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Não posso ser feliz sem ver todas as crianças do mundo com acesso à educação de qualidade, diz ativista síria

16 de Abril de 2018, 17:11 , por ONU Brasil - | No one following this article yet.
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Muzoon Almellehan, embaixadora da Boa Vontade do UNICEF. Foto: ACNUR/Susan Hopper

Muzoon Almellehan, embaixadora da Boa Vontade do UNICEF. Foto: ACNUR/Susan Hopper

Quando Muzoon Almellehan foi forçada a sair de sua casa em Daraa, na Síria, há cinco anos, ela não sabia se poderia continuar estudando no campo de refugiados onde buscaria abrigo, na Jordânia. A jovem, então com 14 anos, decidiu colocar seus livros escolares entre os poucos pertences que levaria em segurança para longe da guerra.

“Eu estava muito preocupada com a educação, a melhor arma para nos ajudar a lutar por nossos direitos e alcançar nossos sonhos”, disse Muzoon em um encontro que reuniu autoridades governamentais, sociedade civil e organizações internacionais em Genebra, na semana passada (10).

Realizado no Palácio das Nações, o encontro “Deixe elas aprenderem: acesso à educação para crianças refugiadas” ocorreu em paralelo a discussões formais na ONU sobre o posicionamento da educação no novo Pacto Global sobre Refugiados.

Muzoon se lembra do alívio e da sensação de esperança que sentiu quando descobriu que poderia frequentar o colégio no assentamento de refugiados de Zaatari, onde logo se tornou uma ativista dedicada a incentivar outras crianças a ir para a escola.

“Quando soube que poderia continuar meus estudos no campo, aquele momento mudou minha vida, me deu esperanças e me fortaleceu. Fez eu ser quem eu sou agora”, afirmou Muzoon, hoje com 20 anos. Ela se mudou para o Reino Unido com sua família e se tornou a mais jovem embaixadora do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF).

“Eu tenho muita sorte de agora morar no Reino Unido com minha família. Mas não posso ser completamente feliz sem ver todas as crianças do mundo com acesso à educação de qualidade. Eu estou lutando por todas as crianças, não apenas pelos refugiados, mas por todas as crianças do mundo.”

Não posso ser completamente feliz
sem ver todas as crianças do mundo
com acesso à educação de qualidade.

Muzoon fez um forte apelo aos governos de todo o mundo, que enviaram delegações para as consultas formais acerca do Pacto Global sobre Refugiados. A educação, segundo a refugiada síria, deve ser colocada no “topo da agenda”.

Em todo o mundo, apenas 61% das crianças refugiadas frequentam o ensino fundamental, em comparação com uma taxa global de 91%. Os dados são de um estudo feito pela Agência da ONU para Refugiados (ACNUR). Menor ainda é a porcentagem de crianças refugiadas que frequentam o ensino médio (23%); quando considerados os adolescentes que não são refugiados ou solicitantes de asilo, o índice chega a 84%. Apenas 1% dos refugiados frequentam a universidade, em comparação com 36% dos jovens no mundo.

“A grande maioria das crianças refugiadas enfrenta uma dupla ameaça: a de perderem suas casas e a chance de estudar”, acrescentou Joseph Nhan-O’Reilly, diretor de políticas de educação da organização Save the Children.

O especialista ressaltou que os refugiados podem enfrentar desafios específicos e pediu que o Pacto Global entre em detalhes sobre as ações práticas que irão “colaborar com a redução da lacuna educacional”, causando um impacto concreto na vida das crianças deslocadas.

Outra conclusão da reunião foi de que é necessário apoio técnico e financeiro adequado para os governos de países que recebem refugiados. Somente com suporte, haverá garantia de que autoridades possam incluir pessoas em situação de refúgio em seus planos nacionais de educação. Participantes do encontro em Genebra também lembraram que refugiados podem precisar de programas intensivos de ensino de idiomas, para se adaptarem às novas escolas.

Volker Türk, alto-comissário assistente para Proteção do ACNUR, observou que “a educação de qualidade é realmente o princípio e o fim de tudo”. O aprendizado, completou o dirigente, “ajuda a proteger crianças refugiadas, dando-lhes esperança no futuro e promovendo a coesão social”.

“Investimentos em educação também podem oferecer oportunidades reais para as comunidades anfitriãs.”

O ACNUR recebeu da Assembleia Geral da ONU a tarefa de elaborar um Pacto Global sobre Refugiados. A formulação do documento está prevista pela histórica Declaração de Nova Iorque para Refugiados e Migrantes, de 19 de setembro de 2016, na qual 193 governos se comprometem a estabelecer um sistema global mais justo para quem se desloca e atravessa fronteiras. Consultas formais estão em andamento e o acordo deverá ser adotado pelos Estados-membros da ONU no final de 2018.


Fonte: https://nacoesunidas.org/nao-posso-ser-feliz-sem-ver-todas-as-criancas-do-mundo-com-acesso-a-educacao-de-qualidade-diz-ativista-siria/

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