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Blog Comunica Tudo

3 de Abril de 2011, 21:00 , por Desconhecido - | No one following this article yet.
Este blog foi criado em 2008 como um espaço livre de exercício de comunicação, pensamento, filosofia, música, poesia e assim por diante. A interação atingida entre o autor e os leitores fez o trabalho prosseguir. Leia mais: http://comunicatudo.blogspot.com/p/sobre.html#ixzz1w7LB16NG Under Creative Commons License: Attribution Non-Commercial No Derivatives

Antes, durante e depois de Jair Bolsonaro

18 de Setembro de 2021, 12:03, por COMUNICA TUDO


O ato que houve dia 07 de setembro de 2021, mostrou uma população fanática pelo seu político e que manifestou apoio sem justificativas plausíveis, como as críticas ao STF (Supremo Tribunal Federal) e pedindo o seu fechamento. Porém, um dia após as palavras do presidente da república contra o STF, ele mudou a sua postura, ficando com um tom mais “democrático”.

Outro fato marcante é de que Flávio Bolsonaro possui foro privilegiado de quando ocorreu a “crise Fabrício Queiroz”, para se proteger. Porém, ele e a família Bolsonaro pediam o fim do foro privilegiado, antes desse momento que privilegiou Flávio.

Os “bolsonaristas” (apoiadores do Presidente Jair Messias Bolsonaro) negam as tragédias de seu governo! Como o aumento dos preços de bens de consumo no geral. Alimentos e combustíveis caros, salário mínimo perdendo seu valor pela inflação que só aumenta. Alguns apoiadores de Bolsonaro afirmam, de forma errônea, que o preço elevado dos combustíveis é por culpa dos impostos que os governadores mantêm, como o ICMS (imposto sobre operações relativas à circulação de mercadorias e sobre prestações de serviços de transporte interestadual, intermunicipal e de comunicação), porém esse imposto sempre esteve presente desde o final do século passado (XX).

Há indústrias e empresas estatais que se tornaram (em partes) privadas e cada vez menos o estado pode usufruir dela como um benefício à sua população. Quando isso ocorre, no governo liberal de Jair Messias Bolsonaro, essas grandes corporações vão possuir uma política aberta ao mercado e ser benéfica a quem são seus grandes investidores. Para quem consome, que é a sua população, terá que pagar caro para enriquecer o topo da pirâmide.

Quem assistiu pelas redes sociais, observou um chefe de governo inoperante e sem caráter, desafiando o poder judiciário, admitindo que não obedeceria às ordens dos ministros do SFT. Entre nós: se fôssemos um país sério, um presidente que confrontasse com a maior corte de justiça do país, no dia seguinte teria que prestar contas.

Analisando bem friamente, setores da sociedade cooperaram com a ascensão de Bolsonaro. Sua estrutura começa nas manifestações de junho de 2013 e depois foi se arrastando, passando pelo golpe legislativo da Dilma até a eleição de Bolsonaro em 2018.

Não há desculpas ou fazer de desentendido, o presidente sempre foi assim: belicoso, machista, homofóbico. Vestiu a manta de religioso que mistura cristianismo e judaísmo. No mais, não ficarei escrevendo para afirmar aquilo que já se sabia.

O Brasil está isolado. Estamos cercados de crises que vai da sanitária que matou mais de 585 mil pessoas até a hídrica. Os empresários querem investir num país onde mandatário promete a todo momento que aplicará golpe de Estado.

O Brasil está abatido, a sociedade expõe de vez todo o ódio e divisão nela contida há tempos, e será um trabalho para que o discurso do ódio se torne algo do passado e aprendamos a falar com civilidade e em campos opostos.

Terra abatida, povo com fome, pessoas desalentadas, sociedade raivosa. Estas serão as heranças malditas de Jair Messias Bolsonaro.

(Por Gabriel Luiz Campos, prof. de Educação e graduando em Filosofia, e Fábio Idalino Alves Nogueira, professor de História do Brasil e África)

Artigo original do Comunica Tudo por M.A.D..


Um novo Talibã no Afeganistão?

