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Toni Cordeiro

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A importância da escolha de uma candidatura própria

June 4, 2016 16:26 , by Gestão Pública Social - | No one following this article yet.
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Estamos diante de um processo eleitoral para prefeitos(as) e vereador(as) complicado, pois estamos em pleno golpe político e o pior, tramado e articulado pela extrema direita junto com os chamados “aliados” do Partido dos Trabalhadores. Os “amigos bons de votos”. Diante disso uma pergunta necessária: o PT deve lançar candidaturas próprias mesmo com grande possibilidade de perder em várias localidades, ou se aliar a alguém, em muitos casos a reboque de uma candidatura, apenas para mostrar que está vivo, ou ainda em troca de alguns cargos?


Imagino se tratar de uma resposta complexa que requer antes de tudo atitudes, visto que o PT no momento se encontra na berlinda de um processo golpista, que simplesmente anseia e trabalha pelo seu fim. Só isso já reforçaria a ideia de que o PT tem que ocupar todos os espaços possíveis em causa própria e se aliar apenas aos partidos que não compactuaram com o golpe, estabelecer regras, a partir de suas resoluções de quem serão seus candidatos, além de participar das alianças políticas sendo protagonista e não apenas pela composição e participação, como se fosse de favor.


Como filiado defendo a ideia de que o Partido restabeleça, potencialize e aposte cada vez mais na formação política, com todas as correntes participando, pois só o conhecimento livrará a base partidária de ser tratada por alguns como “garrafinhas” e ser chamada apenas para votar. Para os veteranos da vida política como eu, a luta por uma causa acaba se transformando em nosso projeto de vida e os interesses pessoais acabam dando espaço para toda ação e reação que tenha à frente a melhoria da qualidade de vida de milhares de pessoas excluídas da sociedade e para isso a formação política é fundamental. 

Nessa caminhada, o Partido dos Trabalhadores foi e ainda é para uma grande parte de sonhadores e sonhadoras, o ponto de encontro da diversidade, a interação com a causa e o amadurecimento para uma ruptura política definitiva com a sociedade de desiguais, rumo à construção de uma sociedade justa, fraterna e igual para todos e todas. Quem pensa dessa forma jamais aceitará a ideia do Partido ter um pensamento único, ou seja, apenas uma linha de pensamento. É a pluralidade que o alimenta. A disputa de ideias e a pluralidade das linhas ideológicas, através das diversas correntes é o que garante que de fato o PT seja um partido e não um Inteiro.

Outro fator a ser observado e um dos grandes equívocos de muitos dirigentes de alguns partidos do campo da esquerda e porque não dizer também de parte da militância política, foi o de se enveredarem pelo “canto da sereia”, de que o PT e seus aliados, ao chegarem à Presidência da República, tinham também chegado ao poder e não apenas aos governos. Esqueceram talvez de que, como bem afirmava Karl Marx, num país capitalista quem determina é e sempre será o econômico. Quem duvida disso é só analisar o fundamento político e ideológico do golpe em curso e a quem o golpe serve.


Vale lembrar que o Capitalismo é um sistema econômico em que os meios de produçãoe distribuição são de propriedade privada e com fins lucrativos e não públicos. Todos e todas que lhe afrontarem terão como resposta, ou a repressão ou um esquema golpista como vivemos na atualidade.


Vale lembrar que o golpe político em curso não foi articulado nesse momento e sim estrategicamente elaborado há anos. A direita política com toda liberdade de ação trabalhou nas entranhas do poder e preparou um desmonte do projeto político e social defendido pelo Partido dos Trabalhadores, não via Forças Armadas e sim a partir do próprio Congresso Nacional e do Senado. Trata-se de um golpe moderno, à luz da Constituição e com o apoio da bandalheira eleita.


Qual o maior desafio do momento? Não permitir que a direita organizada com todos seus instrumentos, caminhe firme rumo ao pedido e consolidação de cassação de registro do Partido dos Trabalhadores e criminalize, junto com os movimentos sociais, qualquer ação que envolva a militância política do país.


