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ARTIGO: Fim dos canudos verdes da Starbucks – a nova tampa é a melhor solução?

11 de Julho de 2018, 13:55 , por ONU Brasil - | No one following this article yet.
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Nova tampa do Starbucks promete acabar com uso de canudos, mas solução também é feita de plástico descartável. Foto: Starbucks

Nova tampa do Starbucks promete acabar com uso de canudos, mas solução também é feita de plástico descartável. Foto: Starbucks

Por Campanha #MaresLimpos

Finalmente, a gigante Starbucks anunciou o fim dos canudos de plástico de suas lojas. Até 2020, a maioria de suas bebidas será oferecida sem canudo e apenas alternativas “sustentáveis” estarão disponíveis para quem precisar ou fizer questão de um canudo.

E qual foi a solução encontrada? O redesign das tampas dos copos de bebidas frias, que representam mais de 50% das vendas da empresa. Antes plana e com um furo no centro para o canudo, a tampa agora terá um “biquinho”, parecido com os copos infantis, que permite que se beba sem o uso do canudinho – e sem perder o charme de andar por aí com um copo Starbucks.

Pressionada pela comunidade internacional, parceiros e seus consumidores mais conscientes, a empresa vinha se esquivando de conversas com ONGs e com a ONU Meio Ambiente, que buscavam um compromisso da rede em reduzir ou eliminar os canudos. Visto como um ícone e parte da experiência Starbucks, o canudo verde se tornou o símbolo da empresa. Mas, como vemos pelo anúncio dessa semana, o que acontecia era a busca, nos bastidores, pelo desenho de uma alternativa que mantivesse o apelo da marca.

Como bem diz Fe Cortez, defensora da Campanha #MaresLimpos no Brasil, já viemos equipados com o necessário para tomar bebidas em copos: nossas bocas. Canudos são itens relativamente desnecessários – “quem usa canudo em casa?”, pergunta Fe Cortez –, mas dão uma aura de diversão a um ato corriqueiro como beber um suco ou um refrigerante. No caso dos cafés Starbucks, parte central da experiência é sair com seu café da loja e exibir sua aquisição “descolada” pelas ruas – e, para que essa experiência não se torne uma tragédia de café derramado na roupa, convencionou-se colocar uma tampa no copo e o canudo tornou-se necessário. Fica claro, então, o porquê da resistência da Starbucks em abrir mão de seus canudos.

A solução da tampa com biquinho tem o benefício óbvio da redução drástica do uso de canudos plásticos. Ela será usada em boa parte das bebidas oferecidas pela casa, embora não seja útil para todas, mas significará 1 bilhão de canudos plásticos a menos por ano. No entanto, ainda é uma tampinha plástica… De dois resíduos plásticos gerados após o consumo de um café para viagem Starbucks, tampa e canudo, agora teremos apenas um, mas, ainda assim, um resíduo plástico, descartável, leve, sem real chance de reciclagem. Foi a melhor solução?

A empresa também anunciou este mês um desafio de design que pagará um prêmio de US$ 10 milhões a quem desenvolver copos para bebidas quentes que sejam mais fáceis de reciclar. Os copos atuais são feitos de papel cartonado com uma camada plástica que mantém a temperatura da bebida por mais tempo e impede que o papel absorva o líquido, e uma tampa plástica mais rígida.

Segundo os preceitos da Economia Circular, é fundamental buscar produtos que não se tornem resíduos após seu uso. A iniciativa da Nova Economia dos Plásticos, da Fundação Ellen MacArthur, preconiza que o plástico nunca se torne lixo, mas que retorne para a economia com o mesmo valor técnico ou com nutrientes biológicos que tinha ao ser produzido. Isso significa que o Santo Graal da Economia Circular para os plásticos busca produtos que tenham sua vida útil estendida ao máximo e, ao final, sejam reciclados mantendo o mesmo valor econômico que tinham originalmente.

A tampa com biquinho da Starbucks não atende a esses preceitos, não sendo, assim, a melhor solução possível ainda. É feita do mesmo material do copo, mas facilmente desacoplada dele, tornando-se um resíduo pequeno e leve – as tampinhas fazem parte dos 30% de embalagens plásticas que nunca serão reutilizadas ou recicladas, segundo a Fundação Ellen MacArthur. De acordo com o documento “New Plastics Economy: Catalysing Action”, embora sejam itens com altíssima funcionalidade, esse tipo de produto não tem um reuso viável ou um caminho real para a reciclagem e, por seu pequeno tamanho, é muito provável que acabe no meio ambiente. É o mesmo caso do canudinho.

A tampinha com bico é uma melhoria incremental que a Starbucks faz em seu negócio. Um bom primeiro passo. A busca por copos mais recicláveis deve ser, no entanto, o foco principal e tem de incluir a questão da tampa, de modo que toda a embalagem se torne mais reciclável ou seja feita de um material que não fique na natureza para sempre. Alternativas mais duráveis, reutilizáveis, devem continuar sendo estimuladas junto à clientela. A experiência Starbucks pode e deve abarcar a nova tendência: é mais legal trazer seu próprio copo e gerar menos lixo.

Não é jogar areia em uma boa notícia, pelo contrário, é manter a pressão sobre as grandes empresas para continuarem buscando as melhores soluções. Notícias como essa demonstram a força da opinião pública para mudar as coisas como são. Fortalecer a agenda do combate à poluição plástica trará mudanças significativas em nossos padrões de produção e consumo que beneficiarão não apenas o meio ambiente, mas também a sociedade humana.


Fonte: https://nacoesunidas.org/artigo-fim-dos-canudos-verdes-da-starbucks-a-nova-tampa-e-a-melhor-solucao/

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