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Notícias da ONU

11 de Junho de 2012, 21:00 , por Vicente Aguiar - | No one following this article yet.
Notícias do Site Oficial da ONU. http://www.onu.org.br/tema/rio20/

Comércio global está ameaçado por medidas unilaterais, diz oficial da ONU

20 de Julho de 2018, 17:27, por ONU Brasil
Porto de Salvador, na Bahia. Foto: Banco Mundial/Mariana Ceratti

Porto de Salvador, na Bahia. Foto: Banco Mundial/Mariana Ceratti

Apesar de uma melhora do cenário econômico, as perspectivas globais enfrentam riscos crescentes, na opinião do chefe de assuntos econômicos e sociais das Nações Unidas, que manifestou na quinta-feira (19) preocupação com medidas unilaterais que estão desafiando o sistema multilateral de comércio.

“São necessários esforços para revitalizar uma parceria global para o desenvolvimento sustentável a fim de construir um sistema comercial multilateral universal, baseado em regras, aberto, não discriminatório e equitativo”, disse Liu Zhenmin, subsecretário-geral para Assuntos Econômicos e Sociais da ONU, durante diálogo político de alto nível com instituições financeiras e de comércio internacional, na sede das Nações Unidas, em Nova Iorque.

“O crescimento econômico mais forte por si só não é suficiente para garantir que esses ganhos sejam amplamente compartilhados”, acrescentou.

O diálogo foi organizado pelo Conselho Econômico e Social da ONU (ECOSOC) para trocar opiniões sobre as tendências da economia global e do comércio internacional, no contexto do desenvolvimento sustentável.

Representantes de Fundo Monetário Internacional (FMI), Banco Mundial, Organização Mundial do Comércio (OMC), Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD) e do Departamento de Assuntos Econômicos e Sociais (DESA) da ONU deram suas projeções sobre crescimento econômico, comércio internacional e outras tendências e desafios.

A Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável e seus 17 objetivos (ODS), adotada em 2015 pelos Estados-membros das Nações Unidas, requer transformações nas esferas econômica, ambiental e social.

“Se continuarmos meramente com um progresso incremental como no passado, muito progresso a curto prazo poderá ocorrer em detrimento da deterioração de longo prazo em outras áreas”, disse Liu.

As projeções mais recentes do DESA indicam que a economia mundial deverá crescer 3,2% tanto em 2018 como em 2019.

“Esta melhora reflete uma revisão para cima das perspectivas de crescimento para as economias desenvolvidas em 2018. É impulsionada pela força do crescimento salarial, condições de investimento amplamente favoráveis ​​e pelo impacto de curto prazo de um pacote de estímulo fiscal nos Estados Unidos”, afirmou o relatório “Situação Econômica Mundial e Perspectivas”.

As condições macroeconômicas positivas criam a base para que os formuladores de políticas adotem medidas que ajudem a progredir significativamente em direção aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) — que visam erradicar a pobreza e a fome e proteger o meio ambiente — e ofereçam uma oportunidade de elevar os padrões de vida, em larga escala, especialmente nas regiões em desenvolvimento.

“No entanto, em paralelo com a melhora no crescimento, temos visto um aumento nos riscos para as perspectivas econômicas”, disse ele, alertando que “cada vez mais as medidas unilaterais estão desafiando o sistema multilateral de comércio”.

Liu também declarou que a recente aceleração no crescimento econômico vem com um custo ambiental e, no ritmo atual, os esforços para combater a mudança climática são insuficientes para cumprir os objetivos do Acordo de Paris de 2015.

No acordo, os países se comprometeram a manter o aumento da temperatura média global em menos de 2° Celsius acima dos níveis industriais e promover esforços para limitar o aumento da temperatura a 1,5 °C acima dos níveis pré-industriais até o fim deste século.



ONU alerta para condições ‘críticas’ em cidade portuária do Iêmen

20 de Julho de 2018, 16:13, por ONU Brasil
Família aguarda distribuição de suprimentos do UNICEF na cidade de Hodeida, no Iêmen. Foto: UNICEF

Família aguarda distribuição de suprimentos do UNICEF na cidade de Hodeida, no Iêmen. Foto: UNICEF

Funcionários da agência de migração das Nações Unidas no Iêmen disseram nesta sexta-feira (20) que a cidade portuária de Hodeida continua “um ambiente difícil” para a entrega de ajuda humanitária a milhares de pessoas deslocadas por intensos confrontos nesta semana.

