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FAO e secretaria de desenvolvimento agrário assinam acordo de cooperação

17 de Agosto de 2018, 17:01 , por ONU Brasil - | No one following this article yet.
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Parque Nacional das Sempre-Vivas, em Minas Gerais. Foto: Wikimedia Commons/Carolina Teixeira de Melo Franco (CC)

Parque Nacional das Sempre-Vivas, em Minas Gerais. Foto: Wikimedia Commons/Carolina Teixeira de Melo Franco (CC)

Em busca do reconhecimento e da proteção de tradicionais sistemas agrícolas brasileiros, foi assinado na quinta-feira (16) um acordo de cooperação no qual a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) reconhece a Secretaria Especial de Agricultura Familiar e Desenvolvimento Agrário (SEAD) como ponto focal no levantamento e na identificação de candidaturas para o programa de reconhecimento de Sistemas Importantes do Patrimônio Agrícola Mundial (SIPAM).

“O SIPAM é o equivalente ao reconhecimento que a UNESCO dá aos sítios históricos de Patrimônio Mundial da Humanidade. São práticas que têm um diferencial em termos de criatividade, de originalidade, de história e de tradição. Práticas que favorecem comunidades vulneráveis e a biodiversidade do país e, por isso, devem ser reconhecidas e valorizadas”, afirmou Alan Bojanic, representante da FAO no Brasil, durante a assinatura do acordo.

Segundo o representante, são sistemas que atravessaram adversidades ao longo da história e, mesmo assim, foram capazes de manter suas tradições culturais, diversidade agrícola e cumprir uma função ecológica.

Para o secretário especial de agricultura familiar e do desenvolvimento agrário, Jefferson Coriteac, esse acordo de cooperação entre FAO e SEAD trará o reconhecimento mundial da importância das famílias e das comunidades na construção e, especialmente, na perpetuação da cultura tradicional agrícola brasileira.

“A partir do momento que se reconhece a importância dessas práticas, elas ganham uma proteção ainda maior e visibilidade internacional”, explicou Coriteac.

A iniciativa vai ao encontro dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) lançados pelas Nações Unidas na Agenda 2030, como erradicação da pobreza em todas as suas formas (ODS 1), igualdade de gênero (ODS 5), produção e consumo sustentável (ODS 12), vida e ecossistemas terrestres (ODS 15), entre outros.

Atualmente, são 51 patrimônios agrícolas em todo o mundo que possuem este reconhecimento da FAO. Na América do Sul, apenas Peru e Chile possuem sistemas com tal reconhecimento.

No Brasil, a agricultura tradicional dos apanhadores de flores sempre-vivas da Serra do Espinhaço, no território Alto Jequitinhonha em Minas Gerais, está a um passo de se tornar o primeiro patrimônio agrícola mundial brasileiro. Nesta região, vivem comunidades rurais tradicionais que, ao longo de séculos, realizam a coleta de flores sempre-vivas e mantêm o cultivo ancestral de roças e criação de animais.

A candidatura ao selo de Patrimônio Mundial da FAO foi oficializada em junho deste ano, durante o I Festival dos Apanhadores e Apanhadoras de Flores Sempre-Vivas, em Diamantina.

Modo de vida de quilombolas e descentes de indígenas

O sistema agrícola dos apanhadores de sempre-vivas abrange os municípios de Bocaiúva, Olhos D’Água, Diamantina, Buenópolis, Couto Magalhães, Serro e Presidente Kubitscheck.

O sistema representa o modo de vida de cerca de 20 comunidades, entre quilombolas e descendentes de indígenas que se estabeleceram há séculos na região. Nesta primeira etapa, o SIPAM vai abranger apenas os municípios de Diamantina, Presidente Kubitschek e Buenópolis.

As sempre-vivas são espécies características endêmicas do cerrado. As comunidades preservam conhecimentos ancestrais no manejo das flores, no cultivo de roças e na criação de raças caipiras de animais.


Fonte: https://nacoesunidas.org/fao-e-secretaria-de-desenvolvimento-agrario-assinam-acordo-de-cooperacao/

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