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Blog do Bertoni

3 de Abril de 2011, 21:00 , por Desconhecido - | 1 person following this article.
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Os ráquis de Moro e a burrice brasileira!

28 de Julho de 2019, 10:01, por Bertoni

Republico aqui artigo de Manoel Neto que recebi de um amigo pelo Telegram.

No geral, com este artigo Manoel sistematiza o que já venho conversando com vários amigos e, principalmente, no trabalho de formiguinha que faço junto a porteiros, garçonetes, atendentes, manobristas, diaristas, motoboys e outros trabalhadores precarizados que se acham livres por não terem direitos trabalhistas nem horários fixos de trabalho...

Infelizmente, o camarada publicou isso naquela rede hegemônica, fonte de dados da direita norteamericana e seus serviços de espionagem, vigilantismo e bisbilhotismo.

Então, para você que não frequenta lugares perigosos, disponibilizo aqui o artigo do Manoel.

Trechos do texto em laranja são destaques desta edição.

Ráquis russos de araraquara

 

A Caixa de Pandora. Ou o exibicionismo matou a esquerda ingênua.

Por Manoel Neto

Resumo do caso, da Vaza Jato aos Hackers de Taubaté.

O The Intercept, teve acesso ao vazamento de conversas de membros do judiciário (não de autoridades do governo), em diálogos ocorridos entre 2016 e 2018 que sempre envolveram de alguma forma Dalagnoll e o juiz Sérgio Moro com membros do Ministério Público Federal no Paraná.

Esses vazamentos, ao que tudo indica, foram entregues ao jornalista de renome internacional Glenn Greenwald, do The Intercept, ainda em 2018. A manobra entre Jean Willys e David Miranda, marido de Glenn Greenwald, para assumir mandato federal, levantam suspeitas nesse sentido, pois ao que tudo indica foi de caso pensado e se foi, ocorreu há mais de um ano.

No mês de maio de 2019, Gleen procurou a Globo para fazerem o lançamento da série de artigos em conjunto, não tendo acordo, forçando o The Intercept, num primeiro momento, fazer solo as matérias. Logo, Folha, Veja, Reinaldo Azevedo e outros somaram nos esforços, confirmando a existências de milhares de comunicações autênticas.

Uma semana depois da reunião entre Glenn Greenwald e Globo, Moro declara ter sido hackeado, ato que teria ocorrido supostamente 6 de junho de 2019, mas a qual não entregou celular para perícia e não pode ser confirmado.

O suposto hacker na mesma época liga para Manuela D´avila, que não vendo se tratar de uma falseflag, armada provavelmente pelo próprio Moro, ouve e acredita no suposto hacker e dá o contato de Glenn Greenwald ao farsante.

Na mesma época, o The Intercept, que já tinha o material em mãos anteriormente ao suposto hackeamento do celular de Moro, passa a publicar série de artigos com vazamentos.

Moro, primeiro declara que não pode confirmar, depois assume que podem existir, mas não confirma a veracidade das declarações que ele e outros teriam feito, e diz que se existirem não tem nada demais (ainda que viole o código de ética da magistratura), para em seguida, surgir com a tese dos "hackers", tentando o enquadramento de crime contra a segurança nacional.

Nessa tese, ele aproxima o caso de crime, manda investigar os jornalistas o que viola a constituição, artigo 5, mudando os fatos de vazamento para imprensa, de atos terroristas, violação da segurança nacional, buscando relacionar o caso ocorrido no Paraná há 3 anos, com o atual governo, algo que é absurdamente fantasioso e inverossímil.

Para este fim de propaganda, uma conta no twitter O Pavão misterioso surge com documentos claramente forjados atribuindo a invasão a um dos hackers mais procurados do mundo chamado Slavic, onde alegam que The Intercept, Jean Willys, David Miranda e outros estariam envolvidos numa conspiração, onde teriam atacado autoridades, cometido crimes contra a segurança nacional e vazado material adulterado. Bastava ter escrito no editor de texto se quisessem adulterar conversas, escrever qualquer coisa e publicar, alegando ser do Moro. Versão que deixa essa história cada vez mais sem pé nem cabeça.

Surgem alegações de que esses hackers teriam invadido o Telegram, que nem o serviço secreto do Putin conseguiu, tanto que ao se recusar de entregar dados de usuários do aplicativo ao governo, o Telegram se tornou ilegal naquela nação e seus proprietários, para aumentar sua reputação, criaram prêmio de 300 mil dólares para quem conseguir invadir a criptografia do aplicativo.

