenvolve nas sombras, com alianças sendo costuradas pelos velhos caciques de sempre em busca do “novo” para engabelar a galera lavajatista.

Num cenário em que os mais de 30 partidos políticos foram dizimados, o Judiciário assumiu os três poderes e dá as cartas.

Grupos isolados discutem o que fazer para ressuscitar o Congresso Nacional, uma batalha inglória diante das regras do jogo criadas pelos atuais donos do poder para continuar onde estão.

A chamada sociedade civil desapareceu do mapa, não há mais lideranças nem interlocutores confiáveis com alguma ideia boa e nova na cabeça sobre o que fazer com o que sobrou.

Discutem-se apenas nomes na caça do “menos pior”, não há nenhum debate sobre os grandes problemas nacionais, ninguém mais discute um projeto nacional.

Bastaram dois anos para jogar o Brasil novamente na vala comum dos países irrelevantes no cenário mundial.

Já se esgotaram todas as mágicas e jogadas de marketing, o desemprego não cede, a economia regurgita, não há mais grana para comprar votos e aprovar reformas, o rombo fiscal só aumenta.

Daqui a pouco, não haverá mais o que vender na bacia das almas do grande leilão das riquezas naturais que são finitas.

Ao próximo presidente, seja quem for, vai caber apenas administrar a massa falida.

E qual é a saída?, poderá me perguntar quem leu até aqui este breve inventário da situação nacional.

Com a Constituição em frangalhos, apenas 30 anos após a sua promulgação, só nos restaria começar tudo de novo.

Como? Para começar, pela convocação de uma nova Assembléia Nacional Constituinte.

Mas quem vai convocá-la? O novo presidente ou o novo Congresso que terá, tudo indica, a mesma cara do velho? E quem vai integrá-la?

Se alguém tiver as respostas, agradeço muito.

Por enquanto, é o que temos nesta segunda-feira, lamento muito constatar.

Vida que segue.

Fonte: http://blogoosfero.cc/news/blog/a-bocalidade-triunfante-no-pos-golpe