ONU e BRICS promovem conferência em Viena sobre combate à corrupção nos esportes
June 6, 2018 15:32
Para o UNODC, proteger os esportes da corrupção representa um investimento que traz claros benefícios econômicos e sociais. Foto: UNIC Tóquio/Takashi Okano
O Brasil e os demais países que fazem parte do grupo dos BRICS (Rússia, Índia, China e África do Sul) realizam até esta quarta-feira (6) conferência em Viena, na Áustria, sobre corrupção nos esportes. O evento de dois dias, fruto de uma parceria com o Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC), reúne 250 participantes de 60 países.
O objetivo da conferência é facilitar a troca de ideias com o objetivo de proteger o esporte da corrupção. Além disso, os participantes farão recomendações sobre os próximos passos e atividades a serem realizados para o desenvolvimento do trabalho conjunto neste tema.
Para o diretor-executivo do UNODC, Yury Fedotov, os esportes estão em crise no mundo todo devido a escândalos de corrupção endêmica e envolvimento com o crime organizado. Alguns exemplos são a manipulação de resultados de partidas e as apostas ilegais.
Falando na abertura da conferência, Fedotov disse que cada vez mais as pessoas entendem que “proteger os esportes da corrupção representa um investimento, que traz claros benefícios econômicos e sociais”.
Na opinião do diretor-executivo do UNODC, a comunidade internacional precisa promover a integridade e barrar os criminosos que exploram os esportes para ganhos ilícitos. Ele lembrou que as práticas esportivas são uma força para o desenvolvimento e a paz.
Ele ressaltou ainda a importância de entidades como o Comitê Olímpico Internacional (COI) e a Federação Internacional de Futebol (FIFA) para a promoção da integridade dos esportes no mundo. As duas entidades estão participando da conferência.
Em novembro do ano passado, os 183 Estados-membros do UNODC adotaram uma resolução sobre Corrupção no Esporte, que representa um marco para o combate a esse crime .
Brasil perde R$10,5 bilhões em desperdício de água na distribuição, revela Pacto Global
June 6, 2018 15:27
Desperdício de água no Brasil e gestão sustentável dos recursos hídricos são preocupação da Rede Brasil do Pacto Global. Foto: Agência Brasil / Tânia Rêgo
No setor de saneamento básico, o desperdício de água na distribuição causou a perda no faturamento de cerca de 10,5 bilhões de reais em 2016. Volume de água doce jogado fora equivale a 7 mil piscinas olímpicas por dia. É o que revela um estudo encomendado pelo movimento Menos Perda, Mais Água, da Rede Brasil do Pacto Global da ONU. Realizada pelo Instituto Trata Brasil, em parceria com a GO Associados, pesquisa será apresentada amanhã (7), na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP), para a Semana Mundial do Meio Ambiente.
O relatório aponta ainda que, em 2016, o Brasil desperdiçou 38% da água potável, o maior número em relação aos quatro anos anteriores. Os números são ainda mais preocupantes quando comparados com o investimento total realizado pelo setor de saneamento: as perdas no faturamento representaram 92% do investimento total de 11,5 bilhões de reais.
O cálculo foi feito com base na metodologia da International Water Association (IWA), que classifica as perdas em duas categorias: reais e aparentes.
As perdas reais equivalem ao volume de água perdido durante as diferentes etapas do processo – captação na natureza, tratamento, armazenamento e distribuição – antes de chegar ao consumidor final. Já as perdas aparentes, também denominadas perdas comerciais, correspondem aos volumes de água consumidos mas não autorizados nem faturados – decorrentes de fraudes, ligações clandestinas ou mesmo por falhas no cadastro comercial e erros na medição dos hidrômetros.
Uma comparação dos recordes no percentual anual de perdas de água mostra que o Brasil ocupa a 8ª posição no ranking internacional de países. Classificação foi elaborada pela IBNET e utilizou dados de 2012 a 2016.