Em seguida, Moro acuado e visivelmente perturbado nas audiências públicas que participou, some, vai para os EUA com agenda secreta. Retorna e uma semana depois são presos supostos hackers.

Um dos "hackers" é bolsonarista e fez campanha eleitoral, o outro filiado no DEM, ainda que tenha apelido de "vermelho", motivo provável da escolha dele pra bode expiatório.

Todos tem fichas policiais, condenados por porte de armas, tráfico, pequenos golpes que não exigem muito conhecimento. Ainda assim, sem acesso a tecnologia e nem qualificação saem declarando ter hackeado números de mil autoridades.

Um deles, o DJ, diz ter visto em tela uma conversa de Moro, e abalado, confirma às autoridades ter alertado o amigo do risco, mas que não teria participado.

Moro se recusa em confirmar a lista das tais 1.000 autoridades citadas, que não tem relação com a Lava Jato, nem com Vaza Jato, mas com o atual governo, PSL, e DEM e o presidente, portanto, não tendo um assunto relação com o outro.

Os supostos hackers, pretendiam segundo os advogados vender para o PT, sendo eles um do DEM e outro bolsonarista, uma versão que nem criança aceitaria. Se o objetivo era dinheiro, porque venderiam aos inimigos da esquerda, ao invés de ganhar o prêmio de 300 mil dólares do Telegram?

Em seguida, declaram ter entregue o material ao Glenn Greenwald de forma anônima e que conseguiram o contato do jornalista com a Deputada Manuela D´avila (PCdoB-RGS).

Os advogados já declararam que os hackers tem problemas psiquiátricos, familiares se dizem surpresos. Claro que estão, afinal, precisa ser pós doutor no MIT e um dos 10 maiores gênios do mundo para quebrar com a criptografia do Telegram.

Os familiares não ficaram surpresos pelo hackeamento, mas porque o golpe é inverossímil. Primeiro, porque fere as posições políticas dos mesmos, segundo, porque todos ali sabem que eles não tem essa capacidade. São meros trambiqueiros de uma das regiões mais pobres da cidade insignificante do interior paulista, pegos diversas vezes em pequenas armações, portanto pessoas com capacidade intelectual limitada para serem os responsáveis por invasões dignas de gênios.

Ainda assim, a PF e Moro sustentam, que a esses trapalhões de Araraquara, que sequer conseguem proteger os próprios IPs e foram facilmente localizados pela PF, são os "hackers", uma piada que tomou conta de listas de hackers, desenvolvedores, programadores, e mesmo profissionais tecnólogos de TI de operadoras telefônicas, até lojistas de consertos de celulares, todos estão abismados com a ofensa a inteligência coletiva.

Esses hackers de Taubaté, ops, digo, Araraquara, no máximo conseguem movimentar bitcoins, ligar o celular, baixar apps pela playstore. Mas e quanto a clonar cartão de crédito? Bem isso, se encontra em tutoriais que se encontram até no Youtube, feitos por adolescentes de 12 anos em alguma comunidade pobre no RJ. Golpes de cartões, são 1000 x mais fáceis do que lidar com criptografia, que somente Alan Turing conseguiria.

Diante desta farsa Dantesca, o vermelho, não é comunista, o DJ é bolsonarista, o Pavão é Carlito, mentiu que o "hacker" era Russo, os celulares supostamente hackeados não tem relação com a Vaza Jato publicados pelo The Intercept.

O The Intercept está agindo na lei, protegidos pela constituição, e Moro perdeu a mão ignorando que fere a República e a democracia agindo em causa própria, criando novas mentiras para sustentar as velhas.

E Manuela D´avila nessa história? Não viu que o hacker, não era hacker, deu um contato, que consta da própria página do site The Intercept, e sem notar que estava de frente de uma Falseflag, que mudava a narrativa do jornalismo que revelava erros de conduta do ex juíz para crime contra a segurança nacional, acabou acreditando que este suposto hackeamento alardeado pela PF seria verdadeiro.

Manu, a Poliana Socialista padrão UJS, muito movimento (Gramsci), pouca capacidade de analise dialética (Marx), acreditando, que teria feito um bem ao fazer ponte do anônimo "hacker" com o jornalista que revelou a farsa de Moro contra Lula, vendo que seu papel seria relevante nessa história, ao ser supostamente citada como articuladora da defesa da inocência de Lula, confirma ingenuamente essa versão, do "hacker", fora do tempo. Posto que a ligação de um hacker em junho de 2019, de materiais que já estavam nas mãos de Glenn Greenwald anteriormente, revelam, que a ligação foi uma armação que ela caiu.