“A situação está muito ruim e estamos fazendo o melhor para fornecer abrigo temporário e apoio”, disse o oficial da Organização Internacional para as Migrações (OIM) no Iêmen, Stefano Pes, lembrando que a equipe e os parceiros da agência estão trabalhando em um ambiente difícil para entregar alimentos e itens não alimentares, kits de abrigo e tendas de boa qualidade.

Hodeida — a principal porta de entrada de alimentos e ajuda humanitária para uma população à beira da inanição — tem sido palco de confrontos entre os rebeldes Houthi, que controlam o porto, e as forças governamentais apoiadas por uma coalizão militar liderada pela Arábia Saudita.

As mortes de civis e os deslocamentos em massa continuam aumentando, em meio a intensos combates que começaram em 12 de junho.

Isso causou mais danos aos serviços públicos que estão sendo levados ao limite, afetando o suprimento de água, forçando o fechamento de lojas e resultando em escassez de produtos essenciais. Também complicou a prestação de assistência humanitária e resultou no fechamento de um centro de alimentação temporário em Zabid.

Os poucos civis que estão conseguindo deixar o local viajam para cidades relativamente seguras como Sanaa, Aden e Thamar. No entanto, a maioria da população já esgotou suas reservas, e agora busca qualquer tipo de proteção, disse a agência.

Cerca de 50 funcionários da OIM estão trabalhando em vários locais para ajudar os migrantes e cerca de 50 mil iemenitas recém-deslocados em Hodeida. A OIM também forneceu 7.830 refeições para crianças em três escolas de Hodeida.

A crise no Iêmen tem sua origem nas revoltas da Primavera Árabe de 2011, que varreram o país em meio à insurgência rebelde em curso. Embora os protestos antigoverno tenham levado à destituição do então presidente Ali Abdullah Saleh — no poder havia mais de 30 anos — a transferência de poder para Abd Rabbo Mansur Hadi, seu vice, levou a mais instabilidade e conflito.



Centro da ONU visita Tunísia para preparar próximo fórum global de nutrição infantil

20 de Julho de 2018, 15:41, por ONU Brasil
Alunos em escola na Tunísia que tem apoio do PMA para o fornecimento de refeições diárias aos estudantes. Foto: PMA

Alunos em escola na Tunísia que tem apoio do PMA para o fornecimento de refeições diárias aos estudantes. Foto: PMA

Especialistas do Centro de Excelência contra a Fome da ONU concluíram nesta sexta-feira (20) uma viagem à Tunísia para preparar o 20º Fórum Global Anual de Nutrição Infantil, que acontecerá entre 21 e 25 de outubro em Túnis. O evento é a maior conferência internacional dedicada à alimentação escolar. Representantes de mais de 50 países comparecerão ao encontro e são esperadas cerca de 300 pessoas, entre integrantes de governos, ONGs, setor privado e Nações Unidas.

Ao longo desta semana, especialistas da ONU se encontraram com autoridades do país, incluindo o ministério da Educação Hatem Bem Salem, e membros da Global Child Nutrition Foundation, uma das instituições organizadoras do fórum, realizado em parceria com o centro de excelência. O escritório nacional do Programa Mundial de Alimentos (PMA) também participou das atividades.

Durante a missão, os parceiros conheceram alguns centros de ensino para ver de perto o programa de alimentação escolar da Tunísia. A programação do fórum terá visitas de campo para os participantes.

O centro de excelência é fruto de uma parceria entre o governo brasileiro, o PMA e o Reino Unido. Com sede em Brasília, a instituição percorre o mundo e também recebe delegações estrangeiras para divulgar políticas de combate à desnutrição em países em desenvolvimento. O organismo auxilia nações na concepção e implementação de programas de alimentação escolar e agricultura familiar.

As inscrições para fórum estarão disponíveis em breve em: www.gcnf2018.org.



ARTIGO: Como aumentar a eficiência do setor de transporte rodoviário do Brasil?

20 de Julho de 2018, 15:01, por ONU Brasil
Sob pressão após a greve de caminhoneiros, o governo federal reagiu determinando, entre outras medidas, um congelamento de curto prazo do preço do diesel na bomba de gasolina. Foto: Agência Brasil/Marcelo Camargo

Sob pressão após a greve de caminhoneiros, o governo federal reagiu determinando, entre outras medidas, um congelamento de curto prazo do preço do diesel na bomba de gasolina. Foto: Agência Brasil/Marcelo Camargo

Por Antonio Nucifora*

O setor de transporte rodoviário no Brasil vem se reorganizando após a greve dos caminhoneiros em maio.

