Navi Pillay condena a retomada súbita de execuções no Afeganistão
November 21, 2012 22:00 - no comments yet
A Alta Comissária da ONU para os Direitos Humanos, Navi Pillay, expressou hoje (22) sua preocupação com a execução sumária de 14 prisioneiros no Afeganistão nos dias 20 e 21 de novembro, após mais de um ano sem a aplicação da pena de morte no país.
“Sob o direito internacional e as obrigações de tratados do próprio Afeganistão, a pena de morte deve ser reservada para os crimes mais graves e só deve ser aplicada depois de um processo judicial mais rigoroso”, afirmou Pillay. “No passado, falhas no procedimento judicial afegão levantaram sérias questões sobre tais casos”.
As execuções teriam sido aprovadas pelo Presidente, Hâmid Karzai, após uma revisão de 250 casos de presos condenados à morte por uma comissão presidencial. Os 14 prisioneiros executados em Pul-e-Charkhi, nos arredores de Cabul, tinham sido condenados por crimes graves, incluindo assassinato, estupro e crimes contra a segurança nacional. As últimas execuções no Afeganistão haviam sido realizadas em junho de 2011.
O Sistema de Justiça do Afeganistão se baseia principalmente em confissões, incluindo algumas obtidas por meio de tortura, o que levanta sérias preocupações sobre os julgamentos dos que foram condenados à morte, relatou o Escritório do Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos (ACNUDH). Além disso, a ONU tem sinalizado repetidamente o fracasso do país em cumprir os padrões internacionais de um julgamento justo e garantias do devido processo legal sob a lei afegã.
A retomada das execuções no Afeganistão vem em acentuado contraste com a tendência geral em todo o mundo para acabar com o uso da pena capital. Apenas dois dias atrás, um recorde de 110 países votaram a favor da resolução mais recente Assembleia Geral pedindo a abolição da pena de morte.
Navi Pillay expressou ainda sua decepção com a execução na Índia de Mohammad Ajmal Amir Qasab, que foi condenado por seu papel no ataque terrorista em Mumbai em 2008. Esta foi a primeira execução realizada na Índia desde 2004.
“Espero que a Índia também se mova no sentido da abolição total [da pena de morte]“, declarou a chefe de direitos humanos da ONU.
Refugiados palestinos no Líbano enfrentam condições de trabalho abusivas, alerta OIT
November 21, 2012 22:00 - no comments yet
Os refugiados palestinos que vivem no Líbano encontram emprego apesar das barreiras legais e administrativas, mas enfrentam condições de trabalho abusivas, de acordo com um novo estudo da Organização Internacional do Trabalho (OIT) e da União Europeia.
Os palestinos recebem uma remuneração 20% inferior à dos trabalhadores libaneses que realizam o mesmo trabalho. Seu salário mensal médio é inferior ao salário mínimo libanês de 450 dólares americanos.
Dado que a maioria dos palestinos não têm uma formação suficiente e carece de qualificação, eles ganham a vida como trabalhadores ocasionais em empregos mal remunerados no comércio e na construção. Poucos são os que têm um verdadeiro contrato de trabalho e quase nenhum tem acesso à cobertura de saúde, férias pagas ou licenças remuneradas de saúde.
Cerca de 28 mil refugiados palestinos vivem em 12 campos de refugiados e 42 acampamentos não oficiais no Líbano.
Emendas legais não tiveram qualquer efeito
Em agosto de 2010, o Parlamento libanês modificou a legislação do trabalho e da seguridade social a fim de facilitar a concessão gratuita de vistos de trabalho aos palestinos e de permitir-lhes o acesso às indenizações por fim de contrato.
No entanto, menos de 2% dos refugiados palestinos obtiveram uma licença de trabalho desde 2010. A maioria se dedica a ofícios que não necessitam de licenças ou muitos ainda desconhecem os procedimentos para regularizar sua situação. Além disso, a legislação libanesa ainda proíbe aos palestinos exercer certas profissões e exige-lhes um pagamento mais alto por suas contribuições.
Leia o estudo completo (em inglês) clicando aqui.
