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Diógenes Brandão

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3 de Abril de 2011, 21:00 , por Desconhecido - | No one following this article yet.
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Racha no PL do Pará leva denúncia sobre emendas da saúde à Polícia Federal e PGR ameaça ganhar dimensão nacional

23 de Julho de 2026, 20:40, por AS FALAS DA PÓLIS

Zezinho Lima acusa Éder Mauro de comandar esquema de devolução de recursos do SUS; deputado nega irregularidades e atribui ofensiva a uma articulação contra sua candidatura ao Senado e envolve prefeituras do interior que seriam participantes do esquema de desvio de recursos de emendas parlamentares. Assista a entrevista no fim da matéria.

Uma guerra interna no Partido Liberal colocou no centro da política paraense uma acusação potencialmente explosiva envolvendo emendas parlamentares destinadas à saúde. Em entrevista ao PoderCast, da TVC Pará, o vereador de Belém Zezinho Lima (PL) acusou o deputado federal Delegado Éder Mauro (PL-PA) de comandar um suposto esquema de cobrança de propina sobre recursos federais enviados a municípios do interior do estado.

A denúncia ganha peso político por partir de um integrante do mesmo partido e do mesmo campo ideológico do deputado. Zezinho é identificado com o bolsonarismo e pretende concorrer a deputado estadual. Éder Mauro, deputado federal em seu terceiro mandato, é uma das principais lideranças da direita paraense e aparece como pré-candidato ao Senado. A trajetória parlamentar do deputado é confirmada pelo perfil oficial da Câmara dos Deputados.

Durante o programa, Zezinho afirmou ter entregado à Superintendência da Polícia Federal, em Belém, um pendrive contendo extratos bancários, comprovantes de transferências, conversas e gravações. Segundo o vereador, o material indicaria que empresas prestadoras de serviços a prefeituras beneficiadas por emendas devolviam entre 20% e 30% dos recursos a pessoas ligadas ao grupo político do deputado.

O mecanismo descrito por Zezinho teria como figura central Lucas Rego de Brito, apontado como ex-assessor do gabinete do vereador Mayky Vilaça. De acordo com a acusação, Lucas recebia salário de aproximadamente R$ 2,6 mil, mas teria movimentado mais de R$ 1 milhão. O dinheiro, ainda segundo o denunciante, seria posteriormente distribuído a assessores e integrantes do grupo político.

No trecho em que descreve o suposto funcionamento do esquema, Zezinho menciona Bujaru, São Miguel do Guamá e Tucuruí entre os municípios que deveriam ser investigados. Ele afirma que empresas contratadas pelas administrações locais transferiam recursos para a conta do intermediário após receberem pagamentos realizados com verbas das emendas.

Imagens não substituem perícia

O programa exibe reproduções de supostos extratos, saldos bancários e comprovantes de Pix. Entre os valores mencionados estão uma transferência de R$ 50 mil e um saldo de aproximadamente R$ 1.264 milhão.

Não é possível identificar, apenas pelo vídeo, a origem do dinheiro, os contratos públicos correspondentes, os CNPJs das empresas ou a relação entre cada movimentação e uma emenda parlamentar específica.

Por isso, o conteúdo divulgado constitui, neste momento, material acusatório - não prova conclusiva de corrupção. A eventual confirmação dependerá da obtenção dos documentos diretamente das instituições financeiras, do rastreamento dos recursos federais e da comparação com contratos, notas fiscais e pagamentos feitos pelas prefeituras.

Transferências de R$ 20 mil alimentam contra-ataque

Um dos pontos mais sensíveis da disputa é admitido pelo próprio Zezinho. O vereador reconhece que ele, sua irmã e o presidente da Câmara Municipal de Belém, John Wayne, fizeram transferências que, somadas, chegaram a R$ 20 mil para Lucas.

Zezinho diz que o dinheiro foi uma ajuda financeira porque o ex-assessor estaria endividado, ameaçado e enfrentando problemas com apostas. Éder Mauro apresenta outra interpretação: sustenta que os valores teriam sido usados para pagar pela produção de um depoimento falso contra ele.

O deputado afirma ser vítima de uma ação coordenada destinada a desgastar sua pré-candidatura ao Senado. Segundo sua assessoria, comprovantes de Pix, conversas e registros de ligações demonstrariam a articulação. Sua equipe jurídica anunciou a análise de medidas judiciais. As duas versões estão detalhadas em reportagem do Estado do Pará Online.