9 de Setembro de 2021, 8:55, por COMUNICA TUDO

Os EUA saem do Afeganistão conforme entraram. Aquela velha promessa dos países democráticos com os EUA à frente: invadir para levar a democracia.

A guerra afegã custou milhares de vidas civis. Os EUA expulsaram o Talibã, mas não o destruíram. O Talibã permanece ativo e organizado. O Talibã venceu os EUA pelo cansaço e está de volta ao poder com tom mais moderado, tipo “Talibã Nutella”.

Não dá para acreditar nas promessas desses extremistas e a população feminina está entregue ao deus-dará.

A posição geopolítica do país acende o sinal amarelo para outros países da região. China e Rússia trataram logo de reconhecer o governo golpista. Os chineses têm inúmeros interesses de estar por perto daquele país. A fronteira física de 70 km não é barreira quando se trata de lítio, principal minério para carros elétricos. E outra preocupação dos chineses são os radicais do Talibã para não inflamarem a população muçulmana da China, da região de Xinjiang. A Rússia eleva sua atenção às antigas repúblicas soviéticas do Uzbequistão e Turcomenistão. São países de maioria islâmica, no entanto, não há o mesmo extremismo religioso que há no Afeganistão. O perigo ocorre se a Rússia perder a influência geopolítica na região. No mais, a sorte está lançada no país da Ásia Central.

Com os chineses e russos a frente de um projeto euroasiático, eles mantêm uma postura de reconhecimento do atual governo do Talibã, pois dessa maneira o governo afegão deverá se submeter as relações internacionais. As novas relações diplomáticas e políticas farão uma nova caminhada econômica do Afeganistão e assim a elevação das classes mais desfavorecidas através de oferta e regulamentação da mão de obra que poderá ocorrer, pela grande influência econômica da China e da Rússia.

Como o professor Elias Khalil Jabbour, Doutor em Geografia Humana, explicou em seu Twitter (@eliasjabbour) no dia 16 de agosto de 2021, “Integrar o Afeganistão à Iniciativa Cinturão e Rota e o Projeto Euroasiático é o primeiro passo que os amantes da paz e dos direitos humanos do povo afegão devem torcer para ocorrer.”.

Não estranhe caso os EUA fechem algum acordo com o Talibã. Não fiquem espantados se os americanos dizerem algo como que o Talibã sempre foi parceiro do governo afegão. O Talibã tirará proveitos da China, Rússia e EUA.

"Os Talibãs nunca foram terroristas ", não fiquem surpreso casos os países democráticos se dirigirem agora aos Talibãs dessa forma.

 (Escrito por Gabriel Luiz Campos, professor de Educação e Filósofo, e Fábio Idalino Alves Nogueira, professor de história do Brasil e África.)

Artigo original do Comunica Tudo por M.A.D..


É possível ser conservador nos costumes e liberal na economia?

28 de Junho de 2021, 10:00, por COMUNICA TUDO

 

Os termos “sou liberal nos costumes e conservador na economia”, ou “sou conservador nos costumes e liberal na economia”, ou algo dessa maneira, são termos errados. Costumes e economia estão totalmente interligados e um exemplo é o que se pode observar na história.

Voltamos para os anos 1700 e 1800. Vemos a Inglaterra, naquela época seu parlamento era composto em maior parte por conservadores (Aristocratas), donos de grandes propriedades de terras. Eles detinham o monopólio e possuíam a constituição ao seu lado, através das leis dos cereais (Corn Lawrs) – cereais eram considerados o milho e grãos no geral. Essa lei favorecia os grandes latifundiários porque o produto era o único que poderia estar circulando dentro da Inglaterra, pelo motivo de que o governo não queria que o dinheiro/ouro inglês saísse do país, pois se fosse possível comprar cereais de mercado estrangeiros, os donos de terras perderiam o seu monopólio.

As leis dos cereais existiam para que, se um comprador inglês comprasse grãos de outro país, na hora que o navio estrangeiro chegasse com a mercadoria, o imposto que a corte inglesa cobraria desse comprador, sairia por um preço maior do que se ele tivesse comprado no mercado interno, assim o monopólio dos aristocratas estaria mantido pela lei. Também estavam totalmente ligados aos termos como “família tradicional”, sem dar o poder da democracia do direito as mulheres de seu país e outras situações que infringiam a liberdade socioeconômica de outras minorias.