Sob pressão, o governo reagiu determinando, entre outras medidas, um congelamento de curto prazo do preço do diesel na bomba de gasolina, a isenção de pedágio para caminhões vazios e a introdução de uma tabela mínima de frete para os caminhoneiros, medidas que passam agora pela avaliação do Congresso. Com essas medidas, o país está perdendo uma ótima oportunidade de tratar as causas raiz do setor de transporte rodoviário.

O Brasil tem um dos custos logísticos mais altos da América Latina. A consultoria Ilos estima que os custos logísticos representam em média 12,2% do PIB do Brasil.

Nos Estados Unidos, esse custo fica ligeiramente abaixo de 8%. A maior parte deve-se a transporte (6,8% do PIB), seguido por estoque (4,5%), armazenamento (0,9%) e custos administrativos (0,5%). Em 2016, por exemplo, o custo da exportação de soja para Xangai (China) era 33% mais alto saindo de Mato Grosso do que de Illinois (EUA), embora o custo do transporte marítimo fosse mais elevado a partir dos EUA.

A eficiência logística no Brasil é baixa por causa da predominância do transporte rodoviário. O Relatório do Banco Mundial “De Volta ao Planejamento: Como Preencher a Lacuna de Infraestrutura no Brasil em Tempos de Austeridade” ressalta que, no Brasil, a matriz logística permanece dominada pelo transporte rodoviário, com 63-65% da tonelada-quilômetro útil, contra 21% na China e 39% na Índia.

Essa sobrecarga do modal rodoviário ocasiona grandes custos. O Brasil poderia economizar cerca de 0,7% do PIB a cada ano se deslocasse frete do modal rodoviário para o ferroviário e o aquaviário. Além dos custos mais baixos, haveria significativos benefícios ambientais e de segurança nas estradas.

Esse custo é exacerbado por ineficiências significativas do próprio setor.

Primeiro, uma parcela importante do transporte rodoviário é atomizada e carece de profissionalização para ser eficiente. O setor presta seus serviços com uma frota de 2,3 milhões de veículos, cerca de metade dos quais (55%) é de propriedade de empresas transportadoras estabelecidas, ao passo que a outra parte (45%) é composta de caminhoneiros autônomos, segundo dados da ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres).

Ou seja, metade do setor é concentrada e relativamente eficiente, enquanto a outra é atomizada, mal organizada e globalmente muito menos eficiente, pois não pode tirar proveito das economias de escala que os grandes volumes de carga proporcionam. Uma empresa média de transporte rodoviário possui cerca de nove veículos, uma cooperativa média tem mais de quarenta, e a maioria dos caminhoneiros autônomos, apenas um.

Em segundo lugar, comparados com os de outros países, os custos operacionais do setor de transporte rodoviário brasileiro são altos e devem-se sobretudo ao elevado consumo de combustível, à idade avançada da frota e à baixa manutenção.

Sem considerar manutenção e depreciação, os gastos com combustível são responsáveis pela maior parte dos custos operacionais (>40%), seguidos por salários (cerca de 30%), seguro e pedágios (que somam 30%). À guisa de comparação, apontemos que, nos EUA, o combustível representa cerca de 36% dos custos operacionais totais, e na Europa, entre 20 e 30%.

No entanto, estes custos são muito mais altos na China (60%). As frotas antigas e a manutenção deficiente também elevam os custos operacionais por causa das panes frequentes. No Brasil, os veículos dos caminhoneiros autônomos têm em média 19 anos de idade, os veículos de cooperativas, 14 anos, e os das transportadoras, 9 anos.

Para tratar dessa questão, é preciso acelerar a substituição da frota brasileira por caminhões mais novos, o que pode melhorar a eficiência energética média da frota e o desempenho do setor em matéria de emissões (de gases). Os EUA e diversos outros países recorreram com sucesso às parcerias com montadoras e vendedores de tecnologia para fazer avançar a fronteira da eficiência energética dos caminhões novos.

As más condições das rodovias são outro importante fator dos altos custos operacionais no Brasil. Apenas 12% das rodovias são pavimentadas e, segundo o mais recente relatório da CNT, só 40% da malha rodoviária pavimentada estão em boas condições.