Mayky Vilaça também negou envolvimento em corrupção e acusou Zezinho de traição política. O vereador denunciante, por sua vez, anunciou que pretende pedir a cassação de Mayky na Câmara de Belém.

Recursos da saúde somam mais de R$ 49 milhões

A dimensão financeira das emendas destinadas por Éder Mauro à saúde pode ser confirmada nos registros oficiais da Câmara dos Deputados.

Em levantamento realizado por este blog, em 2024, foram pagos aproximadamente R$ 18,78 milhões em emendas do parlamentar por meio do Fundo Nacional de Saúde. Em 2025, o valor pago chegou a cerca de R$ 18,76 milhões. Em 2026, até a atualização disponível em 23 de julho, haviam sido pagos R$ 11,66 milhões, de um total autorizado de R$ 20,31 milhões.

Somados, os pagamentos da saúde registrados entre 2024 e 2026 alcançam aproximadamente R$ 49,2 milhões. Os números podem ser consultados nas páginas oficiais referentes a 2024, 2025 e 2026.

Esses registros demonstram o volume de recursos públicos envolvido e reforçam a necessidade de apuração. Não demonstram, contudo, que tenha ocorrido desvio. Para estabelecer uma relação entre as transferências federais e as movimentações bancárias apresentadas por Zezinho, será necessário identificar os beneficiários de cada emenda, os fundos municipais de saúde, as empresas contratadas e o caminho posterior do dinheiro.

Denúncia implode discurso de unidade da direita

O impacto político decorre justamente da origem da acusação. Não se trata de um confronto entre governo e oposição, esquerda e direita ou PL e adversários históricos. A denúncia parte de um bolsonarista contra uma das figuras mais conhecidas do próprio bolsonarismo paraense.

A crise atinge o PL em pleno ano eleitoral. Éder Mauro pretende disputar o Senado, enquanto Zezinho busca espaço para concorrer à Assembleia Legislativa. O episódio pode interferir na montagem das chapas, na distribuição de apoio partidário e na relação do PL com outras forças da direita paraense.

O diretório estadual, presidido pelo deputado Joaquim Passarinho, anunciou uma apuração interna e prometeu observar o direito de defesa. A reação partidária mostra que o caso já ultrapassou a esfera de uma troca de ataques nas redes sociais. A nota divulgada pelo PL paraense informa que o resultado poderá levar à aplicação das medidas previstas no Estatuto e no Código de Ética da legenda.

Caminho pode chegar ao STF

Zezinho anunciou que levaria o material à Procuradoria-Geral da República, em Brasília, e assim o fez. Até a publicação desta matéria, não havia confirmação pública de que a Polícia Federal tivesse instaurado inquérito específico nem de que a PGR tivesse formalizado procedimento contra o deputado.

Se as autoridades encontrarem indícios relacionados à destinação de emendas durante o mandato, o caso poderá ser submetido à supervisão do Supremo Tribunal Federal, em razão da prerrogativa de foro do deputado. A própria PGR informa que atua perante o STF na abertura de inquéritos e ações penais envolvendo autoridades com foro.

Investigações sobre emendas já são acompanhadas pela Corte. Em fevereiro de 2026, por exemplo, o STF autorizou medidas da Polícia Federal em outra apuração que envolve parlamentares e suspeitas de direcionamento de verbas federais. O precedente não estabelece qualquer relação com o caso paraense, mas revela a dimensão nacional que investigações dessa natureza podem alcançar.

O que precisa ser esclarecido

Os próximos desdobramentos dependerão de respostas objetivas:

  1. A Polícia Federal instaurou procedimento a partir do material entregue por Zezinho?

  2. A denúncia foi efetivamente protocolada na PGR?

  3. Os extratos exibidos são autênticos e integrais?

  4. Quais municípios, emendas, fundos de saúde, contratos e empresas estão relacionados às transferências?

  5. Os valores movimentados por Lucas vieram de prestadores pagos com recursos do SUS?

  6. Qual foi o destino final das transferências?

  7. O Conselho de Ética da Câmara de Belém abrirá processo contra Mayky Vilaça?

  8. Quais providências serão tomadas pelo PL após a apuração interna?

A crise já provocou um abalo na direita paraense. Transformar esse abalo em investigação criminal, processo político ou arquivamento dependerá da qualidade das provas - e não do volume das acusações. Entre a “bomba” apresentada no estúdio e uma eventual responsabilização existe um caminho que passa por perícia bancária, rastreamento do dinheiro, contraditório e decisão das autoridades competentes.