O que Manu não viu, é que este tal hacker, não tendo nada com o caso do The Intercept, na verdade estaria fazendo acordo de delação premiada com a PF, para serem inocentados dos crimes em que já são condenados, assumindo novos, mas imputando aos vermelhos e ao The Intercept crimes que não cometeram. Só precisavam de alguém inocente para confirmar uma ligação, que comprovasse a narrativa.

O que ela ainda não entendeu (nem o PT, PCdoB, etc) é que toda essa farsa foi criada, para mudar a narrativa e os fatos, apontando para ligação dos comunistas com suposto crime contra a segurança nacional, relacionado ligações entre The Intercept e supostos criminosos, que teriam supostamente invadido o celular até do Presidente, fatos que em nada tem relação com a Vaza Jato. Portanto, não pretendem assumir as falas ditas por Sérgio Moro (2016-2018), que provariam inocência de Lula, ou ao menos, que o julgamento foi parcial, mas mudar a história, para crimes terroristas contra a segurança nacional (2019).

Então, na pressa de assumir liderança na relação entre hackers e The Intercept, pensando que com isso iria provar de que mensagens são verdadeiras e de que Lula seria inocentado, (Manu) se antecipou e sem pensar, revelou que certo dia teria recebido ligação de supostos hackers, e que sim, queriam o contato de Glenn Greenwald.

O que fez foi macular a isenção e seriedade de Glenn Greenwald, associando a esquerda a criminosos comuns no caso do vazamento que até aqui era legítimo. Deu munição para o governo e população para condenação e criminalização da esquerda.

O problema é que ao abrir essa conexão, entre ela, hacker e The Intercept, não deve ter lido a portaria 666 de 25 de julho de 2019, onde Moro cria a expulsão em rito sumário, sem processo, de estrangeiros do Brasil por simples suspeita de crimes contra a nossa constituição.

Não deve ter lido também as leis e decretos recentes e aquelas que estão tramitando no congresso, que criminalizam movimentos sociais, e que tentam enquadrar partidos e movimentos vermelhos como terroristas.

Manu, abriu a caixa de Pandora, achando que estava recebendo um presente, algo que poderia usar perante seus eleitores e os Lulistas. Mas o que ela fez, foi dar as armas ao Moro, para a criação dos atos institucionais, do novo regime autoritário que surge.

Quem conta para ela?

*A esquerda ainda não entendeu a Guerra Híbrida, sua dinâmica, e enquanto não fizer essa capacitação, seguirá sendo o tempo todo pautada, e perdendo todas as batalhas, por erros grosseiros de estratégia e desconhecimento.



Decanse em paz, Camarada Lúcio Bellentani!

19 de Junho de 2019, 13:49, por Bertoni

Fiquei sabendo pelo Zacharias*, um amigo de Moscou, que o camarada Lúcio Antonio Bellentani faleceu nesta madrugada de 19 de junho de 2019.

Lucio bellentani

Conheci Lúcio na fábrica da Ford Ipiranga, onde ambos trabalhávamos. Ele um ferramenteiro experiente e eu um garoto de SENAI fazendo meu primeiro estágio prático na fábrica. Sem me conhecer, nosso chefe nos colocou para trabalhar juntos. Eu já sabia quem era Lúcio e o que ele estava organizando na fábrica. Ele não me conhecia. E logo no primeiro diálogo o moleque de 15 anos pergunta ao velho ferramenteiro:

- Diz uma coisa, Lúcio, você é prestista, comunista, petista, social-democrata ou eurocomunista. 

Trostskista ou igrejeiro eu já sabia que ele não era.

"Caraio, muleque, que papo é esse?", respondeu Lúcio intrigado com questionamento na lata vindo de um moleque de SENAI.

Discutimos cada um dos conceitos e conversamos horas a fio sobre o que rolava no mundo, no sindicalismo e, claro, sobre o processo de organização e conquista da Comissão de Fábrica dos Trabalhadores na Ford, da qual Lúcio era coordenador e um dos articuladores do movimento que levou os trabalhadores do chão de fábrica a se organizar e conquistar seu instrumento de luta e representação sindical no local de trabalho.

Vivíamos ainda a ditadura militar, em sua fase de distensão, a tal da abertura lenta gradual e segura como diziam os milicos. A mesma ditadura que prendeu e torturou Lúcio Bellentani e que lhe deixou sequelas psicológicas como ele sempre nos contou e conta no vídeo abaixo.

