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O Polaco Doido tem razão!

27 de Fevereiro de 2016, 17:05 , por Bertoni - 0sem comentários ainda | No one following this article yet.
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Há tempos tenho a impressão que a onda fascista cresce devido ao medo que temos de defender nossas convicções e por nossa perplexidade diante de toda a falta de criatividade e crise ideológica vivida pela esquerda.

Lula's presidential inauguration, 2007 Fui cortar minhas belas madeixas em um "Beauty Center" de um Shopping Center, já que o barbeiro que há anos cuida de meus cabelos lá agora trabalha. Nestes últimos 12 anos ele subiu na vida e agora trabalha em um Salão "xike no úrtimo" num antro burguês.

Ao sentar na cadeira, conhecendo minhas opções políticas e de vida, ele foi logo me alertando:

- A coisa tá brava aqui hoje.

Confesso que de cara não entendi o recado, mas não demorou muito para enteder o que ele queria me dizer.

O barbeiro ao lado, um cidadão mestiço, conversava animadamente com seu cliente, também mestiço. E dá-lhe pau no PT, dá-lhe pau na Dilma, dá-lhe pau no Lula.

Meu saco tava que não guentava mais, mas cometi o erro que sempre cometemos que é deixar os papagaios de pirata repetirem as asneiras que a imprensa escrita, falada e televisionada grita todos os dias. Contudo, meu cagaço durou até o momento que o mestiço paranaense, soltou a asneira mor:

- Quem votou no Lula aqui no salão? Você sabe? perguntou ele ao seu cliente.

O cara ali sentado começou a chutar nomes, divertindo-se com sua própria ignorância e preconceitos.

- Quem você acha que podia ter feito isso? Quem? Quem tem cara de nordestino aqui? - reforçou o barbeiro.

Foi a gota d'água. Me virei ao cidadão e em alto e bom som:

- Eu votei no Lula, votei na Dilma e exijo que respeite o meu voto e pare de falar asneiras, repetidas daquilo que você vê na Globo e lê na Veja.

- Ei, estou conversando com meu cliente aqui. Foi a resposta do barbeiro.

- Se quer falar besteiras para seu cliente o faça no seu ouvido e não gritando para que todo o salão escute, pois não sou obrigado a ouvir este nível de coisa aqui.

- Você me respeite, eu estou no meu lugar aqui, disse o barbeiro.

- Ok, desde que você respeite o meu voto e o de milhões de brasileiros pobres que foram beneficiados pelos governos federais a partir de 2003 e que inclusive hoje podem vir aqui neste salão garantir o seu lugar de trabalho.

- Ei, aqui não tem moleque.

- Por isso mesmo, pare de repetir besteiras e respeite a inteligência das pessoas que aqui estão.

Para minha surpresa, o machão protofacista baixou a bola e, literalmente, passou a falar sobre futebol com seu cliente.

Os direitistas que estavam no salão também pararam de falar sobre política.

Então, cresci para cima dos caras me dirigindo ao meu barbeiro:

- Pois veja você como as coisas são. As pessoas não se dão conta das besteiras que a Globo diz, não entendem que a Globo está defendendo o seu. Aliás, isso aqui parece uma daqueles ditaduras chinfrim onde só há um canal de tv reproduzindo uma única opinião. Veja você, todos os aparelhos de TV do salão estão sincronizados na Globo como se não houvesse outra fonte de informação ou outro canal de TV neste país. Uma ditadura privada!

Silenciosamente, um dos barbeiros, que acompanhava com interesse o bate-boca, foi lá e trocou o canal para uma partida de futebol.

Ao lavar as madeixas que restaram o meu barbeiro dispara:

- Viu que ninguém mais falou de política?

Aí lembrei do post do Polaco Doido, vulgo Luiz Skora, e soltei:

- Pois é, todo leitor de Veja é cuzão.

Ao me dirigir à saída do salão, feliz com minha performance e de cabeça erguida por defender, não o governo, Lula ou Dilma, mas sim minhas convicções políticas e de vida, cruzei com o barbeiro proto-fascista do início desta conversa. Este ao me ver, baixou a cabeça e seguiu silenciosmente para o seu lugar.

Realmente, o Polaco Doido tem razão. Estes caras não tem argumentos nem coragem para defender as merdas que leem na Veja e veem na Globo. As repetem sem pensar.

O que está faltando mesmo é a galera vermelha perder o medo e defender suas convicções seja no busão, nas escolas, nas fábricas, no bairros, nas vilas e favelas e até mesmo em antros burgueses e proto-fascistas.

Leia também: O leitor da veja é, antes de tudo, um cuzão.


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