Situação nas 100 maiores cidades
Entre os cem maiores municípios brasileiros, responsáveis por abrigar cerca de 40% da população do país, o percentual de perdas de água na distribuição é de 39%. Apenas 20% das cidades têm perdas inferiores a 30%. Apenas Palmas (TO) tem o Índice de Perda na Distribuição (IPD) inferior a 15%.
Quando avaliado o Índice de Perda no Faturamento (IPF), 70% das cem cidades têm perdas superiores a 30% e apenas dez municípios apresentam índices iguais ou menores a 15%.
Entre os destaques positivos, Limeira (SP) e Santos (SP) possuem indicadores de perdas na distribuição e no faturamento inferiores a 20%. As taxas de ambas as cidades também tiveram poucas variações.
Eficiência no saneamento
Numa projeção de três cenários para a redução nas perdas de água, o estudo definiu para 2033 quedas da média nacional de desperdício para 15% (cenário otimista), 20% (base) e 25% (conservador). De acordo com o levantamento, caso o índice de perdas de água diminua para 20%, é calculado um ganho bruto de 59,2 bilhões de reais até 2033.
Para alcançar estas metas, o estudo do movimento Menos Perda, Mais Água traz um conjunto de estratégias e recomendações. Confira abaixo:
- Criar contratos com incentivos e foco na redução de perdas, como contratos de performance, parcerias público-privadas e parcerias público-público;
- Direcionar maior financiamento para ações dessa natureza. Há uma necessidade de aumentar o financiamento para programas de redução de perdas no âmbito federal;
- Gerenciar o controle de perdas: implementação de planos de gestão de perdas baseados no conhecimento do sistema, indicadores de desempenho e metas preestabelecidas;
- Entender as dificuldades para a setorização dos sistemas de abastecimento, acompanhado de um plano de médio e longo prazo com ações para o controle;
- Aumentar o índice de hidrometração dos diversos sistemas e utilizar hidrômetros de maior precisão;
- Melhorar a macromedição nos sistemas de abastecimento de água para permitir uma melhor aferição dos indicadores de perdas;
- Criar e monitorar programas de redução de perdas sociais com a participação dos atores envolvidos;
- Replicar experiências exitosas de operadores públicos e privados nas regiões mais deficitárias, especialmente as regiões Norte e Nordeste, onde se situam os maiores desafios.
Publicação estimula debate sobre espaços urbanos resilientes e sustentáveis
June 6, 2018 15:08
Foto: Luiz Martins
Para promover o debate e a compreensão sobre temas específicos da Agenda 2030, o Grupo Assessor do Sistema ONU no Brasil, em parceria com a ONU-HABITAT, lançou na terça-feira (5), em Maceió (AL), o Glossário do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 11 – Cidades e comunidades sustentáveis. O documento apresenta termos e definições que dialogam com as metas do ODS 11 e pretende servir de subsídio para o debate entre instituições e indivíduos sobre políticas públicas.
O documento traz definições sobre habitação adequada, segura e a preço acessível, transportes seguros, urbanização inclusiva e redução de impacto ambiental. A publicação também destaca conceitos sobre relações econômicas em áreas urbanas, redução do impacto ambiental, gestão de resíduos municipais, entre outros.
Especialistas das Nações Unidas organizaram, de forma colaborativa, as definições e as referências presentes no glossário. No entanto, os conceitos apresentados na publicação pretendem ser uma proposição inicial e não esgotam os temas.
“A Agenda 2030 reconhece o papel fundamental dos governos locais e regionais na promoção do desenvolvimento sustentável, e esse glossário dialoga diretamente com essas esferas para a ‘localização’ dessa Agenda”, disse o coordenador-residente do Sistema ONU no Brasil e representante-residente do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) no país, Niky Fabiancic.
“Localização” refere-se tanto à forma como os governos locais e regionais podem apoiar a realização dos ODS por meio de ações “de baixo para cima”, quanto à forma como os ODS podem fornecer um arcabouço para uma política de desenvolvimento local.
Segundo a oficial nacional para o Brasil da ONU-HABITAT, Rayne Moraes, esse foi o primeiro glossário lançado na região Nordeste, reconhecendo que todas as cidades e assentamentos urbanos têm que ser contemplados com políticas inclusivas.