Ban Ki-moon saúda assinatura de acordo para as forças de paz em Abyei
November 21, 2012 22:00 - no comments yet
O Secretário-Geral da ONU, Ban Ki-moon, saudou a assinatura do Acordo sobre o Status da Força (SOFA) para a Força de Paz das Nações Unidas em Abyei, área disputada pelo Sudão e Sudão do Sul. O pacto foi assinado pelo Governo do Sudão em 1 de outubro deste ano e pelo Governo do Sudão do Sul nesta terça-feira (20) e estabelece os direitos da Força de Paz em Abyei, visando a maior segurança possível.
“A assinatura do SOFA deve ajudar a melhorar o cumprimento do mandato da Força de Segurança Interina das Nações Unidas para Abyei (UNISFA) em sua área de atuação, incluindo a liberdade de ações do seu pessoal e dos seus recursos em ambos os países”, disse um comunicado divulgado pelo Porta-voz de Ban Ki-moon.
O Conselho de Segurança criou a UNISFA em junho de 2011 devido ao surto de violência que assolou a região após as tropas sudanesas terem assumido o controle de Abyei. Este fato fez com que dezenas de milhares de pessoas deixassem Abyei semanas antes do Sudão do Sul se tornar um Estado independente do Sudão, em julho de 2011. Na semana passada, o Conselho prorrogou até 31 de maio de 2013 o mandato da UNISFA, que está autorizada a usar a força para proteger os civis e os trabalhadores humanitários na região.
Nos últimos 20 anos, 16 milhões de pessoas deixam de passar fome na América Latina e Caribe, afirma FAO
November 21, 2012 22:00 - no comments yet
Dezesseis milhões de pessoas deixaram de passar fome na América Latina e no Caribe, nos últimos 20 anos, mas este problema ainda afeta 49 milhões de pessoas, afirma o Panorama da Segurança Alimentar e Nutricional na América Latina e no Caribe 2012, a principal publicação do Escritório Regional da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), divulgado hoje (22).
De acordo com o Panorama, o crescimento econômico não resultou numa redução correspondente à vulnerabilidade a qual é exposta uma parte significativa da população da região. “Enquanto a América Latina e Caribe é a região que tem reduzido mais a fome no mundo, nos últimos anos esta tendência diminuiu com o impacto das crises econômicas”, disse o Diretor de Políticas da FAO, Adoniram Sanches.
Fome e desnutrição na América Latina e no Caribe
De acordo com o Panorama, 8,3% da população da região não ingere as calorias diárias necessárias para uma vida saudável. A fome em nível regional tem caído de forma constante, mas entre 2007-2009 e 2010-2012, apenas 1 milhão de pessoas pararam de passar fome. Nove dos 33 países da região têm uma taxa de prevalência da fome abaixo de 5%, enquanto em 16 outros a taxa é superior a 10%.
Os países mais afetados pela fome na região são o Haiti (com uma prevalência de 44,5%), Guatemala (30,4%), Paraguai (25,5%), Bolívia (24,1%) e Nicarágua (20, 1%).
Muitos dos países reduziram a proporção de pessoas com fome, incluindo o Brasil, onde a fome caiu fortemente em termos absolutos e relativos. Cuba, Argentina, Chile, México, Uruguai e Venezuela conseguiram erradicar o flagelo da fome, enquanto os países do Caribe como a República Dominicana, o Haiti e Guatemala estagnaram ou retardaram a redução da fome.
O crescimento econômico e a redução da pobreza
“Isso não é explicado pela produção insuficiente ou falta de abastecimento de alimentos, mas sim principalmente devido à falta de acesso ao alimento por uma parte significativa da população que não tem renda suficiente para comprá-lo”, disse Sanches.
Os dados mostram que, enquanto em alguns países da região a redução dos índices de pobreza durante a crise foi maior do que a média regional, como é o caso da Argentina, Peru e Brasil, em outros, como Honduras, México e Venezuela a crise atenuou o processo de redução da pobreza.
De acordo com o Panorama, durante a última década, a região passou por um período dinâmico de crescimento econômico e redução da pobreza. Esta redução se deve a uma combinação de maiores ganhos e expansão das transferências públicas. No entanto, a América Latina e o Caribe ainda mostram níveis muito elevados de desigualdade em relação a outras regiões do mundo.