Os liberais como Adam Smith, David Ricardo, Stuart Mill, etc. eram contra essa lei, pois diziam que se pudessem comprar grãos de outros países, o dinheiro inglês iria circular e voltaria com mais poder pelos compradores de mercadorias produzidas pelos capitalistas ingleses. Argumentavam, mais especificamente, Stuart Mill, sobre o direito de as mulheres trabalharem e participarem da política. Com muita luta, a proposta reformista de Mill foi aceita. Contudo, com muitas mulheres ingressando no mercado de trabalho, os preços dos serviços delas eram mais baratos que dos homens, com isso, os homens ficaram desempregados cuidando dos lares e as mulheres iam trabalhar ganhando menos do que os homens ganhavam. Os liberais justificavam que a mão invisível regularia a economia, mas o que houve (e o que ocorre até os dias de hoje), foi um crescente número de migrações às cidades industriais, não havendo uma regulamentação para as questões sociais. O número da população dessas cidades aumentou significativamente e trouxe consequências negativas, como moradias precárias e sem saneamento básico, maior número de doenças, avanço da criminalidade, entre outras questões.

No ano da grande depressão econômica (1929), houve a quebra na bolsa de valores, como resultado, produtos perderam seu valor no mercado, fazendo com que os capitalistas jogassem literalmente fora as suas mercadorias para igualar “oferta e demanda”. Um exemplo foi o leite derramado em grandes quantidades pelas ruas das cidades de Nova York. Outro exemplo foi os fazendeiros que colocaram fogo nas plantações de cana no Brasil.

John Maynard Keynes publicou em 1936 a sua obra Teoria geral do emprego, dos juros e da moeda, explicando que a intervenção do estado na economia é necessária para que não haja esses picos de depressão. Após a segunda guerra mundial (1939-1945), muitos países do primeiro mundo perceberam que era importante utilizar o estado para intervir na economia.

Os socialistas/comunistas buscavam a regulamentação do trabalho assalariado, com foco nas questões sociais, como educação e saúde. Também não concordavam com a mão de obra explorada e oprimida em qualquer fator, sendo contrários nas questões da escravidão que ocorria nas colônias dos países europeus. Com a Revolução Russa (1917-1923) e Vladimir Lenin no poder através da ideologia marxista-leninista, procuraram emancipar a classe dos oprimidos, como aceitar o direito para as mulheres: permitir a voz em sindicatos; direito da legitimação do aborto; direito da separação e o da cobrança de pensão alimentícia. Ao longo do tempo, houve influência do marxismo-leninismo nas lutas pela independência dos países africanos de seus colonizadores europeus, no século XX, como Burkina Faso, Mali, Gana, Angola, Moçambique, Guiné, Benim, Tanzânia, Zâmbia e Senegal.

Os anarquistas (libertários) surgiram como um movimento anticapitalista, promovendo os ideais revolucionários para acabar com a exploração sobre o ser humano. Diferente dos socialistas, eles defendiam a ideia de que as revoluções poderiam ocorrer a qualquer momento pois não se importavam com o desenvolvimento industrial do país. O Estado não seria usado como forma administrativa, mas iriam ser criadas federações e sindicatos para manter a ordem. Há vários anarquismos com seus ideais, sendo os principais pensadores: Piotr Kropotkin, Pierre-Joseph Proudhon, Mikhail Bakunin, Lev Tolstoi, entre outros. Uma revolução anarquista que houve, foi na Ucrânia, durou do início da Revolução Russa até 1919, liderada por Nestor Makhno, com o movimento Machnovista. O seu contingente tomou os grandes latifúndios e realizou uma reforma agrária, dividindo terras, equipamentos, ferramentas e máquinas entre os camponeses, além de todos trabalharem em conjunto, crianças, mulheres e homens. Havia eleições onde os líderes revezavam o poder em cada federação. Houve um plano educacional, em que a metodologia escolar buscava a espontaneidade e a independência dos alunos (sendo eles crianças e adultos). Uma prática que durou até a revolução russa se tornar socialista, e como a Ucrânia pertencia a União Soviética (URSS) na época, o movimento anarquista deixou de existir.

