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Angola vence etapa Rio de Janeiro da Copa dos Refugiados

7 de Agosto de 2018, 11:47 , por ONU Brasil - | No one following this article yet.
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Seleção de Angola posa para a foto com o troféu de campeã da etapa Rio de Janeiro da Copa dos Refugiados 2018. Foto: ACNUR/MiguelPachioni

Seleção de Angola posa para a foto com o troféu de campeã da etapa Rio de Janeiro da Copa dos Refugiados 2018. Foto: ACNUR/MiguelPachioni

A equipe de Angola venceu no último final de semana (4) a etapa carioca da Copa dos Refugiados 2018. Inédito no Rio de Janeiro, o torneio foi realizado pela ONG África do Coração com o apoio da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR). Campeonato teve a participação de 150 jogadores refugiados e migrantes, que representaram, além do Estado angolano, Guiné-Bissau, Haiti, República Democrática do Congo, Senegal, Síria, Venezuela e Colômbia.

Angola venceu todas as partidas disputadas e foi a equipe que mais marcou gols (15 em quatro jogos), sem sofrer nenhum. Os colombianos levaram a prata, e os sírios ficaram com o terceiro lugar.

“Além da taça de campeões, levamos para casa o sentimento de harmonia entre os refugiados do Rio de Janeiro e a mensagem (de) que somos pessoas como qualquer outra, que amamos o futebol como os brasileiros também amam”, disse o capitão do time angolano, Julson Love, de 31 anos.

A proposta da Copa dos Refugiados ultrapassa a competição — o objetivo é promover a integração entre os jogadores e trazer mais visibilidade para o tema do refúgio no Brasil. No país do futebol, o organismo da ONU acredita que o esporte pode funcionar como um catalizador de vínculos entre os estrangeiros e as comunidades que os acolhem.

“O Brasil é um país em que os direitos são para todos, e isso é muito bom. A legislação vigente para os brasileiros é a mesma para os refugiados, e isso é muito importante porque somos iguais, com os mesmos sonhos: ter um trabalho digno, dar continuidade nos estudos, formar uma família”, afirmou o jogador Ambrósio, refugiado congolês de 23 anos.

Vivendo no Brasil há dois anos, o jovem está fazendo graduação em gestão de recursos humanos. Seu time acabou sendo desclassificado pela Síria durante uma disputa de pênaltis.

O sírio Ali Soliman, de 23 anos, vive no Brasil há um ano e oito meses. Sua chegada é reflexo das atrocidades causadas pela guerra em seu país de origem.

“Vim para o Brasil porque tive que deixar o meu país e não imaginava que esta guerra pudesse permanecer até os dias de hoje. Estudava matemática, mas não pude continuar. Minha universidade ficou sem professores, sem aulas. Toda a minha família continua na Síria e tenho muita saudade deles, mas minha vida no Brasil está boa. Consigo me manter com a venda de esfirras no Rio de Janeiro, como muitos dos meus parceiros de time”, explica.

O jogador do time venezuelano, Manuel Moreira, chegou ao Brasil há oito anos para dar continuidade aos seus estudos, acompanhado de sua esposa, ambos geoquímicos. Hoje, com 38 anos, tem a certeza de que não é o momento certo para retornar à Venezuela.

“Quando eu e minha esposa chegamos, viemos para fazer um mestrado por apenas dois anos. Mas as coisas foram piorando em nosso país e, então, decidimos continuar por aqui e fazer doutorado, pensando que em quatro anos as coisas estariam melhor. Já fizemos pós-doutorado e a situação da Venezuela continua muito delicada”, conta o pesquisador.

Inclusão no mercado de trabalho

Durante a cerimônia de abertura da Copa, realizada na sexta-feira (3), no Maracanã, representantes da sociedade civil, empresas patrocinadoras e poder público defenderam a inclusão dos refugiados não apenas por meio do esporte, mas também através do trabalho. Empregabilidade é vista como meio de garantir uma integração sustentável dos estrangeiros no Brasil.

A gerente de Diversidade e Inclusão da Sodexo On-site, Lilian Rauld, ressaltou que as pessoas em condição de refúgio possuem habilidades capazes de melhorar a produtividade das empresas.

“No Brasil, temos 35 mil funcionários e mais de 85 refugiados e migrantes entre eles, sendo esta uma relação onde todos ganham: a pessoa se desenvolve e a empresa tem melhorado seus resultados e performance. É fantástico ter uma equipe diversa porque estas pessoas vão trazer inovações e agregar conhecimentos”, afirmou a gestora.

A Copa dos Refugiados 2018 teve início em junho, em Porto Alegre. Nessa primeira etapa, o campeão foi o time do Senegal. A próxima rodada do torneio acontecerá em São Paulo, entre os meses de agosto e setembro, com 16 seleções.

Além dos jogos, a etapa Rio de Janeiro promoveu passeios culturais com crianças refugiadas, que visitaram o Aqua Rio, o Museu da República e parques de diversão. O campeonato também promoveu um debate com mulheres refugiadas no Centro Cultural Banco do Brasil.

Benazira Djoco, refugiada da Guiné-Bissau e embaixadora da África do Coração, fez um apelo por mais investimentos na integração dos refugiados, sobretudo das mulheres.

“Peço que as empresas adotem a postura de capacitar e contratar refugiadas. Sei que o país tem muitos problemas, mas só precisamos de uma chance para mostrar a nossa capacidade”, disse a guineense, que chegou ao Brasil em 2001, com 15 anos de idade.

A Copa do Rio teve o apoio da Secretaria Municipal de Assistência Social e Direitos Humanos, da Cáritas Rio de Janeiro, da rede SESC/SENAC e das empresas Eletrobras Furnas e Sodexo.


Fonte: https://nacoesunidas.org/angola-vence-etapa-rio-de-janeiro-da-copa-dos-refugiados/

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