Vale ressaltar que não se trata apenas de uma preocupação, mas de um fato que está sendo trabalhado no âmbito da Lava Jato, que tem como premissa principal derrubar Dilma, prender Lula e cassar o registro do PT.


Os primeiros passos já foram dados e os demais estão em curso, que envolve entre outras ações, o encurtamento do Partido com alguns e algumas saindo dele para não serem chamados de petralhas, a caminho da sedução das carreiras-solos e de seus projetos pessoais, assim como uma drástica redução do número de prefeitos (as) e vereadores (as) nas próximas eleições. Outra tática da direita e da justiça partidária é a perseguição a lideranças chaves, como por exemplo, a condenação a José Dirceu e a prisão de outros nomes graúdos. Uma verdadeira devassa partidária.


A partir desse cenário, se fazem necessárias a defesa intransigente da vida partidária e a defesa clara e cristalina do projeto que os militantes defendem.


Não há nada mais importante nesse momento, do que o Partido mostrar sua cara, defendendo o projeto escrito a várias mãos e lançar candidaturas próprias em todas as localidades possíveis, com o firme propósito, não apenas de ocupar uma cadeira, seja no executivo ou no legislativo, mas de continuar e resgatar as bandeiras históricas que fizeram com que a população brasileira votasse por quatro vezes em Lula e Dilma, assim como voltar às ruas na defesa das principais lutas onde o povo ainda excluído estiver presente.


Algumas razões para a defesa de uma candidatura própria:

  1. A possibilidade concreta de trazer para o âmbito do processo eleitoral a possibilidade de defesa da vida partidária, assim como a visão de que o Partido não está morto, como pretende a direita e a imprensa golpista e sim mostrar que não só ele está vivo, como pretende ampliar o escopo do projeto formatado até o momento de forma participativa.
  2. A possibilidade de ampliação do debate com a sociedade de que o partido continua na defesa da parcela ainda excluída da sociedade, junto com os atores envolvidos, assim como na defesa intransigente de tudo que foi conquistado pelos trabalhadores e por grande parte da população.
  3. A possibilidade de mostrar que o Partido dos Trabalhadores e sua história são muito maiores do que as crises que o cercam, ou ainda dos desvios de algumas pessoas que usaram a legenda em benefício próprio e terão que pagar por isso.
  4. A possibilidade de usar o ambiente eleitoral para formatar e cumprir junto com a sociedade um Plano de Governo dinâmico e participativo.
  5. A possibilidade concreta do Partido não se comportar como figurante, sendo levado a reboque de nenhuma candidatura, apenas e tão somente por participar e sim trabalhar a ideia do partido ser protagonista de sua história e de suas experiências concretas.
  6. A possibilidade de envolver a militância ativa ou quem se encontra afastado por vários motivos, na defesa de propostas próprias e compromissos de participação efetiva, seja nos Conselhos de Mandatos de vereadores ou ainda nos Fóruns Municipais a serem criados.
  7. A possibilidade de motivar filiados, filiadas e simpatizantes nos Cursos oferecidos pela Fundação Perseu Abramo, como por exemplo, o Curso Difusão do Conhecimento, que discute entre outros conteúdos a função da militância no processo de formulação das Políticas Públicas.
Essas e outras razões, expressas nas Resoluções Partidária, nos afirmam que defender uma candidatura própria, num momento tão difícil como o Partido dos Trabalhadores passa, além de ser uma obrigação, se constitui num compromisso público de continuidade das lutas concretas e da visão de que em muitas ocasiões ganhar é perder e perder é ganhar.

Como militante de uma causa, prefiro me enveredar pelos caminhos da luta, mesmo que seja recheado de contratempos, do que servir ao nada apenas para satisfazer minhas vaidades.

Antonio Lopes Cordeiro

Pesquisador em Gestão Pública e Social
tonicordeiro1608@gmail.com

Source: http://gestaopublicasocial.blogspot.com/2016/06/a-importancia-da-escolha-de-uma.html