Existe o termo social-democrata, que defende a democracia burguesa, com eleições recorrentes. O capitalismo continua presente, porém há uma preocupação social, como saúde e educação gratuita. Contudo, essa ideologia é usada como exemplo em alguns países de primeiro mundo. Mas as pessoas que defendem essa política, se esquecem que esses países conseguiram se desenvolver através da exploração de suas colônias e/ou através da mão de obra escrava, estando em uma zona política favorável.


Atualmente, esses países fazem o que se conhece por neocolonialismo. O neocolonialismo é “desenvolvido” e não tão abstrato como nos séculos passados. Ele é realizado através das multinacionais que se instalam nos países de terceiro mundo e utilizam a mão de obra local, no qual o salário sendo pago na moeda local, fica mais econômico do que se fosse pago na moeda forte (Dólar, Euro, Libra, etc.) em seu país. Além da flexibilidade das leis (que as vezes não existem) em relação ao meio ambiente e da regulamentação do trabalho. Recebem subsídio, financiamento do governo local com juros baixíssimos. Quando se instala, ocorre uma mudança local socioeconômica (citada acima nesse texto), uma migração, que na maioria dos casos, a cidade local não está preparada para receber. A indústria produz a mercadoria e dificilmente o produto fica no país de origem, sendo vendido para fora, pois, para ficar na localidade, o mercado interno deve comprar pelo mesmo preço da moeda forte, e isso não compensa. Quando ocorre de o lugar não trazer estabilidade para essa multinacional, há a mudança de país, deixando um buraco de desemprego e escassez social no local. Nessa situação a social-democracia estará sendo benéfica para o povo de seu país desenvolvido e não para a população do país neocolonizado. Então a social-democracia pode ser considerada uma política liberal.

Finalizando, essas são algumas posições políticas no mundo atual. Algumas já não são mais utilizados na política de alguns países, porém, que ainda hoje marcaram e marcam a história social do mundo.


(Autor: Gabriel Luiz Campos Dalpiaz, graduando em Filosofia – Licenciatura e Graduado em Educação Física – Licenciatura/Bacharel. Email para contato: gcamposdalpiaz@gmail.com)

Artigo original do Comunica Tudo por M.A.D..


Bolsonarismo e os arrependidos e arrependidas

17 de Maio de 2021, 11:51, por COMUNICA TUDO

Durante todo o período pré-eleitoral para ocupar a cadeira da presidência da república, estava ocorrendo a demonização dos partidos de esquerda. A esquerda era o cancro do país e tirá-la do poder, nem se não fosse pelas regras do jogo democrático, era preciso. O Slogan já dizia “tire o PT e o país melhora”. De lá para cá, muitos desses jornalistas, num passe de mágica, descobriram que o governo de JMB não se diferenciava no contexto ético dos demais partidos que governaram o Brasil.

Jornalistas conceituados, cientistas políticos e os chamados “influencers” digitais aguçaram os limites do imaginário coletivo. Afirmavam com todas as letras, caso o Partido dos Trabalhadores ocupasse de novo a cadeira do Palácio do Planalto, o país seria ingovernável.

Os Partido dos Trabalhadores e seus aliados são passivos de corrupção, no entanto esses partidos respeitaram a regra do jogo democrático. Em treze anos em que estiveram no poder não verberaram em fechar o STF e o Congresso nacional. Fortaleceram a autonomia da polícia federal e aumentaram os recursos para as forças armadas. Manteve boas relações com as instituições armadas, não utilizando militares para fins políticos. Uniu-se aos os países das Américas e foram firmes em dizer que seriam aliados dos EUA e não pária do continente.

No meio midiático, não há inocentes. Os jornalistas são profissionais calejados. Há aqueles que sentiram na pele o poder da opressão e persistiram que JMB é a cara da nova política. Que política?

O jornalismo em geral e se destacando a TV, tem o poder de mudar a política. Uma frase bem colocada no tempo adequado durará igual as frases de Assis Chateaubriand e o Barão de Itararé, ou seja: serão eternizadas. Virarão penas ao serem sopradas para o ar.