A sociedade paraense e brasileira aguarda por respostas das instituições públicas de fiscalização e controle.

Assista aqui a entrevista de Zezinho Lima ao jornalista Diógenes Brandão, no PODERCAST.

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O que motiva a "cutucada" do jornal OLiberal no secretário de Educação do Pará?

8 de Julho de 2026, 12:08, por AS FALAS DA PÓLIS
Nota do Repórter 70, do jornal OLiberal, 08.07.2026

Há momentos em que uma pequena nota publicada em uma tradicional coluna política diz muito mais sobre o ambiente de poder do que uma reportagem de página inteira. Não necessariamente pelo que afirma, mas pelo momento em que é publicada, pela forma como é escrita e pelo veículo que decide colocá-la em circulação.

A coluna "Repórter 70", do jornal O Liberal, é historicamente conhecida no Pará por ser o principal termômetro das relações do Grupo Liberal com o poder público. As notas curtas frequentemente servem como "recados" políticos.

Foi exatamente essa sensação provocada pela publicação da coluna direcionada ao secretário de Estado da Educação, Ricardo Sefer, na edição desta quarta-feira, 08.

Não se trata aqui de discutir a figura do secretário ou de defender sua gestão. A questão é outra: o que representa, politicamente, quando um dos maiores grupos de comunicação do Pará escolhe abandonar o tom protocolar para adotar uma linguagem carregada de ironia, adjetivos e questionamentos pessoais?

A resposta talvez diga mais sobre o funcionamento do poder paraense do que sobre o próprio secretário.

Alguns elementos chamam atenção:

  • utilização de apelido depreciativo ("Vorcaro paraense no tucupi"), numa comparação que busca associar Ricardo Sefer ao empresário Daniel Vorcaro como símbolo de influência econômica e política, mas envolvido em um dos maiores escândalos de corrupção da história do Brasil atualmente;
  • perguntas retóricas ("trabalhou para quem?");
  • ironia ("orgulho aos paraenses");
  • afirmações sobre influência no Judiciário e Executivo sem apresentar, no próprio texto, elementos probatórios ou contextualização adicional;
  • críticas pessoais misturadas com críticas administrativas.

Isso demonstra que o objetivo não é apenas informar, mas provocar impacto político, repercussão e desgaste à imagem do alvo. 

Retórica de Ataque e Ironia (O "Morde e Assopra") O texto é construído inteiramente sobre uma retórica passivo-agressiva e altamente irônica. Ele utiliza falsos elogios para pavimentar acusações graves:

  • "Vorcaro no tucupi": O apelido é uma fusão do regionalismo ("tucupi") com o sobrenome "Vorcaro" (provável referência a figuras de extrema riqueza e rápida ascensão no mercado financeiro nacional, como a família controladora do Banco Master). Isso serve para pintar o alvo como um bilionário local desproporcional.

  • Falsos elogios: O texto o chama de "Habilidoso" e "muito competente", mas imediatamente subverte isso. A "habilidade" é ligada à arrogância "faz questão de falar que é a pessoa com mais influência", e a "competência" é anulada por uma acusação de negligência gravíssima "perdeu o prazo no litígio da Cerpa", causando prejuízo milionário ao Estado.

Insinuações e a Tática do Boato: A coluna usa uma tática clássica do colunismo político: espalhar um boato enquanto finge negá-lo. Ao dizer que ele é casado com a filha de Parsifal Pontes (outra figura de imenso peso político no Pará) e adicionar "que falam, porém não é verdade, tem milhares de cabeças de gado", o jornal planta a imagem de riqueza ilícita e latifúndio na mente do leitor, blindando-se juridicamente com o "não é verdade".

O Questionamento da Gestão Pública: A coluna aponta que, na posição de secretário de educação, ele teria prometido sete escolas em tempo integral e não entregou nenhuma. A pergunta retórica "trabalhou para quem?" é a acusação mais direta do texto, insinuando que, em vez de trabalhar para o povo (entregando escolas), ele estaria usando a máquina pública para beneficiar interesses privados (seus ou de terceiros). O encerramento com "Esta família é um 'orgulho'" (entre aspas) sela o tom de deboche.

A Leitura Política do Cenário - O contexto do Grupo Liberal

A família Maiorana (controladora do O Liberal e da TV Liberal) não pensou esta nota como uma peça de jornalismo fiscalizador; é um instrumento de pressão política.