Desde a entrada em vigor da Agenda 2030, o Grupo Assessor da ONU no Brasil já lançou, além do glossário do ODS 11, publicações referentes aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável 5 (Igualdade de gênero), 13 (Ação contra a mudança global do clima), 9 (Indústria, inovação e infraestrutura), 6 (Água potável e saneamento) e 7 (Energia limpa e acessível).
Na avaliação do assessor sênior do PNUD e copresidente do Grupo Assessor da ONU no Brasil para a Agenda 2030, Haroldo Filho, apresentar a definição de termos específicos para cada ODS é ferramenta fundamental para a formulação de políticas públicas com enfoque no desenvolvimento sustentável.
“Esses glossários constituem relevante ferramenta de apoio à compreensão integrada dos temas da Agenda 2030. Conhecer os conceitos por trás do compromisso firmado pelos países na Cúpula do Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas, em setembro de 2015, é fundamental para embasar a formulação de políticas, além de guiar sua implementação e acompanhamento ao longo dos próximos anos”, declarou.
Clique aqui para baixar o glossário do ODS 11.
Clique aqui para acessar as outras publicações.
UNAIDS lança plano de ação sobre empoderamento e direito das mulheres na organização
June 6, 2018 14:49
O UNAIDS lançou o novo Plano de Ação sobre Gênero 2018-2023, que prevê ampliar o empoderamento e os direitos das mulheres na organização. Foto: ONU Armênia
O Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/AIDS (UNAIDS) lançou nesta quarta-feira (6) seu novo Plano de Ação sobre Gênero 2018-2023. A iniciativa se baseia no progresso alcançado no plano anterior, encerrado este ano, que forneceu uma estrutura para a promoção da igualdade de gênero e do empoderamento das mulheres em todo o secretariado da entidade.
Cerca de 54% dos funcionários do UNAIDS são mulheres, e seu secretariado alcançou a paridade de gênero entre funcionários do nível P4 (gerência intermediária) e acima. O aumento do número de mulheres em cargos de liderança tem acontecido entre diretores de países — em 2018, as mulheres representam 48% dos diretores de países do programa da ONU, enquanto em 2013, esse percentual era de 23%.
O UNAIDS também desenvolveu um Programa de Mentoria para Mulheres e um Programa de Liderança para Mulheres.
“O Plano de Ação sobre Gênero vai além da paridade — é sobre empoderamento e direitos”, disse Michel Sidibé, diretor-executivo do UNAIDS. “A equipe é o principal recurso das Nações Unidas e eu me comprometo a garantir recursos, programas e apoio para empoderar todos os funcionários do UNAIDS para melhorar a vida das pessoas vivendo com HIV e afetadas pelo vírus”.
O desempenho do programa da ONU dentro do Plano de Ação para a Igualdade de Gênero e o Empoderamento das Mulheres das Nações Unidas tem reconhecido. O UNAIDS é a única entidade das Nações Unidas em total cumprimento com todos os 15 indicadores de desempenho.
O novo plano baseia-se nesse progresso, ao mesmo tempo em que estabelece novas e ambiciosas metas. “O Plano de Ação sobre Gênero do UNAIDS é uma ferramenta para a mudança”, disse Gunilla Carlsson, diretora-executiva adjunta do UNAIDS.
“Uma ferramenta para ajudar a criar um local de trabalho que maximiza o poder positivo da igualdade e da diversidade, onde mulheres e homens podem seguir uma carreira gratificante, livre de discriminação e assédio de qualquer tipo. Tenho orgulho de lançá-lo como parte do plano de cinco pontos para prevenir e enfrentar o assédio no UNAIDS.”
O Plano de Ação sobre Gênero do UNAIDS estabelece quatro metas:
Meta 1: paridade de gênero de 50:50 em todos os níveis e categorias de funcionários.
Meta 2: 100% dos funcionários, em todos os níveis, devem definir um objetivo de trabalho e aprendizado sobre gênero.