Por causa dessas omissões, os cidadãos que apoiavam e votaram no Presidente Jair Messias Bolsonaro, e hoje se arrependem, tem seus motivos para deixá-lo de lado nesse atual contexto social, econômico e de crise sanitária. Vemos o ponto da extrema pobreza aumentar, chegar a mais de 12% da população brasileira vivendo com menos de R$ 246,00 ao mês. O negacionismo em relação a covid-19, que matou mais de 400.000 brasileiros. A enrolação para a compra das vacinas e a promoção do uso de medicamentos para o tratamento precoce da covid-19, o famoso “kit covid” (remédios sem comprovações científicas).

Esse povo que decidiu virar as costas para ele, conseguiu enxergar nesse pequeno momento o que antes já lhes foi avisado, não há um salvador da pátria que profere palavras em base de emoções sem plano para governar um país do tamanho territorial, populacional e econômico como o Brasil.

A pressão que ele sofre, sendo do povo, da oposição e de antigos aliados políticos, é necessariamente uma amostra de seus 27 anos como deputado federal. No qual não conseguiu articular e promover projetos políticos, sendo aceitos apenas dois de 171. O fracasso já estava desenhado.

O momento da CPI da covid está aí, espero que chegue a algum lugar, esperar até 2022 não é o melhor caminho para o Brasil atualmente.

Depois da tragédia feita e não assumida pelos meios de comunicações de terem ajudado na eleição desse desastre político, será preciso esperar cinquenta anos para lermos num editorial um pedido de desculpas desses jornalistas e meios de comunicações?

(Escrito por  Fabio Idalino Alves Nogueira, professor de história, e Gabriel Luiz Campos Dalpiaz,
Professor de Educação Física e graduando em Filosofia)

Artigo original do Comunica Tudo por M.A.D..


Palestinos e favelados, o inimigo comum: o Estado

11 de Maio de 2021, 9:28, por COMUNICA TUDO

 

(Texto escrito em 2014 por Fábio Nogueira é militante da Educafro, Estudante de história da Universidade Castelo Branco e Celso Sanchez professor da Unirio)

Assistir as cenas de violência na Palestina nos deixa profundamente estarrecidos e sem palavras. Quando hospitais e crianças dormindo em uma creche viram alvo, nos damos conta de que a barbárie se impôs à realidade.

Estamos vendo neste momento uma guerra desigual onde milhares de vítimas, em imensa maioria inocentes, pagam pelo preço de disputas por outros interesses. Israel tem a maior potência militar da região do Oriente Médio, a justificativa ao bombardear escolas, abrigos humanitários e prédios residenciais é que, segundo a inteligência de Israel, grupos radicais usariam estas áreas como escudos humanos. Mas perguntamos, mesmo assim bombardeam? Se crianças morrem são meros “danos colaterais”? Assume-se a ética dos fins justificam os meios? Isso é a inteligência da inteligência?

Como se pode notar, a guerra também é pelo domínio da narrativa, da argumentação assassina e cínica que justifica a morte, o sangue, o ódio e a negação da vida.

Até o momento o holocausto palestino vitimou mais de 1.500 pessoas, muitas delas crianças que nesta altura dos acontecimentos o governo de Israel as qualificaria como pequenos terroristas. Para justificar o genocídio, na guerra argumentativa, alguns defendem o estupro de mulheres palestinas… Ou até mesmo a morte das mulheres, como disse esta deputada

Assim como a estratégia nazista do confinamento que segregou a população polonesa no gueto de Varsóvia, a faixa de Gaza é um território intransponível, não se pode entrar nem sair, nem ajuda humanitária

O deboche era outro traço da narrativa nazista, o mesmo “sorrisinho cínico de lado” estava presente na estúpida entrevista cujo representante do estado de Israel chama o Brasil de “anão diplomático” e diz que vexame não é matar crianças dormindo e sim perder de 7×1

É a barbárie se repetindo, a despeito de tantos anos lutando e pedindo: “nunca mais”!