Ricardo Sefer e a família de Parsifal Pontes pertencem ou já estiveram muito próximos ao núcleo duro, o círculo mais íntimo do poder do atual governo do Estado do Pará. Quando o jornal de maior circulação e afiliado à principal rede do país ataca o núcleo duro de forma tão visceral e pessoal (falando de casamentos, gado, influência no Judiciário e falhas bilionárias), isso é um claro aviso ao Palácio dos Despachos.

O jornal O Liberal oscila entre afagar e atacar dependendo do "clima". Publicações como essa geralmente ocorrem em momentos de "clima tenso", que podem envolver:

  • Negociações de fatias do orçamento de publicidade estatal (verba pública).

  • Insatisfação do grupo de comunicação com decisões do Executivo.

  • Disputas por poder e influência nos bastidores do Judiciário e do Executivo (que o próprio texto acusa Sefer de monopolizar).

Em suma, a nota do jornal é um "tiro de canhão" editorial. Ela visa desgastar a imagem de um dos homens mais fortes do governo perante a opinião pública, funcionando como uma ferramenta de negociação e demonstração de força do império midiático local contra o Executivo estadual.

O jornalismo de bastidores e a linguagem do poder

Colunas políticas possuem características próprias.

Diferentemente da reportagem tradicional, elas trabalham com bastidores, interpretações, sinais, movimentações e mensagens direcionadas às elites políticas.

Por isso, cada palavra costuma ser cuidadosamente escolhida.

No caso analisado, a coluna utiliza recursos que vão muito além da simples informação.

Não apenas informa que Ricardo Sefer é secretário de Educação.

Constrói uma narrativa.

Apresenta-o como alguém extremamente poderoso, associa sua imagem à riqueza, sugere influência sobre instituições do Estado, relembra episódios de sua trajetória profissional e encerra com perguntas que funcionam mais como acusações indiretas do que como questionamentos propriamente ditos.

O efeito retórico é evidente.

O leitor é conduzido a formar uma impressão negativa antes mesmo de qualquer aprofundamento dos fatos.

A política dos sinais

Quem acompanha a política sabe que grandes veículos raramente falam apenas para seus leitores.

Muitas vezes falam, principalmente, para quem ocupa cargos públicos.

Uma nota pode servir de aviso.

Outra pode representar um gesto de aproximação.

Outra ainda pode demonstrar descontentamento.

Em sistemas políticos altamente personalizados - como ocorre em muitos estados brasileiros - a imprensa também participa do jogo de construção de reputações.

Nem sempre isso acontece de maneira explícita.

Às vezes basta uma coluna.

Às vezes bastam algumas linhas.

A complexa relação entre mídia e governos

O Pará possui uma característica conhecida há décadas.

Os grandes grupos de comunicação mantêm relações institucionais permanentes com o poder público.

Isso inclui contratos de publicidade oficial, campanhas institucionais e divulgação de ações governamentais.

Esse fato, por si só, não configura irregularidade.

A publicidade estatal existe para informar a população sobre políticas públicas e pode ser contratada conforme critérios legais.

Ao mesmo tempo, veículos de comunicação continuam livres para criticar governos.

O problema surge quando a percepção pública passa a enxergar uma alternância de tratamento editorial conforme o momento político.

É justamente essa percepção que alimenta desconfianças.

Quando elogios e críticas parecem acompanhar o clima das relações entre governo e empresa de comunicação, instala-se um ambiente em que qualquer posicionamento editorial passa a ser interpretado politicamente.

Ainda que essa interpretação nem sempre corresponda à realidade.

O peso econômico da publicidade oficial

Outro aspecto inevitável desse debate é o financiamento da mídia.

Em praticamente todos os estados brasileiros, verbas públicas de publicidade representam parcela importante das receitas de diversos veículos.

Isso não significa que toda crítica ou todo elogio decorra desses contratos.

Mas significa que transparência é essencial.

Quanto maior a dependência financeira de recursos públicos, maior tende a ser a cobrança social por critérios claros de distribuição dessas verbas.

A credibilidade da imprensa depende, em grande medida, da percepção de independência editorial.

Quando o mensageiro também vira notícia

O episódio envolvendo Ricardo Sefer revela algo curioso.

Durante anos, o debate público concentrou-se sobre governos, secretários e parlamentares.

