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‘Comer é ato político’, diz Bela Gil pela democratização da alimentação saudável

22 de Janeiro de 2018, 16:57 , por ONU Brasil - | No one following this article yet.
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Bela Gil em evento no escritório da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) no Brasil. Foto: OPAS/Luís Felipe Sardenberg

Bela Gil em evento no escritório da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) no Brasil. Foto: OPAS/Luís Felipe Sardenberg

Em evento na Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) em Brasília, a apresentadora e chef de cozinha Bela Gil defendeu na sexta-feira (19) a democratização dos alimentos saudáveis e a rotulagem frontal de produtos alimentícios no Brasil. Pautas vão ao encontro dos esforços da agência da ONU, que é o braço regional da Organização Mundial da Saúde (OMS).

Segundo Bela Gil, para ser nutritiva, a alimentação precisa ser diversificada. Ela pontuou que a modernização da agricultura acabou tornando a mesa dos brasileiros monótona. “O Brasil inteiro come basicamente a mesma coisa. O café da manhã de grande parte das pessoas, por exemplo, é composto por pão com manteiga ou margarina. Isso é uma pena, considerando que temos culturas regionais maravilhosas”, disse.

A chef lembrou ainda que, em todo o mundo, existem cerca de 75 mil espécies de plantas comestíveis. No entanto, as pessoas consomem, em média, apenas 5 mil delas. “Somente 150 espécies representam a maioria dos ingredientes que usamos. Comemos todos os dias o mesmo arroz, feijão, couve, espinafre, alface. Isso precisa mudar.”

Bela acrescentou que a transformação dessa realidade só será possível quando a alimentação saudável for, de fato, acessível a todas as pessoas.

Os alimentos ultraprocessados e industrializados costumam ser mais práticos. Contudo, o preço a ser pago por escolhas alimentares pouco saudáveis e nutritivas pode ser alto no futuro. “Temos que educar nossos filhos e mostrar para eles que é bom cozinhar. Vejo jovens saindo de casa sem saber ao menos fritar um ovo. Serão adultos que ficarão à mercê da indústria alimentícia. Quando criamos pessoas que sabem cozinhar pelo menos o básico, criamos pessoas independentes de uma indústria que, em geral, não pensa em nosso bem-estar”, enfatizou.

‘Comer é um ato político’

Para a chef de cozinha, comer não tem a ver apenas com nutrição. “É um ato político. No entanto, isso acontece quando as pessoas têm a oportunidade de escolher o que vão comer e, muitas vezes, existem pessoas que nem têm o que comer. Por isso, trabalho pela democratização da alimentação saudável e acho muito importante levarmos essa oportunidade para todas as pessoas. Trabalhando em conjunto, pensando em mudanças nas políticas públicas, conseguiremos fazer com que a alimentação saudável chegue a todos”, defendeu.

Durante o encontro no escritório da OPAS, Bela declarou apoio à adoção de um novo modelo de rotulagem frontal dos alimentos, uma proposta da agência das Nações Unidas e outras entidades. As novas embalagens são inspiradas em um padrão utilizado no Chile.

Apresentadora e chef de cozinha defendeu que a alimentação saudável seja acessível para todos. Foto: OPAS/Luís Felipe Sardenberg

Apresentadora e chef de cozinha defendeu que a alimentação saudável seja acessível para todos. Foto: OPAS/Luís Felipe Sardenberg

“Se uma pessoa consumir um refrigerante, vai ver que ele tem um alto teor de açúcar. A batata frita, um alto teor de gordura e sódio. São pequenos avisos que podem fazer toda a diferença, pois mudam a reação do consumidor em relação ao produto. A transparência é muito importante”, ressaltou a apresentadora.

A OPAS acredita que o Brasil se beneficiará com a implementação desse tipo de rotulagem, que permitirá ao consumidor fazer escolhas mais saudáveis. O tema está sendo analisado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), com a participação de diferentes instituições.

OPAS defende novo modelo de rotulagem dos alimentos. Imagem: OPAS

OPAS defende novo modelo de rotulagem dos alimentos. Imagem: OPAS

O organismo regional da ONU defende que os rótulos de alimentos processados e ultraprocessados informem de maneira direta e rápida se o alimento tem excesso de sódio, açúcar, gordura total, gordura trans, gordura saturada e adoçantes. Para isso, a parte frontal da embalagem deve trazer um selo em formato de octógono, com fundo preto e letras brancas, que informe sobre o alto teor desses nutrientes.

“O modelo de advertência frontal permite que o consumidor tome uma decisão crítica sobre os alimentos industrializados. Essas informações são fundamentais para que a população brasileira possa fazer escolhas conscientes sobre aquilo que está comendo”, explica a consultora em nutrição da OPAS, Alice Medeiros.

Esse padrão, que já se mostrou eficaz no Chile e cuja implantação está sendo estudada pelo Uruguai, foi escolhido após diversos estudos científicos e pesquisas de opinião. Levantamentos mostraram que a advertência frontal é a que mais ajuda a população a identificar produtos com excesso de nutrientes críticos.


Fonte: https://nacoesunidas.org/comer-e-ato-politico-diz-bela-gil-pela-democratizacao-da-alimentacao-saudavel/

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