Aprendi muita coisa com Bellentani. Militamos na mesma trincheira durante anos, em 1987 fui eleito secretário da Comissão de Fábrica dos Trabalhadores na Ford na chapa encabeçada por Lúcio e Peninha, respectivamente, coordenador e vice. Juntos organizamos no mesmo ano a primeira greve dos trabalhadores na recém criada Autolatina, quando denunciamos os planos de desindustrialização promovido pelas montadoras Ford e VW, a remessa de lucros para o exterior e a desqualificação da mão-de-obra brasileira com a eliminação de postos de trabalho em áreas que exigiam profissionais altamente qualificados, como a modelação e ferramentaria.

Tivemos divergências. E não poucas. Mas sempre soubemos respeitar os saberes de cada um e lutar pelo objetivo comum da classe.

A visão de futuro e os medos de Lúcio seriam responsáveis pela minha mudança para Moscou, onde conclui o bacharelado e mestrado em Filosofia Social, discutindo com os soviéticos/russos o futuro da organização dos trabalhadores, da indústria e da economia a partir das mudanças que ocorriam no mundo do trabalho devido à aplicação das chamadas filosofias japonesas de administração, tema que aprendi na fábrica e passei a estudar estimulado pelo camarada Lúcio Antonio Bellentani.

O velho também cometia erros e não poucos. Na acima citada greve, convenceu a companheirada a estender o movimento por mais uma semana. Tomamos um preju. Anos mais tarde, tomaria a decisão de deixar a oposição sindical metalúrgica e se juntar à pelegada que controlava o Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo. Divergimos por isso também. Embora tenha prometido, nunca me contou quais foram seus verdadeiros motivos para aquela mudança de lado. Ele sabia que discordava da decisão de se juntar ao pelegos de Sampa, mas não deixamos de debater temas que nos eram importantes. Sempre que nos encontrávamos conversávamos sobre política e sindicalismo.

Anos mais tarde Lúcio seria uma das peças chaves na denúncia contra a VW mostrando que a transnacional alemã colaborou com regime civil-militar brasileiro instaurado em 01 de abril de 1964. Me orgulhava muito em saber que Bellentani e Sebastião Neto estavam trabalhando juntos nesta empreitada, uma prova de maturidade política e de consciência de classe.

O mesmo já não posso dizer de outros que se acham bagaraio, mas não tem a mesma dignidade e companheirismo. Fiquei sabendo da morte do camarada Lúcio através de um amigo de Moscou. Antes de escrever este artigo, chequei meus e-mails, redes sociais, caixas de mensagens e não havia uma só mensagem,  um só recado, avisando sobre a morte de Lúcio. Isso mesmo, não houve um brazuka sequer que se desse ao trabalho de me avisar, para que pudesse me deslocar até São Paulo e prestar as últimas homenagens a Lúcio, afinal não moro mais na República Paulistana. Não fosse o Zacharias, estaria sem saber até o momento. E, claro, um dito muito popular no chão de fábrica não sai da minha cabeça neste momento: "Companheiro é companheiro, feladaputa é feladaputa."

Lucio foi um camarada. Zacharias é outro. Os demais que busquem para si mesmos o adjetivo que lhes pertence.

Obrigado, Zacharias por ter me avisado e possibilitado este artigo.

Obrigado, Lúcio por tudo que me ensinou, por teus erros e acertos, pelas longas conversas e reuniões. Aproveite agora, companheiro, para desfrutar a paz que os milicos te tiraram em 1972. Descanse em Paz.

Seguimos na luta!

Avanti, popolo!

 

* Conheci Zacharias em São Paulo, no inverno de 1990, um pouco antes dele embarcar para Moscou. Nesta época ele não conhecia Bellentani pessoalmente. Conversaríamos muito sobre as oposições sindicais metalúrgica e eletricitária, sobre a organização dos trabalhadores, sobre os pelegos dos sindicatos e sobre a necessidade da organização de base dos trabalhadores. Obviamente, Zacharias não é o nome do companheiro moscovita. É o apelido que lhe demos quando a Moscou chegou. Como ele achava tudo lindo e maravilhoso na decandente URSS, nós o apelidamos assim por causa de um comercial de uma rede de lojas de pneus, cujo bordão era "o Zacharias é uóóóóótimo". E mais uma vez o companheiro Zacharias comprovou que ele é uóóóóótimo. Valeu, parça! #tamojunto

PS.: Estava terminando este artigo quando tocou o meu celular. Era George Patrão, sim este é o sobrenome dele, ex-funcionário da Ford que trabalhou no departamento de treinamento na época que eu estudava no SENAI e anos mais tarde viria a ser gerente de RH da empresa norteamericana. Pois, foi um ex-representante da empresa a segunda pessoa a me avisar da morte de Lúcio Antonio Bellentani...