Agora, cada vez mais, a própria imprensa passa a ser objeto de análise.

As redes sociais reduziram o monopólio da interpretação política.

Hoje, leitores não apenas consomem notícias.

Eles analisam quem publicou.

Questionam por que publicou.

Perguntam por que determinado assunto ganhou destaque enquanto outros permaneceram invisíveis.

A imprensa continua exercendo papel indispensável na democracia.

Mas também passou a ser observada com o mesmo rigor que tradicionalmente reservava aos demais poderes.

O desafio da credibilidade

Nenhum veículo de comunicação está imune a críticas.

Assim como nenhum governo deve estar imune ao escrutínio jornalístico.

A democracia depende justamente desse equilíbrio.

O problema surge quando o debate deixa de ser sobre fatos verificáveis e passa a girar em torno da suspeita permanente de interesses ocultos.

Quando isso acontece, perde o governo.

Perde a imprensa.

E perde, sobretudo, a sociedade.

A pólis precisa de luz, não de sombras

A política é feita de disputas.

A imprensa existe para iluminá-las, contextualizá-las e fiscalizá-las.

Mas também precisa aceitar que, numa sociedade conectada, seus próprios métodos, escolhas editoriais e prioridades passem a ser igualmente analisados.

A pergunta que fica não é apenas por que determinada nota foi publicada.

A pergunta mais importante talvez seja outra:

Estamos diante de um legítimo exercício do jornalismo crítico ou de mais um capítulo da complexa relação entre mídia, poder político e interesses econômicos que historicamente molda a vida pública brasileira?

Responder a essa questão exige menos paixões e mais evidências. É esse tipo de reflexão que fortalece a esfera pública e amplia a qualidade do debate democrático, objetivo maior de qualquer pólis que pretenda ser verdadeiramente livre.

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Uma campanha no ar: o uso de aviões por candidatos que a Justiça não vê

2 de Julho de 2026, 14:41, por AS FALAS DA PÓLIS

Após o célebre escândalo político no Pará envolvendo o uso ilegal de aviões oficiais na campanha eleitoral de 2002, a conexão entre candidatos e apoiadores com as continentais dimensões terriroriais do estado do Pará tem rendido muitas inovações nos investimentos aos quais estes atores dedicam recursos.

Naquele momento, o episódio conhecido com o "Escândalo dos Aviões", resultou na cassação da chapa e na acusação dos envolvidos.

As eleições eram as de 2002, a chapa governista eleita para o governo do Pará, composta por Simão Jatene e Valéria Pires Franco, foi formalmente acusada de abuso de poder político e econômico.

O estopim da denúncia foi a utilização de aeronaves do governo estadual para realizar deslocamentos e comícios de campanha eleitoral.

O governador era Almir Gabriel, homem tido como probo, frequente acusador de atos de corrupção em desfavor de seus opositores. À época do caso, Almir Gabriel cumprindo seu segundo mandato. Ele era o principal padrinho político da chapa de Jatene e Valéria e foi acusado de ceder a estrutura do Estado, incluindo os aviões governamentais e servidores públicos, para beneficiar seus aliados na disputa eleitoral.

Diante das provas de uso indevido dos bens públicos, o Tribunal Regional Eleitoral chegou a cassar o diploma de Simão Jatene e Valéria Pires Franco antes mesmo de tomarem posse.

Todavia, movimentando céus e o inferno eles conseguiram liminares e recursos no Tribunal Superior Eleitoral para assumir e governar o estado entre 2003 e 2006, enquanto o processo era julgado.

Depois disso, os aviões oficiais passaram a ser repelidos por todos, o aviso serviu para manter aquelas aeronaves guardadas como se o poste fosse o responsável pela conduta do cachorro.

É certo, portanto, que daquele episódio outro fenômeno passou a tomar conta dos bastidores políticos. Empresários sem lá muita densidade patrimonial e até mesmo políticos com poucas horas de vôo em seus mandatos, passaram a adquirir aeronaves, sem que este investimento tivesse lá muita coerência com seus acervos patrimoniais e até políticos, necessariamente.

O montante de recursos utilizados na pré-campanha e os gastos com voos de táxi aéreo e fretamento de aeronaves realizados por parlamentares e políticos em geral, ficou claramente exorbitante, ou mesmo, a benevolência de empresários nos empréstimos frequentes daqueles equipamentos.