No passado recente, os governos têm implementado maiores gastos públicos, com um forte componente social, impulsionando o investimento em infraestrutura e aumentando as transferências de renda, que serviram como fator anticíclico quando a demanda doméstica foi pressionada, seja por preços mais elevados ou pela baixa atividade econômica.
“Quando essas políticas foram implementadas com visão estratégica, conseguiram efeitos estruturais, e têm funcionado como fatores de redistribuição de renda em sociedades caracterizadas pela desigualdade”, disse Benitez.
Em alguns casos, a ajuda alimentar se torna institucionalizada como parte de uma estratégia de proteção social. A República Dominicana mantém refeitórios públicos, enquanto o Brasil fornece restaurantes populares e cozinhas comunitárias nas áreas mais vulneráveis. Na Guatemala, por sua vez, se lançou recentemente o programa ‘bolsa de segurança’, que leva os alimentos para as famílias mais afetadas pela insegurança alimentar.
Por outro lado, as políticas de ajuda alimentar também se materializam através de alimentação escolar. Esses programas muitas vezes mantem as sinergias com os setores produtivos para alimentar o estoque para sua operação. Um caso em questão é o Brasil que, através dos seus programas de compras, como o ‘Programa de Aquisição de Alimentos’ ou diretamente através do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), destina à agricultura familiar uma porcentagem significativa de suas compras para a alimentação escolar.
Comércio alimentar da região
A posição da América Latina e do Caribe no comércio internacional de alimentos tem melhorado nos últimos anos, dada a alta dos preços internacionais de seus produtos de exportação, que estimularam o investimento e o crescimento. Um destaque para a segurança alimentar regional é que, durante a última década tem crescido consistentemente o comércio intrarregional, a tal ponto que em 2011 excedeu ligeiramente o peso do comércio com os Estados Unidos.
“Isso mostra que a região pode ser o seu melhor aliado em termos de segurança alimentar, não só em termos comerciais, mas em políticas e experiências de fome que tiveram grande sucesso e se tornaram exemplos para o resto do mundo”, disse Sanches.
O Panorama também postula que a região, como um bloco, deve fazer valer o seu peso na produção e no comércio mundial de alimentos, para influenciar na construção de mecanismos de governança da segurança alimentar e nutricional em todo o mundo e para enfrentar fenômenos como o aumento de preços e crises alimentares. Da mesma forma, é necessário reforçar o apoio às instâncias de integração política e econômica destinadas à segurança alimentar em nível regional.
Relatos de violações cometidas contra crianças durante conflito em Goma preocupa ONU
November 21, 2012 22:00 - no comments yet
A Representante Especial das Nações Unidas para Crianças e Conflitos Armados, Leila Zerrougui, declarou ontem (21) estar profundamente preocupada com a situação das crianças no conflito no leste da República Democrática do Congo.
O avanço do grupo armado M23 em Goma e Sake foi acompanhado por graves violações cometidas contra crianças. “As crianças foram mortas e feridas no fogo cruzado, deliberadamente alvejadas e supostamente recrutadas como soldados”, relatou Zarrougui. “Apelo a todas as partes para que suspendam imediatamente a violência e poupem as crianças do impacto do conflito”.
Nos últimos quatro dias, 16 crianças — incluindo uma de dois anos de idade — foram feridas por balas e explosivos durante confrontos entre o M23 e as forças armadas e serviços de segurança. Ontem, um rapaz teria sido morto por combatentes do M23 em Goma por causa da sua alegada associação com as forças governamentais.
“As crianças, especialmente aquelas anteriormente associadas com grupos armados, vivem em constante medo de recrutamento ou novo recrutamento”, advertiu a representante da ONU. Desde a criação do M23, em maio 2012, as Nações Unidas documentaram 44 crianças recrutadas para as fileiras do grupo armado como combatentes, carregadores, escolta e para fins sexuais.
“A comunidade internacional não pode tolerar uma nova onda de violência contra crianças com impunidade”, afirmou Zarrougui. “O apoio externo aos rebeldes M23 tem que parar, e os responsáveis devem ser julgados nos tribunais nacionais e internacionais.”
A Representante Especial também saudou a decisão do Conselho de Segurança na semana passada de impor medidas específicas contra o líder do M23, Sultani Makenga, inclusive por uso de crianças-soldado. Ela aconselhou ao Conselho a considerar impor sanções adicionais ao agressores.

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