Meta 3: 100% da equipe feminina elegível deve participar do Programa de Liderança para Mulheres e 100% da equipe elegível do UNAIDS deve participar do Programa de Mentoria para Mulheres.
Meta 4: 100% de cumprimento do Plano de Ação para a Igualdade de Gênero e o Empoderamento das Mulheres das Nações Unidas 2.0.
Para alcançar essas metas e garantir uma cultura organizacional que defenda plenamente a igualdade e a diversidade de gênero, o secretariado do UNAIDS fará relatórios regulares e transparentes para todos os funcionários sobre progressos e desafios, além de reportar à junta de coordenação do programa.
Também será criado um “grupo de desafios”, composto por funcionários de toda a organização, que serão encarregados de impulsionar o progresso e responsabilizar a liderança do UNAIDS pela implementação do plano.
ONU diz que crianças migrantes estão sendo separadas de seus pais na fronteira sul dos EUA
June 6, 2018 13:12
Família cruza fronteira sobre o Rio Grande, que conecta Reynosa, no México, e McAllen, no Texas, Estados Unidos. Foto: UNICEF/Adriana Zehbrauskas
A atual política dos Estados Unidos de separar crianças pequenas de seus pais migrantes ou requerentes de refúgio ao longo da fronteira sul do país “constitui-se uma violação dos direitos da criança”, disse o Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH) na terça-feira (5).
Desde outubro do ano passado, centenas de crianças — incluindo um bebê de 12 meses — foram separadas de suas famílias enquanto seus pais cumpriam pena por terem entrado nos EUA ilegalmente ou aguardavam detidos enquanto seu pedido de refúgio era processado, disse a porta-voz do ACNUDH, Ravina Shamdasani, durante coletiva de imprensa em Genebra.
A porta-voz afirmou que, uma vez separadas de seus pais, as crianças são frequentemente transferidas para o Escritório de Reassentamento de Refugiados dos EUA, e que são feitos esforços para encontrar “guardiões temporários” para elas.
Ela disse que o ACNUDH recebeu informações de casos ocorridos a partir de outubro do ano passado; apesar de a política ter começado em janeiro de 2017, quando o presidente Donald Trump, recém-empossado, emitiu duas ordens executivas relacionadas à migração.
A atual separação das crianças de suas famílias “é uma consequência direta dessa decisão”, disse a porta-voz do ACNUDH, acrescentando que a política é aplicada a requerentes de refúgio e outros migrantes em “situação de vulnerabilidade”.
De acordo com a porta-voz do ACNUDH, graças à atuação de movimentos de direitos civis nos EUA, uma ação coletiva foi impetrada pela União Americana pelas Liberdades Civis em nome de centenas de pais — principalmente de países da América Latina e Central — que foram separados de suas crianças.
Shamdasani afirmou que não há nada de “normal em prender uma criança” e que “nunca é do melhor interesse da criança e sempre se constitui uma violação de seus direitos”.
Sobre entrar no país “sem os documentos certos”, a porta-voz do ACNUDH declarou que isso não deve ser considerado uma ofensa criminal, muito menos justificar a detenção de crianças.
Quando seus pais são libertados, as crianças se reúnem com eles e são deportadas de volta ao país de origem. Para a maioria, isso significa retornar a Honduras, Guatemala e El Salvador, onde “crescente insegurança e violência” as forçou a fugir, disse a porta-voz do ACNUDH.
Pedindo que os EUA acabem com essa prática, Shamdasani disse que o país “geralmente leva os direitos das crianças em alta conta”.
Embora seja o único Estado-membro da ONU a não ratificar a Convenção sobre os Direitos da Criança, os EUA assinaram o acordo internacional e ratificaram outros, o que significou obrigações legais para com as crianças, explicou o porta-voz do ACNUDH.
Também presente em Genebra, um porta-voz da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) disse que estava acompanhando de perto a situação na fronteira sul dos EUA, mas não tinha informações sobre se o número de pedidos de refúgio haviam mudado significativamente desde o ano passado.