O fato é que após aquele episódio com aviões oficiais os hangares particulares passaram a dispor de uma gama infindável de modelos de aeronaves, muitas compartilhadas com mais de um punhado de empresários e utilizadas por um significativo contingente de políticos.

Em meio a essa pleiade de coincidências, empresários, aeronaves, empréstimos e fretamentos, algo comum os ligam, além dos investimentos em patrimônio de mesma natureza e compartilhamento deste notório sinal de prosperidade, os contratos com o poder público surgem como fenômeno comum.

Neste sentido, registros mostram que poucas são as aeronaves que não são de algum empresário que atua na área pública ou de políticos sem lá grande histórico na política. São como velhos conhecidos em uma nova modalidade de apoio político.

Resta saber se este fenômeno não vem sendo notado pelas autoridades, pergunta que os registros públicos não conseguem dar sinais de forma transparente, já que pouco se tem notícias de investigações a esse respeito, como se a benevolência fosse um pilar da iniciativa privada ou os mandatos dos novos na política viesse com um afago dos ares.

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Vice de Daniel pode desagradar Éder Mauro e beneficiar Joaquim Passarinho?

1 de Julho de 2026, 17:53, por AS FALAS DA PÓLIS
Renata Rocha da Silva Oliveira é vice-prefeita de Redenção e estaria sendo cotada a ser vice-governadora na chapa de Daniel Santos ao governo do Pará.

Em meio a declarações e traduções não se sabe afinal que grupo estará efetivamente no palanque de Daniel Santos. A última informação a esse respeito aponta que o PL será o partido agraciado com a vaga de vice. 

O deputado federal Joaquim Passarinho, em entrevista a um podcast, afirmou mais uma vez que a candidatura de Daniel depende do apoio do PL. Em seguida, Daniel foi ciceroneado por Passarinho no município de Redenção, local que passou a figurar como seu reduto eleitoral, deixando a capital, onde mantinha domicílio eleitoral e assumiu o Sul do Pará como sua nova terra natal política.

Neste cenário, o blog foi informado por fonte próxima da que a atual vice-prefeita de Redenção, Renata Rocha da Silva Oliveira, é o nome fechado por Daniel Santos e Joaquim Passarinho, atual presidente estadual do PL, para compor a chapa que disputará o governo do estado. 

A vice-prefeita é pessoa da relação pessoal do presidente do diretório estadual do PL no Pará, o deputado federal Joaquim Passarinho, que sem histórico na política foi indicada pelo deputado para compor a chapa municipal com o prefeito Dr Rener. 

A pergunta que paira é saber se esse jogo inclui o deputado federal Éder Mauro ou se foi consultado a esse respeito. Afinal, não seria surpresa, dado o histórico, que Daniel tenha fechado com um ao arrepio da concordância ou mesmo a própria ciência do outro, como se deu na composição da chapa, no recente pleito municipal, que o agora ex-prefeito colocou no bolso seu compadre e parceiro político Erick Monteiro, seu mentor de outrora Manoel Pioneiro e seu apoiador Helder Barbalho

Será que o candidato ao Senado Eder Mauro será o próximo a conhecer o "sabor acordo" que Daniel está habituado oferecer aos seus aliados? É salutar lembrar que Eder Mauro já experimentou os efeitos das manobras de bastidores de Passarinho quando perdeu o diretório estadual do PL no Pará, mas agora o sabor pode ter gosto mais amargo. 

Joaquim Passarinho, noutros tempos acostumado a se manter no muro, parece ter escolhido um lado oposto aquele de quem recebeu quociente eleitoral para se eleger em dois pleitos seguidos. 

É oportuno recordar que Eder Mauro foi puxador de votos que elegeu Joaquim Passarinho por duas vezes e também pautou a vaga de vice na chapa de Daniel para sua nora, a esposa do deputado estadual Rogério Barra - seu filho - para ser vice de Daniel e até hoje espera ser atendido.

Por outro lado, o que não causa espanto é o modo de agir de Daniel e Passarinho, ambos já fizeram parte da chapa e coligação de Helder, respectivamente, e agora se unem para acabar com o que chamam de "dinastia dos Barbalho". 

Passarinho esquecendo que vem de uma família de aves com mandatos que datam a ditadura de 64.

Nessa esteira, Daniel se põe como figura útil para conter os vôos da família do ex-delegado, prometendo asas ao novo aliado Passarinho.

No site da Prefeitura de Redenção, um pouco sobre a vida da Renata

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Diógenes Brandão