O que falariam Hanna Arendt, Theodor Adorno, Walter Benjamin e Edward Said? Teremos outro tribunal de Nuremberg? Ouviremos depois: “mas estávamos só nos defendendo?”. Parafraseando Eichmann: “só cumpria ordens”, e assim matou-se 6 milhões de judeus…

Não é novidade o silêncio das grandes potências mundiais, aliados do estado de Israel diante das atrocidades. O silêncio é uma narrativa de omissão.

Os Estados Unidos, maior aliado político e militar, a todo o momento vêm fazendo vistas grossas e pequenas e inócuas críticas. Os artistas hollywoodianos engajados em causas nobres, para ficarem bem na foto desempenham o mesmo papel das grandes potencias dominantes: silêncio….

Alguns formadores de opinião quando não podem ajudar pioram a situação. O favorito da direita reacionária, Luiz Felipe Ponde, justificou no seu artigo na Folha de São Paulo, que os acontecimentos na Palestina são mero jogo geopolítico. Na sua imensa vontade de fazer sucesso a qualquer custo, permite-se escrever qualquer absurdo.

As prostitutas dos cabarés da França ocupada pelos nazistas tinham mais dignidade diante da falta de respeito aos mortos, às crianças sobretudo. Impossível não lembrar de Voltaire numa hora dessas: “A civilização não suprime a barbárie, aperfeiçoa-a.”

Pessoas como Pondé são capazes de ver o cisco no olho dos outros, e não ver a trave em seu próprio olho. O Brasil, em termos de violência, também tem um quê de faixa de Gaza.

Os números de homicídios, em particular da juventude negra, são compatíveis a qualquer conflito armado. Por ano são mais de 5.000 mil mortos, 150 por dia e mais de 30 mil a cada década. O perfil é o mesmo há mais de três séculos: homens, jovens e negros.

Assim como acontece na Palestina, um dos principais elementos dessa matança é o braço armado do Estado. Desde sua fundação no século 19 como instituição do Estado, a polícia militar foi planejada para proteger a família real e os mais ricos. O alvo principal era os escravos. Nada mudou em dois séculos no principal aparato político-armado e controlador social do Estado. Sugiro tirar o símbolo deles… dá azar! rs

Morrem muitos jovens negros. Enquanto isso… as nossas direitas, centros e esquerdas se fazem de cegas. Os artistas se fazem de mudos, cegos e surdos (salvo exceções). Para ficarem bem na foto, aderem à campanha de mau gosto: “Somos todos macacos”. Não se manifestam dizendo somos todos Claudia, Juan e DG ou Maria, etc. Algo comum entre os três? Todos mortos pelo Estado e por uma sociedade silenciosa.

As semelhanças são bem parecidas entre os lados em conflito. No entanto, o palestino tem o mundo para condenar o opressor. O favelado além do opressor para massacrá-lo conta com a ajuda de toda a classe dominante que quer vê-los bem longe de suas vistas. E, de quebra, ainda conta com as vozes dos oprimidos contra os próprios irmãos.

É impossível diante da realidade que se impõe duramente, não lembrar da seguinte poesia de Bertold Brecht:

Primeiro levaram os negros
Mas não me importei com isso
Eu não era negro

Em seguida levaram alguns operários
Mas não me importei com isso
Eu também não era operário

Depois prenderam os miseráveis
Mas não me importei com isso
Porque eu não sou miserável

Depois agarraram uns desempregados
Mas como tenho meu emprego
Também não me importei

Agora estão me levando
Mas já é tarde.
Como eu não me importei com ninguém
Ninguém se importa comigo.

O que nos resta neste momento é abrir os olhos e perceber que as lágrimas que escorrem do rosto dos oprimidos do mundo se juntam e desaguam no mesmo oceano, a barbárie.
Contra ela só um caminho: a educação transformadora e crítica, capaz de não permitir a omissão, nem o silêncio diante de qualquer injustiça.

Pela Paz em Gaza. Paz no Rio.

(*) Fábio Nogueira é militante da Educafro, Estudante de história da Universidade Castelo Branco e Celso Sanchez professor da Unirio .

Artigo original do Comunica Tudo por M.A.D..