Troque seu adesivo!

10 de Junho de 2019, 7:25, por Bertoni

The real 171



Libre Software

14 de Maio de 2019, 12:33, por Bertoni - 0sem comentários ainda

Este artigo foi escrito em 08 de agosto de 2018​​, mas somente agora me pareceu que valia a pena publicar…

Em 2012 eu vaticinei o fim do movimento software livre: a geração Ubuntu havia dominado praticamente todos os espaços. Nesses 6 anos o cenário piorou, e muito. Finalmente, todos os objetivos da OSI se concretizaram, ou seja, Open Source sobrepujou o Free Software como termo de uso regular para definir programas de computador com código livre, a fagocitose das comunidades e seus expoentes pelo mercado e suas empresas, a lógica do desenvolvimento colaborativo para reduzir custos, a remoção do ranço filosófico do movimento e o enfraquecimento contundente dos poucos defensores remanescentes da velha escola filosófica do GNU.

Numa tentativa de reação um pequeno grupo de pessoas fez um contraponto contundente mostrando que Open Source e Software Livre não são a mesma coisa. A metodologia era clara: denunciar os falsos ativistas que propagam a filosofia Open Source dizendo se tratar de Software Livre – os OSIstas – ao mesmo tempo que explicava incansavelmente quais as diferenças entre os movimentos. Nasceu o #ultraGNU

Depois de uma longa conversa com os mais renomados ativistas do Movimento Software Livre ficou claro que eles não compartilham dessa metodologia. Segundo seu ponto de vista denunciar nominalmente os OSIstas é muito agressivo. Inclusive o próprio termo OSIsta é considerado agressivo. Portanto nenhum apoio, suporte ou colaboração.

Não há qualquer dúvida que o Open Source venceu, e essa é a prova de que a metodologia seguida e defendida pelas FSF e seus ativistas mais empenhados simplesmente se tornou ineficiente. Hoje, com seu discurso amigável e sua aproximação dos defensores do Open Source eles estão ajudando a cavar a própria cova.

Considerar o Open Source como uma evolução natural do Software Livre é uma aberração filosófica, mas se mostrou algo concreto e factual pela competência dos primeiros e pela incompetência dos segundos em conquistar corações e mentes. A lógica do mercado prevaleceu e não será o “bom mocismo” que conseguirá reverter o quadro.

Tendo o extermínio da filosofia do Software Livre como algo eminente e sem poder contar com o apoio da ala moderada, creio que está na hora de aceitar o fim, mas não para encerrar, mas para recomeçar, reiniciar, ou por assim dizer, dar reboot.

Temos que recomeçar. Devemos adotar a filosofia original do Software Livre como base e estendê-la para dar a ênfase necessária ao quesito filosófico. Se o que define um Software Livre é o respeito as 4 liberdades, e essa definição permitiu sua cooptação por um movimento neoliberal pro mercado, então é hora de criar um adendo que torne a definição não cooptável: uma quinta cláusula.

Nasceria assim o Libre Software.

Sua definição estaria composta pelas 4 Liberdades do Software Livre mais a não aceitação, sob nenhuma circunstância, de Softwares não livres como parte integrante, dependente ou distribuível.

No campo filosófico o Movimento Libre Software condena o Open Source pela sua complacência com os softwares não livres e com o mercado, em detrimento do usuário final. Condena de forma mais veemente os falsos ativistas que induzem as pessoas a confundirem Open Source com outros conceitos. E condena a metodologia amistosa com a qual os ativistas do Software Livre tratam seus algozes.

Ainda há esperança de agrupar pessoas dispostas a reagir de forma eficiente pela filosofia libertária da tecnologia democrática, acessível, compartilhável e redistribuível, sem permitir a cooptação pelos interesses econômicos, de mercado e do capital.

O Libre Software pode seguir de onde o Software Livre parou, virar o jogo e fazer do Mundo um lugar melhor.

Fonte: Libre Software



Qual é o seu bando?

29 de Abril de 2019, 21:16, por Bertoni

O meu é dos cachaceiros!

#LulaLivre

Qual é o seu bando



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