Entre 2000 e 2013, o investimento em infraestrutura no Brasil foi de meros 2,1% do PIB, contra 8,6% na China, 4,8% na Índia e 4,3% no Chile. Um estudo do Banco Mundial de 2012 estima que mais de 0,7% do PIB é perdido devido à má qualidade das rodovias, à engenharia deficiente da malha e aos congestionamentos das rodovias, o que resulta em perda de tempo e aumento dos custos operacionais dos veículos.

Mas o que precisa mudar para aumentar a rentabilidade e a competitividade do setor de transporte rodoviário?

O diagnóstico é claro. Ao resolver ineficiências operacionais da malha rodoviária federal pavimentada e as ineficiências da matriz dos modais de transporte, o Brasil poderia economizar 1,4% do PIB, o que equivale a 2,2 vezes o atual gasto anual no setor de transporte.

Portanto, ao invés de subsidiar, o que não resolve as causas do baixo desempenho do setor, o governo precisa:

    • Incentivar a profissionalização e facilitar a consolidação de firmas por meio de treinamento e da simplificação da regulamentação;
    • Avançar na direção de uma frota de caminhões mais eficiente e mais verde impondo regulação adequada e facilitando o acesso ao financiamento;
    • Aumentar o investimento em infraestrutura rodoviária e manutenção para reduzir os custos operacionais, reduzindo os gargalos que restringem a participação eficiente do setor privado
    • E, contemplando o longo prazo, tomar medidas destinadas a mudar gradualmente a matriz de modais do setor de forma a aumentar a utilização de transporte ferroviário e aquaviário.

Entretanto, o Congresso parece preferir mais subsídios e controle de preços. Agora é o momento para que os pré-candidatos às eleições deste ano mostrem que são contra paliativos pedindo que o Congresso trate das causas raiz.

*Economista-chefe do Banco Mundial para o Brasil, já trabalhou para a instituição na Europa, na África e no Oriente Médio. Esta coluna foi preparada em colaboração com Grégoire Gauthier, especialista sênior de transportes, do Banco Mundial.



Parlamentares latino-americanos alertam que leis contra a fome podem virar letra morta

20 de Julho de 2018, 13:40, por ONU Brasil

Comércio intra-regional é um dos caminhos para combater a fome na América Latina e no Caribe. Foto: ONU

Sem orçamento e sem monitoramento, as leis de combate à desnutrição na América Latina e Caribe não terão efeito. O alerta vem das Frentes Parlamentares regionais contra a Fome, que se reuniram neste mês (12), na Guatemala. Mais de 30 deputados e senadores de 19 países discutiram medidas para evitar que legislações sobre o tema virem letra morta, sobretudo tendo em vista a meta da ONU para acabar com a malnutrição até 2030.

Para o chefe da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) na Guatemala, Diego Recalde, além de criar textos constitucionais, “os órgãos legislativos têm uma grande responsabilidade em monitorar as leis e outras ações dos poderes do Estado, garantindo orçamentos adequados e responsabilização”.

Representando as frentes parlamentares, a senadora mexicana e coordenadora-geral dos organismos, Luisa María Calderón, afirmou que a meta do grupo para 2018 será garantir que países ajam em conformidade com as políticas sobre malnutrição já vigentes em cada país.

FAO capacita consultores legislativos

O secretário-geral do Parlamento latino-americano e caribenho (PARLATINO), Pablo González, lembrou a importância dos consultores legislativos, que auxiliam os representantes eleitos na elaboração de propostas de leis. Com isso, garantem que as novas políticas sejam sustentáveis.

A FAO capacitou recentemente mais de 30 consultores legislativos em temas como investimento responsável para a agricultura e sustentabilidade nos sistemas alimentares.

Engajamento de parlamentares ganha apoio dentro e fora da região

Nos dias 29 e 30 de outubro, será realizada a Primeira Cúpula Mundial Parlamentar contra a Fome e a Malnutrição. O evento acontece na Espanha, onde as 19 Frentes Parlamentares latino-americanas e caribenhas apresentarão seus compromissos e iniciativas na área. A expectativa dos participantes é estimular a criação de organismos similares em outras regiões.

O encontro global terá o suporte da FAO, do PARLATINO, da Cooperação Espanhola e do Parlamento Espanhol. A parceria reafirma o apoio de instituições como a ONU e o Ministério das Relações Exteriores da Espanha às frentes contra a fome. A Agência Brasileira de Cooperação e o Programa Fome Zero na Mesoamérica, do governo do México, também apoiam as entidades parlamentares.

A União Europeia e a Secretaria-Geral Ibero-americana já reconheceram as contribuições dos grupos de deputados e senadores empenhados em erradicar a desnutrição.



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